6ª Oficina do Ciclo do Barão debate papel da cultura na disputa de ideias e valores

(por Redação Fórum 21 – transcrição e resumo feitos com apoio de IA)
A última oficina do Ciclo do Barão — O Movimento Sindical na Disputa Eleitoral de 2026 colocou em debate “O papel da cultura na disputa de ideias e valores”. Realizada na noite de quinta-feira, 21 de maio, a atividade encerra o ciclo de 6 oficinas, mas o processo de formação promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. continuará com o apoio da Fatoflix sob outras formas.
Apresentada pela jornalista Rita Casaro, a oficina contou com a coordenação do jornalista Carlos Tibúrcio (Fórum 21 e Fatoflix e membro da Coordenação do Barão), da jornalista e sindicalista Joanne Mota e do historiador e poeta Celio Turino, referência na área cultural e reconhecido por sua atuação como Secretário Nacional da Cultura na formulação dos Pontos de Cultura, durante a gestão do ministro Gilberto Gil no Ministério da Cultura.
Sempre abrindo os eventos, Casaro apresentou a oficina destacando que o tema é central no ciclo de debates voltado a um dos principais desafios enfrentados nos últimos anos: o avanço da desinformação e a dinâmica de atuação da extrema direita no ambiente político e comunicacional. Segundo ela, a discussão proposta toca o “coração dos problemas” contemporâneos e busca refletir sobre os impactos desse cenário na sociedade e na produção de informação.
Reorganização política
A jornalista e sindicalista Joanne Mota abriu sua participação no seminário com uma reflexão sobre os desafios impostos pela desinformação, pelo avanço das plataformas digitais e pela reorganização política e cultural da extrema direita. Partindo de sua experiência na produção de conteúdo audiovisual e no trabalho desenvolvido na plataforma Fatoflix e no Portal Fórum 21, ela defendeu que a disputa política contemporânea ultrapassa o campo institucional e eleitoral e se estabelece, sobretudo, na formação de consciência social e na construção de narrativas.
“O trabalho que eu tento desenvolver, por exemplo, na resenha semanal que eu escrevo para o Portal Fórum 21 sempre tenta estar conectado com alguma pauta do momento e levantar debates sobre como o cinema ou a produção audiovisual está conectada com a disputa cultural que a gente atravessa no nosso tempo”, afirmou. Para ela, a cultura funciona como “um motor não só de direcionamento, mas também de impulsionamento da reflexão sobre o que está acontecendo”.
Sobre o uso das tecnologias, Mota questionou: “Hoje quem está formando a consciência? O sindicato ou o algoritmo?”. Ela salientou que, com as Big Techs, o desafio ultrapassa a transição do analógico para o digital, exigindo uma revisão profunda das estratégias políticas e das formas de organização social. “O momento nos cobra uma reflexão sobre como a gente está lidando com a tecnologia, seja no debate da política ou mesmo na estruturação dos sindicatos”, disse.
Ela também apontou preocupação com o ambiente eleitoral e o impacto da circulação de desinformação. “Tem muito se falado que a eleição vai ser muito difícil por conta das fake news, da máquina, da usina de mentiras que a extrema direita tem, especialmente financiada por capital estrangeiro. E como é que a gente lida com isso?”, questionou.
Ao longo da fala, Joanne sustentou que parte da disputa contemporânea envolve conceitos historicamente vinculados ao campo progressista e que passaram a ser apropriados por setores conservadores. “O que é democracia hoje? O que é liberdade? O que é verdade? Quem merece direitos? Que passado devemos lembrar e que futuro a gente vai deixar para os nossos filhos?”, perguntou.
Ela alertou que a polarização política e cultural empurra frequentemente os debates para posições simplificadas e maniqueístas. “É uma dicotomia que alavanca uma disputa que muitas vezes nos empurra para uma posição maniqueísta no processo de luta política e mesmo no processo de construção cultural e da comunicação”, afirmou.
Extrema direita
A jornalista destacou que a extrema direita compreendeu antes de outros setores políticos a importância da disputa simbólica e cultural. “Ela compreendeu algo antes de todo mundo: que não era só o voto. Não era só eleger o cara”, afirmou. Segundo ela, o avanço desse campo político não surgiu recentemente e a consolidação política da extrema direita ocorreu a partir da construção de pertencimento e identificação emocional. “Antes de convencer a razão, eles constroem identificação. Não importa se está certo ou errado. Eles constroem uma liga de identificação”, afirmou. “Eles têm o argumento de pertencimento e muitas vezes a gente se perde no argumento de autoridade que a gente acha que tem”, acrescentou.
Mota também abordou o conceito de “afeto” como instrumento central da disputa política contemporânea. “Antes da política, o afeto. Ou seja, alguém está sempre ensinando o mundo a ser interpretado. A pergunta que nos cabe é: quem está ensinando hoje?”, questionou. A palestrante analisou como Olavo de Carvalho e a produtora Brasil Paralelo conseguiram ocupar espaços importantes da disputa cultural. “A gente não consegue agir sobre o inimigo quando a gente não o conhece”, afirmou. Segundo ela, o crescimento dessas iniciativas não ocorreu pela apresentação de “fatos ocultos”, mas pela capacidade de construção narrativa. “Eles cresceram porque decifraram a chave da política contemporânea. As pessoas não aderem a dados frios. Elas aderem a narrativas que oferecem sentido e emoção”, disse.
