Destaques: Lula anuncia nesta 4a. crédito para compensar perdas com tarifaço; convenção lança Haddad no sábado
AGENDA POLÍTICA
Por Carmen Munari
(Texto atualizado em 22/07/2026)
Programa Brasil Soberano destina R$ 18 bilhões em linhas de crédito para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço
O presidente Lula anuncia nesta quarta-feira (22/7) uma nova etapa do Plano Brasil Soberano com R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento destinadas a apoiar empresas brasileiras que atuam em setores estratégicos para a balança comercial, afetadas por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, por conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio mundial. Do total previsto para o Plano Brasil Soberano III, serão R$ 13,5 bilhões de recursos do Tesouro Nacional e outros R$ 5 bilhões disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, além de prospecção e abertura de novos mercados. Também nesta quarta-feira, o presidente sanciona o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória nº 1.345, que criou as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.
PT X TARIFAÇO
O Partido dos Trabalhadores (PT) lançou uma nova campanha contra a imposição da tarifa de 25% promovida pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. A campanha “Defenda o Brasil do tarifaço dos Bolsonaros” se tornou o novo slogan da campanha de reeleição do presidente Lula, com o objetivo de mobilizar os eleitores. A nova campanha ocorre após o partido difundir o apelido de “TariFlávio” – citação ao senador e pré-candidato a presidente da República, Flávio Bolsonaro (PL), visto como principal responsável pelas tarifas. A nova campanha petista busca se reapropriar da bandeira do Brasil, além de jogar a culpa das tarifas na família Bolsonaro.
O presidente Lula afirmou na sexta-feira (17/07), em evento público, que quer fazer com o presidente Trump uma “guerra da narrativa, guerra da verdade”. “Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra. Isso nós vamos ter que demonstrar.”
Começou a vigorar nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros. O tarifaço atinge cerca de 20% das exportações do Brasil para os Estados Unidos. 
A estimativa do valor total das exportações afetadas varia entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, segundo cálculos da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Armcham Brasil).
EXIGÊNCIAS DOS EUA: INEGOCIÁVEIS
O ICL Notícias, em texto de Jamil Chade, obteve com exclusividade a proposta enviada ao governo brasileiro pela equipe de Trump, apresentada ainda no início de 2026, quando as investigações contra o Brasil estavam em andamento. Nela, a gestão Trump exige uma espécie de capitulação de diversos setores da economia nacional, em troca apenas de uma redução de tarifas que poderiam ser impostas sobre produtos brasileiros. Os EUA exigiam que o Brasil barrasse investimentos chineses no setor de terras raras e minérios, além de abrir de forma plena o mercado nacional para bens americanos, como forma de negociar uma eventual redução nas tarifas que poderiam impor sobre o Brasil.
A partir da divulgação das exigências dos EUA, Welber Barral, doutor em direito internacional pela USP e ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula (2007-2011), criticou, em artigo, as medidas propostas e afirmou que as propostas são “inegociáveis”. Para assinantes
CONVENÇÃO HADDAD EM SP
Na segunda-feira (20/07), começou o período para que os partidos realizem as convenções que definirão as candidaturas. As siglas terão até 5 de agosto para fazer as reuniões. Os registros na Justiça Eleitoral deverão ser apresentados até 15 de agosto, e a campanha começa no dia seguinte.
A convenção do PT que lança a candidatura de Fernando Haddad em São Paulo está marcada para sábado (25/07) em Campinas (Ginásio Poliesportivo do Clube Concórdia, Rodovia Heitor Penteado, Km 6 – Sousas, Campinas/SP). Presentes: Lula, Geraldo Alckmin, Márcio França, Marina Silva e Simone Tebet.
Lula deve lançar a candidatura à reeleição em 2 de agosto em São Bernardo do Campo. Lula avalia faltar a todos os debates na TV, durante o primeiro turno, segundo a mídia.
PATRUS EM MINAS GERAIS
Após reunião do presidente Lula com o deputado Patrus Ananias (PT-MG), ex-prefeito de Belo Horizonte, no Planalto na quinta-feira (16/07), o PT de Minas bateu o martelo para sua pré-candidatura ao governo.
NOVO DATAFOLHA
O Datafolha divulga na sexta-feira (24/07) nova pesquisa para a Presidência da República. A pesquisa vai captar os efeitos do tarifaço de Donald Trump nas candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro; e vai medir o impacto do vídeo bomba de Michelle Bolsonaro contra o enteado. Várias perguntas da pesquisa serão sobre esses dois temas. No levantamento mais recente, de 22 de junho, o presidente Lula manteve a liderança nos cenários de 1º e 2º turno da disputa presidencial de 2026, consolidando a vantagem obtida no levantamento realizado na segunda quinzena de maio. No primeiro turno, Lula tinha 41% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula aparece com 47%, contra 43% do senador pelo PL.
MILEI DEVE VIR AO BRASIL
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou na última semana que viajará ao Brasil no sábado (25/07) para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e que aproveitaria a viagem para ir também a Brasília, onde visitaria o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. No entanto, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL) em decisão da sexta-feira (17) e determinou que o ex-presidente não poderá receber visitas com finalidade “político-eleitoral” até o final das Eleições 2026. Rejeitou no sábado (18) pedido da defesa de Jair Bolsonaro de autorização para uma visita do presidente da Argentina, Javier Milei.
CONGRESSO EM RECESSO
O Congresso está em recesso até 31 de julho. Projetos considerados prioritários ficarão pendentes de análise pelos plenários das duas casas. Mesmo após o retorno, as eleições deste ano devem esvaziar o parlamento pelo menos até o início de outubro.
Entre as principais pendências estão a PEC do fim da escala 6×1 no Senado e, na Câmara, o projeto que equipara a misoginia ao crime de racismo, atualização do limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) e o projeto de regulamentação da exploração de terras raras.
(Com dados do Poder360 e Folha)

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