Ela descreveu o que chamou de uma “máquina estética” estruturada para produzir identificação política. “É uma operação de uma máquina estética impecável. Desde a estruturação do site, da divulgação nas redes sociais, do mapeamento e do uso de pessoas desvinculadas da política para legitimar o conteúdo”, afirmou. “É um visual cinematográfico sofisticado, trilhas sonoras épicas e emocionais, uma linguagem de revelação, a falsa sensação de fazer parte de um grupo que enxerga o que a massa ignora”, acrescentou.
Outro exemplo apresentado foi o crescimento internacional dos doramas sul-coreanos. Ela utilizou o caso para discutir como produtos culturais podem funcionar como instrumentos de projeção de valores e fortalecimento identitário. “Os doramas são outro produto do chamado soft power, do poder suave, sutil, de convencimento, que a gente nem percebe”, afirmou. “Foi usado para reconstruir a imagem de uma nação organizada, que tem valores, que é confiável, que sofreu, que atravessou desafios, mas que está pronta para receber e abraçar qualquer um”, acrescentou, salientando o investimento estatal para fortalecer esse processo.
Papel central da cultura
A jornalista reforçou a necessidade de compreender a cultura, a tecnologia e os produtos audiovisuais como espaços centrais da disputa política contemporânea. “A primeira vez que eu assisti a Lista de Schindler eu tinha 13 anos. Eu não sabia até então que tinha tido a Segunda Guerra Mundial. Sabia do Hitler, sabia dos campos de concentração, mas era uma coisa da escola”, contou. Segundo ela, o impacto da obra ultrapassou o aprendizado histórico e provocou uma reflexão mais ampla sobre preconceito e intolerância.
Ela também destacou a capacidade que conteúdos culturais têm de transformar percepções sociais e disputar consciência política. “Hoje a cultura mimética impacta muito mais do que um vídeo às vezes. Uma imagem estática também pode mudar posições”, afirmou. Segundo Mota, os mecanismos de influência deixaram de estar apenas nos livros ou nos espaços tradicionais de formação política. “Essas ideias que estão rodando hoje não estão apenas nos livros de história. Elas colonizam as telas, estão na palma das nossas mãos”, afirmou. “Hoje há quem ouse dizer que existe uma luta de classes virtual, não só social. Ela está também embricada com a disputa do audiovisual”, acrescentou.
“O cinema nunca foi neutro. Ele tem lado. E que bom, porque aí a gente também pode produzir as nossas coisas, ter os nossos espaços. Ele sempre foi uma arma de disputa. Às vezes para emancipar e às vezes para manipular e deflagrar guerras”, acrescentou.
Ao comentar a discussão em torno do filme sobre Jair Bolsonaro, ela afirmou que o debate público estaria concentrado no financiamento da obra, enquanto o impacto simbólico da produção seria, em sua avaliação, a principal questão. “O problema é o seguinte: o filme vai sair. E o filme vai impactar”, disse. “É um filme muito bem feito e mostra um Bolsonaro que não tem nada a ver com o Bolsonaro que a gente conhece”, afirmou.
Ao longo da exposição, a jornalista retomou exemplos históricos para defender que a disputa cultural sempre esteve presente nos grandes processos políticos. “Na Guerra Fria a gente tem exemplos. Durante o regime militar a gente tem exemplos. Quem conhece um pouco do golpe no Chile sabe como o cinema foi usado para legitimar projetos políticos e econômicos”, disse.
Controle
Segundo ela, o centro da disputa atual não está apenas na produção de conteúdos, mas no controle das estruturas tecnológicas que organizam o fluxo informacional. “A disputa cultural hoje não é apenas uma guerra de conteúdos. O meu vídeo contra o seu vídeo. Ela acontece dentro de uma infraestrutura tecnológica controlada por megacorporações”, afirmou.
“A tecnologia hoje não dita apenas o que vemos. Ela muda nossas formas de sentir, desejar e imaginar o mundo. A dominação de classes não se mantém mais apenas pela força policial. Ela se sustenta quando o bombardeio digital faz parecer natural conceitos como o individualismo absoluto, o cada um por si, o empreendedorismo como única saída e a criminalização dos sindicatos”, acrescentou. Ela também relacionou o ambiente digital ao crescimento de discursos violentos e à ampliação de ataques contra mulheres. “Tudo isso está sustentado não só numa cultura do discurso, mas numa cultura da imagem. Seja no card, seja no vídeo, seja no TikTok”, acrescentou.
Ao abordar o papel do movimento sindical, Mota defendeu que a atuação política precisa ultrapassar pautas econômicas tradicionais e incorporar a disputa de valores e consciência social. “Não basta disputar apenas salário na mesa de negociação. A reflexão sobre o cinema e sobre o papel da cultura significa pensar a disputa da consciência do trabalhador”, afirmou.
Nesse contexto, ela voltou a destacar a Fatoflix, plataforma audiovisual ligada ao campo progressista. “Se eles têm o Brasil Paralelo, a gente tem a Fatoflix, uma ferramenta de contra-hegemonia”, declarou. “Eu penso muito na Fatoflix como um quilombo digital para resgatar a memória histórica que tentam apagar. Enquanto outras plataformas empurram o consumo individual e a fragmentação, ela pode ser usada para diálogo com a juventude, fortalecimento da comunidade, cine-debates, rodas de conversa e formação sindical”, acrescentou.
“Se a extrema direita entendeu o poder do audiovisual para espalhar medo, individualismo e revisionismo histórico, o que nós estamos esperando para usar o mesmo audiovisual para produzir esperança e solidariedade?”, questionou. Ao final, Mota reforçou que “o sindicato não disputa apenas o valor da hora trabalhada. Ele precisa disputar a dignidade, a memória e o direito ao futuro”.
Integração entre cultura e comunicação
O escritor e gestor cultural Célio Turino centrou sua participação na 6ª Oficina do Ciclo do Barão em uma análise sobre o papel estratégico da cultura e da comunicação na disputa política contemporânea. Ao longo da exposição, ele argumentou que os campos progressistas enfrentam uma derrota que ultrapassa o terreno eleitoral e institucional, atingindo diretamente a esfera simbólica, cultural e de valores.
“A grande derrota da esquerda no mundo ocidental, sobretudo, é uma derrota cultural. E nós ainda não percebemos isso numa dimensão grande”, afirmou logo no início de sua intervenção. Segundo Turino, o fenômeno não se restringe ao Brasil e aparece também em outros países da América Latina e da Europa. “Não é só um problema aqui do Brasil. Na Europa também, pela América Latina”, disse.
Na avaliação do ex-secretário responsável pela criação dos Pontos de Cultura, parte das dificuldades enfrentadas pelos setores progressistas decorre de uma compreensão limitada sobre o papel estruturante da cultura e da comunicação na formação política e social. “A derrota se deu no campo de valores”, afirmou.
Turino também avaliou que mesmo experiências políticas progressistas da América do Sul, sobretudo na primeira década dos anos 2000, apresentaram limites na compreensão desse tema. “No Brasil a gente até teve alguns avanços razoáveis, significativos, na cultura no primeiro e segundo governo Lula, mas mesmo assim o entendimento foi limitado”, disse.
Ao desenvolver seu argumento, Célio Turino sustentou que cultura e comunicação não podem ser tratadas como áreas separadas. “A comunicação é uma ação cultural. Toda comunicação é uma interpretação do mundo, do modo de ser, de ver”, afirmou. “E a cultura só se realiza quando comunicada. Portanto, a cultura é um ato comunicativo”, acrescentou. Segundo ele, o ideal seria que políticas públicas de cultura e comunicação fossem formuladas de forma integrada. “O ideal seria que sempre houvesse um tratamento unificado entre cultura e comunicação”, afirmou.
Como exemplo, Turino citou o modelo britânico. “No Reino Unido, o Ministério da Cultura é junto com o Ministério da Comunicação”, disse. O gestor cultural também mencionou a BBC como uma das referências mundiais em comunicação pública. “É um dos poucos exemplos que ainda restam no mundo de TV pública realmente pública, com presença, dimensão e repercussão”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Turino recorreu a experiências históricas de movimentos de esquerda na América Latina para demonstrar como a dimensão cultural esteve presente em processos políticos relevantes. Ele mencionou o dirigente comunista brasileiro Astrojildo Pereira como uma figura que, em sua avaliação, deveria ser mais valorizada. “Um personagem brasileiro que devia ser mais resgatado”, afirmou.
Também citou o pensador peruano José Carlos Mariátegui. “Foi reconhecidamente o primeiro grande marxista sul-americano e ia para a fronteira da cultura”, disse. Outro exemplo apresentado foi o do fundador do Partido Comunista chileno, Luis Emilio Recabarren. “Ele fazia algo muito semelhante aos Pontos de Cultura. Levava círculos de formação junto a sindicatos, mineiros e trabalhadores da extração de salitre”, afirmou.
Turino destacou ainda a atuação de Teresa Flores, dirigente sindical chilena. “Uma militante comunista, sindicalista e feminista da época”, afirmou. Segundo ele, o Partido Comunista chileno consolidou historicamente uma forte articulação entre cultura, sindicalismo e política. “Construíram uma fusão da atividade cultural, sindical e política numa perspectiva de transformação profunda da sociedade”, disse.
Ao voltar o olhar para o Brasil contemporâneo, Turino avaliou que houve equívocos na forma como a cultura passou a ser tratada nas últimas décadas. “Sempre os agentes culturais são chamados como atração ou como personalidades, mas falta a atividade cotidiana”, afirmou.
Pontos de cultura
Ele relembrou sua experiência à frente dos Pontos de Cultura e afirmou que buscou aproximar sindicatos desse modelo de organização cultural. “Eu tive encontros com sindicatos propondo que cada sindicato tivesse um Ponto de Cultura. Houve um retorno muito pequeno”, afirmou. Segundo ele, apenas alguns sindicatos de metalúrgicos e professores aderiram à ideia. “Não houve essa intersecção”, afirmou. Como contraponto, Turino destacou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “O MST criou toda uma rede de Pontos de Cultura”, disse.
O ex-secretário também abordou o tema da tecnologia e do software livre como instrumentos estratégicos de soberania nacional. “O Brasil já foi vanguarda em tecnologias livres de comunicação”, afirmou. Segundo ele, o país chegou a ocupar posição de liderança internacional no desenvolvimento de ferramentas abertas voltadas à inclusão digital.
“Não havia software de edição de áudio e vídeo em software livre há 20 anos. Isso foi desenvolvido a partir da ação do Brasil”, disse. Turino relacionou esse processo ao trabalho realizado durante a implementação da Cultura Viva e dos Pontos de Cultura. “Chegamos a 3.500 comunidades em 2010 com isso”, afirmou.
Na avaliação do gestor cultural, houve uma interrupção desse processo. “É preciso reconhecer que houve uma interrupção abrupta. Infelizmente ela não veio com o golpe nem com Bolsonaro. Ela veio antes”, afirmou. Como exemplo, citou o programa Gesac, iniciativa de inclusão digital do governo federal baseada em banda larga via satélite e software livre. “Eu cansei de inaugurar conexão de internet banda larga com tecnologia nacional, software livre e satélite brasileiro”, afirmou. Turino criticou a posterior mudança de rumo na política de inclusão digital.
“Em 2011 se anunciou que a inclusão digital no Brasil seria feita pelo Facebook”, disse. “Não aconteceu essa inclusão digital e o que veio depois a gente já sabe”, acrescentou. Para ele, derrotas políticas também decorrem de renúncias estratégicas. “Às vezes as derrotas que a gente sofre não são apenas uma ação de força do outro lado. Também é o nosso lado que renuncia a isso”, afirmou.
O gestor cultural também chamou atenção para o potencial da comunicação sindical. “Se a gente unificar tudo, os sindicatos devem ser o maior empregador de jornalistas do Brasil”, afirmou. Segundo ele, a estrutura já existente permitiria construir projetos nacionais mais robustos de comunicação. “Imagine isso para compor uma agência de notícias, um portal, tratando não só das questões específicas dos sindicatos, mas dos interesses gerais do trabalhador e do povo brasileiro. A gente teria uma potência comunicacional”, afirmou.
Turino também defendeu o fortalecimento da Fatoflix e de outras iniciativas de comunicação alternativa. “Eu sou muito fã da Fatoflix e penso que a gente deveria dar um salto também”, afirmou. “A gente precisa urgentemente disso. O tempo acelerou demais”, acrescentou.
Ao discutir inteligência artificial e transformações tecnológicas, Turino sustentou que as ferramentas digitais modificam a própria forma de pensar da humanidade. “O humano é resultado da interação do humano com as ferramentas que ele inventa”, afirmou. “A ferramenta IA também vai alterando a nossa forma de pensar”, disse. Segundo ele, o avanço tecnológico em curso representa uma transformação civilizatória profunda. “Esse Homo sapiens sapiens já está no finalzinho. Vai surgir uma nova espécie”, afirmou. “A gente seria como se fosse os neandertais desse período”, acrescentou. Turino argumentou ainda que nenhuma tecnologia é neutra. “Toda ferramenta carrega a ideologia de quem a produziu”, afirmou. “Ela está alterando o modo de pensar junto à classe trabalhadora, junto aos jovens”, acrescentou.
Cultura é modo contínuo
Na reta final da exposição, o gestor cultural retomou o diagnóstico apresentado no início da fala: a necessidade de compreender cultura e comunicação como elementos permanentes da disputa política. “Não tem como pensar cultura como algo esporádico”, afirmou. Para ilustrar o raciocínio, recorreu a uma metáfora agrícola. “É como pensar agricultura de modo esporádico. Prepara a terra, semeia, acompanha o crescimento, faz a colheita e para de fazer. Não é assim que funciona”, disse. “Cultura é um modo contínuo. Como comunicação. Faz e faz todo dia”, acrescentou.
Ao concluir a apresentação, Turino alertou para o risco de novas derrotas políticas caso os movimentos populares, sindicais e progressistas não incorporem de maneira estrutural a dimensão cultural e comunicacional. “O âmbito decisório da luta sindical, popular, comunitária e de esquerda precisa ter essa compreensão quanto antes. Do contrário, a gente vai para novas derrotas”, afirmou. Para ele, a disputa política contemporânea exige continuidade, investimento permanente e compreensão estratégica sobre a formação cultural da sociedade, especialmente diante das transformações tecnológicas em curso e da aceleração dos processos de comunicação.
Ação coletiva
O jornalista Carlos Tibúrcio concentrou sua participação na 6ª Oficina do Ciclo do Barão em exemplos práticos de comunicação política, estratégias audiovisuais e formas de ampliar a atuação sindical e cultural no ambiente digital. Ao abrir sua apresentação, ele explicou que pretendia trabalhar experiências concretas e defender uma maior interação entre os participantes do ciclo de formação.
“A minha fala, concluindo essas exposições, está muito centrada em exemplos práticos”, afirmou. Segundo ele, a proposta também buscava estimular participação e continuidade dos debates para além do encerramento do ciclo. “Eu acho que é fundamental que haja uma participação maior, com questões, perguntas e comentários”, disse.
Tibúrcio explicou que preparou uma exposição resumida, mas destacou que os materiais completos seriam compartilhados posteriormente entre os participantes. “Depois os comentários sobre cada quadro, com mais exemplos, está tudo escrito e eu mandarei para todo mundo via Dani, via Rita, sem problema nenhum”, afirmou.
Ao apresentar a linha central de sua intervenção, o jornalista destacou a necessidade de transformar conceitos políticos abstratos em experiências concretas e acessíveis ao público. “A ideia é essa: que a gente chegue a uma ação conjunta a partir desse próprio ciclo de oficinas e dos participantes que nós temos hoje, ampliando”, afirmou.
Segundo ele, um dos desafios centrais da comunicação política está em humanizar pautas e aproximá-las da experiência cotidiana. “Falta virar história. Denúncia ganhar um rosto. Coisas que a gente sabe, mas que talvez a gente não faça no dia a dia da nossa comunicação digital”, afirmou. Como exemplo, Tibúrcio citou a mobilização em torno do movimento pelo fim da escala 6×1, associada ao nome do influenciador Rick Azevedo.
“O próprio exemplo do movimento surgiu, como a gente sabe, por um desabafo no TikTok do Rick Azevedo. A coisa foi crescendo, chegou a um abaixo-assinado de 1 milhão e 300 mil pessoas, uma petição online e hoje está onde está, com possibilidade real de se transformar em lei”, afirmou.
Para o jornalista, o crescimento da pauta não ocorreu apenas pela reivindicação em si, mas pela forma como ela foi comunicada. “Teve cara, teve gesto, teve afeto, teve história de vida para poder ganhar essa dimensão”, disse. Nesse sentido, Tibúrcio sugeriu que sindicatos e entidades busquem aproximar reivindicações políticas da vivência concreta dos trabalhadores. “Os sindicatos podem tomar uma iniciativa ouvindo seus filiados com coisas do tipo: ‘um dia mais livre, eu faria o quê?’”, sugeriu.
Construção de histórias
Segundo Tibúrcio, a construção de histórias e personagens concretos fortalece a comunicação política e amplia a capacidade de engajamento. Ao abordar o papel do audiovisual, Carlos Tibúrcio recorreu ao cinema como exemplo de construção narrativa capaz de gerar identificação social. Um dos casos citados foi o filme Que Horas Ela Volta?, dirigido por Anna Muylaert. “É um filme que eu já assisti várias vezes porque ele faz uma denúncia, mas faz uma denúncia com que a gente chega a ela e se solidariza com ela por meio de uma personagem”, afirmou.
Segundo Tibúrcio, a construção dramática torna a mensagem mais potente do que uma apresentação exclusivamente racional de problemas sociais. “A denúncia feita dessa forma abre um caminho de fato muito interessante”, disse. Outro exemplo citado foi o filme Eu, Daniel Blake, do cineasta britânico Ken Loach. “É outra história fabulosa porque ele está lutando por direitos de aposentado e é o personagem que faz você se solidarizar completamente com ele e com a causa”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Tibúrcio defendeu que campanhas de comunicação precisam investir em formatos simples e de forte identificação social. “Um cidadão diante de uma mesa, está lá o contracheque, um boleto de alguma coisa e outro boleto. E ele pode perguntar: ‘o que eu vou deixar de pagar esse mês?’”, exemplificou. “Uma coisa que dura dez segundos tem efeito de comunicação e abre espaço para muitas outras coisas”, acrescentou.
Outro tema abordado foi a construção de personagens de comunicação capazes de sintetizar campanhas e causas coletivas. “Eu botei aqui o exemplo do Zé Gotinha porque ele ganhou a sociedade brasileira em relação às vacinas”, afirmou. Segundo Tibúrcio, movimentos sociais e entidades sindicais também podem desenvolver referências simbólicas próprias. “Nós podemos ter personagens os mais variados a partir da atividade que a gente desenvolve na nossa categoria”, disse.
O jornalista também destacou o papel dos memes e das linguagens digitais contemporâneas. “É muito difícil realmente fazer um humor que pegue bem, que funcione, mas insisto que vale sempre a pena tentar”, afirmou. Ele definiu o meme como um instrumento de comunicação com alto potencial de circulação. “O meme é uma espécie de atalho cultural. Uma linguagem que contagia, abre porta e sustenta outro tipo de abordagem”, afirmou.
Tibúrcio ressaltou a importância da articulação entre comunicação digital e atuação territorial. “Com todo o trabalho que a gente pode fazer no digital, se a gente relacionar uma coisa com outra, o efeito se torna muito mais poderoso”, afirmou. Segundo ele, o audiovisual precisa ser incorporado de forma permanente às estratégias políticas e culturais. “Não é pouca coisa utilizar o audiovisual de uma forma sistemática e utilizar a Fatoflix, por exemplo, ou outras opções que surjam nesse sentido, no dia a dia do trabalho cultural e político em nossas categorias”, disse.
Produção de conteúdo
Tibúrcio defendeu ainda que sindicatos e organizações populares estabeleçam rotinas permanentes de produção de conteúdo. “Cada entidade podia pensar na possibilidade de ter de fato um kit semanal. Toda semana produzir. E nada de grande sofisticação”, afirmou. Segundo ele, parte do êxito da extrema direita na comunicação digital está justamente na capacidade de utilizar formatos simples e acessíveis.
“A comunicação mais cotidiana da extrema direita adota formas aparentemente casuais, bem simples, de uma maneira profissional programada para que seja assim e interaja com o público quase dizendo: ‘você também pode fazer isso’”, afirmou. “Essa coisa de fazer com os nossos próprios meios é algo que deve ser adotado sem nenhum tipo de dúvida”, acrescentou.
Na reta final da apresentação, Tibúrcio defendeu que o encerramento do Ciclo do Barão não represente o fim da articulação construída ao longo das oficinas. “A ideia é insistir na possibilidade de a gente dar continuidade a esse ciclo sob outras formas até as eleições e depois das eleições”, afirmou.
Segundo ele, uma das propostas envolve transformar os conteúdos produzidos ao longo dos encontros em materiais mais curtos e de maior circulação. “A equipe da Fatoflix, em combinação com o Barão, está fazendo vídeos de 10 a 15 minutos sobre cada oficina, só com os melhores momentos, só com aquilo que é aplicável”, explicou. “Nem todo mundo tem condição de reassistir um vídeo de duas horas e ficar anotando o que é mais importante. Nós vamos fazer esse trabalho e enviar para todos os participantes”, acrescentou.
Outra proposta apresentada foi a criação de redes permanentes de comunicação entre entidades e participantes. “Nós estamos levantando a possibilidade de quem está aqui optar por somar forças para nós darmos continuidade a esse ciclo”, afirmou. Segundo Tibúrcio, a articulação nacional precisa ser acompanhada pela criação de redes estaduais e mecanismos coletivos de compartilhamento. “A campanha pode ter articulação nacional e criar núcleos por estado. É muito importante criar e difundir pelo Brasil inteiro”, afirmou.
Ele também propôs a construção de uma pauta periódica compartilhada. “Tentar chegar a uma pauta comum periódica, fazer adequações locais e ir construindo um banco de dados para esse processo agora até as eleições, que seja comum e possa ser utilizado por todos”, afirmou. Entre as propostas mencionadas para continuidade do trabalho, ele citou a produção de resumos das oficinas, cortes de vídeo, roteiros para redes sociais, trilhas temáticas para filmes e materiais de apoio voltados à comunicação política e sindical.
Debate
Tadeu Xavier afirmou que pretende levar os debates realizados ao longo das oficinas para discussão dentro do sindicato e destacou que um dos principais desafios do Brasil está na dificuldade de conectar passado, presente e futuro. Segundo ele, o país carrega marcas profundas de processos históricos violentos, citando os impactos da colonização sobre os povos originários e a população africana trazida ao país. Para Tadeu, compreender essas raízes históricas é essencial para projetar o futuro. “Como é que nós queremos chegar ao nosso presente e projetar o futuro se nós não sabemos o nosso passado?”, questionou. Ao final, avaliou positivamente o ciclo de formação. “Essa oficina aqui foi muito boa para isso”, afirmou.
Luiz Carlos relatou que participou de todas as oficinas e destacou a importância dos debates sobre cultura e formação política. Ele contou experiências locais de tentativa de organizar sessões de cinema voltadas à formação sindical, mas apontou dificuldades de mobilização e baixa participação. “Conseguimos fazer alguns, mas muito difícil. A adesão muito pequena acaba desestimulando e a gente acaba desistindo”, afirmou. Ele também comentou o conceito de soft power debatido no seminário e citou produções audiovisuais que o marcaram pessoalmente, como os filmes Filadélfia, Terra em Transe e o documentário Super Size Me, destacando o impacto do audiovisual na construção de consciência e reflexão social.
Sérgio Corrêa Vaz destacou a relação entre cultura, arte e política como um debate histórico e central para os movimentos progressistas. Vivendo em Portugal desde 2022, ele compartilhou experiências observadas no país europeu e citou especialmente as comemorações dos 50 anos da Revolução dos Cravos como exemplo de articulação entre mobilização política e ação cultural. “A cultura saiu à frente para peitar a direita”, afirmou, ao relatar que bibliotecas, rodas de leitura, apresentações culturais e debates públicos passaram a desempenhar papel importante no enfrentamento ao avanço conservador em Portugal. Para ele, experiências internacionais podem oferecer referências importantes ao Brasil. Sérgio também defendeu que a disputa cultural não pode ficar restrita ao combate às fake news, mas deve envolver valores, visão de mundo e construção de narrativas. “Se a gente ficar só no técnico da fake news, sem incluir ideias e valores, não venceremos essa guerra cultural”, afirmou.
Valdemir Souza destacou os desafios enfrentados pelos sindicatos na área da comunicação, especialmente em categorias com poucos recursos financeiros e estrutura reduzida. Segundo ele, muitos dirigentes sindicais acumulam funções e não possuem formação específica em comunicação. “Comunicação precisa de profissionalismo”, afirmou. Valdemir também apontou que as campanhas salariais acabam concentrando grande parte do esforço das entidades sindicais, reduzindo o tempo disponível para investir em comunicação e formação política. Ele avaliou positivamente o ciclo promovido pelo Barão de Itararé e defendeu a continuidade de iniciativas semelhantes. “Isso aqui é uma formação, isso aqui não é simplesmente uma oficina”, afirmou.
Paula Bortolini destacou a importância das oficinas como espaço de formação e troca de conhecimento, especialmente para profissionais da área de comunicação que atuam no movimento sindical. Ao comentar os debates apresentados, ela chamou atenção para o enfraquecimento dos espaços cotidianos de diálogo político. “Os temas relevantes que são da cultura e da política, do nosso formar, do nosso viver, estão meio proibidos”, afirmou. Ela também demonstrou preocupação com o clima de polarização e com a dificuldade crescente de construir conversas abertas entre pessoas com opiniões diferentes. “Como não desanimar?”, questionou.
Mota começou suas respostas pela questão de Bortolini. Ela associou resistência política à percepção de avanços históricos e à capacidade de transformação construída coletivamente ao longo do tempo. “Eu tenho um argumento muito forte para não desanimar. Primeiro meu filho. E segundo, perceber que tem avanço”, afirmou.
Ela recordou um episódio de sua formação política ao relatar uma fala do jornalista Altamiro Borges sobre mídia alternativa e disputa ideológica, ainda durante sua formação universitária. Segundo ela, ouvir que “as ideias dominantes de um tempo são as ideias da classe dominante” alterou profundamente sua forma de compreender comunicação e política. “Quando eu ouvi aquilo, aquilo virou uma chavinha. Eu passei a ser uma outra pessoa a partir dali”, afirmou.
A jornalista também mencionou experiências internacionais que considera referências importantes para enfrentar o avanço conservador, citando iniciativas ligadas à soberania digital em países europeus e experiências organizativas que, segundo ela, mostram que mudanças estruturais exigem continuidade histórica e resistência permanente. “Quando você vê experiências que resistem, isso revigora a nossa luta. Porque se existe escuridão é porque existe luz”, afirmou.
Mota também mencionou pesquisas que realiza atualmente sobre comunicação e soberania tecnológica na América Latina e argumentou que muitos debates atuais sobre autonomia digital já estavam sendo discutidos há décadas. “Quando a gente olha para isso, a gente percebe que a gente avançou, porque a gente resistiu”, disse. Ao responder comentários sobre comunicação sindical, ela retomou um dos principais argumentos defendidos durante sua palestra: a necessidade de tratar comunicação como elemento estruturante da luta política e não apenas como instrumento de divulgação institucional.
“A tarefa da comunicação dentro de um sindicato não é publicizar a foto da reunião. A tarefa dela é transformar aquela reunião em um fato na disputa política e cultural do processo de luta de classes”, afirmou. Segundo ela, muitas entidades ainda tratam a comunicação apenas como ferramenta operacional, sem incorporá-la à estratégia política mais ampla. “Ter perfil em rede social não é para viralizar. É disputa de construção de ideia”, acrescentou.
Mota também apontou que parte das dificuldades enfrentadas atualmente pelos setores progressistas decorre da incapacidade histórica de construção de redes mais articuladas e permanentes. Ao comentar o potencial da comunicação sindical brasileira, ela retomou um dado apresentado anteriormente no ciclo sobre a quantidade de sindicatos existentes no país e defendeu que existe uma estrutura já consolidada que poderia atuar de maneira mais integrada. “A gente tem um exército. O problema é que a gente ainda não aprendeu a trabalhar em rede”, afirmou.
A jornalista também voltou ao tema dos Pontos de Cultura e lamentou o enfraquecimento de políticas públicas voltadas à democratização da produção cultural e da comunicação local. Segundo ela, muitas experiências de fortalecimento territorial e de participação política nasceram desse processo e seguem produzindo efeitos até hoje. “Se a gente hoje tem uma rede de audiovisual forte local, não é graças somente à Lei Rouanet. É graças a uma rede de Pontos de Cultura que se cristalizou e resistiu mesmo depois do desmonte”, afirmou. Joanne defendeu uma visão mais otimista sobre os processos históricos de transformação social e sustentou que a permanência de espaços de organização política demonstra capacidade de resistência mesmo em cenários adversos. “A resistência feita até aqui dá resultado. Porque a gente aumenta o nosso exército”, afirmou.
Célio Turino retomou comentários feitos pelos participantes sobre tecnologia, inteligência artificial e transformação social para defender que a velocidade das mudanças tecnológicas exige respostas mais rápidas das organizações populares e sindicais. “O tempo acelerou. Imagine como vai estar o mundo em 2030”, afirmou. Segundo ele, a velocidade das mudanças em curso impede respostas lentas ou excessivamente burocráticas. “Não tem muito o que discutir. Tem que fazer. E fazer muito rápido”, disse.
O gestor cultural também retomou reflexões feitas anteriormente sobre inteligência artificial e alertou para impactos das ferramentas digitais na forma como indivíduos elaboram pensamento, organizam informações e constroem percepção sobre a realidade. “A ferramenta IA vai alterando a nossa forma de pensar”, afirmou. Segundo ele, plataformas digitais e sistemas automatizados influenciam comportamentos de maneira crescente. “Você pergunta e a ferramenta responde. Isso condiciona a forma de pensar”, afirmou. “As informações vão sendo alteradas e a gente vai se conformando em outro pensamento”, acrescentou.
Turino também demonstrou preocupação com o papel que o Brasil pode ocupar na nova economia digital global, especialmente diante da expansão de grandes centros de processamento de dados. “O Brasil foi celeiro de alimentos. Agora vai ser celeiro de dados”, afirmou. Segundo ele, o país corre o risco de reproduzir novas formas de dependência econômica e tecnológica caso não formule políticas voltadas à soberania digital e ao desenvolvimento tecnológico próprio. “A gente entrega água e energia e não gera emprego”, argumentou.
O gestor cultural também voltou a defender a retomada de experiências ligadas ao software livre e à construção de estruturas próprias de comunicação. “A gente deveria trabalhar com retomada do software livre”, afirmou. Ao comentar o potencial da comunicação sindical brasileira, Turino retomou o debate sobre articulação nacional e defendeu que a estrutura já existente permitiria a construção de redes muito mais robustas de circulação de informação. “Pegue 20% dos jornalistas dos sindicatos. São quase 3 mil. É quase uma Rede Globo. Não é pouca coisa”, afirmou.
Em um dos momentos finais do encontro, Célio Turino também compartilhou um poema de sua autoria intitulado Os Quebradores de Máquinas, inspirado no movimento ludista surgido durante a Revolução Industrial e utilizado por ele como metáfora para refletir sobre os desafios contemporâneos diante da inteligência artificial e da transformação tecnológica.
Simbolicamente
quebremos os espelhos de silício
rasguemos os véus da névoa programada
Na vida real
ainda temos a rua
o gesto
a voz que não se dobra
ao comando sem rosto das assombrações digitais
Segundo Turino, o momento atual exige reconstrução de formas coletivas de organização capazes de responder às mudanças em curso sem abrir mão da dimensão humana, cultural e política da vida social.
Responsável pelo encerramento da oficina, Carlos Tibúrcio retomou o papel do Ciclo do Barão e defendeu que os conteúdos produzidos ao longo dos encontros sejam multiplicados para além do grupo participante. “Estou absolutamente convencido de que o que nós compartilhamos nessas seis oficinas merece ser conhecido e compartilhado por nossos companheiros sindicalistas do Brasil inteiro”, afirmou.
O jornalista pediu que os participantes levem os debates para seus sindicatos, ampliem a circulação das reflexões produzidas ao longo do ciclo e fortaleçam redes permanentes de troca e organização política. “Peço a cada um de vocês que bote o seu rosto, o seu entusiasmo e a sua fala para difundir isso”, afirmou.
Tibúrcio também retomou uma frase do dramaturgo Bertolt Brecht para sintetizar sua visão sobre comunicação e disputa política. “A verdade não prevalece por ser verdade. É preciso lutar muito para que ela prevaleça”, afirmou.
Ao concluir sua participação, relacionou diretamente fortalecimento da comunicação política, organização coletiva e enfrentamento ao avanço da extrema direita. “Tenho certeza que isso influenciará positivamente os resultados das eleições deste ano. E isso é fundamental na luta contra o neofascismo e na defesa dos nossos valores e direitos”, concluiu.
Programação do Ciclo
05/05 3af 19h: OFICINA 1
O movimento sindical e a disputa eleitoral de 2026
Situar o papel do movimento sindical no atual cenário político e eleitoral, destacando sua responsabilidade na defesa da democracia e dos direitos sociais; como a pauta dos trabalhadores estará presente na disputa.
Condução temática: Altamiro Borges
07/05 5ª f 19h: OFICINA 2
Desinformação: como identificar e como agir
O que é desinformação e por que ela funciona; padrões recorrentes de ataque ao sindicalismo; quando e como responder.
Condução temática: Ergon Cugler
12/05 3af 19h: OFICINA 3
Inteligência artificial: como usar e como não ser enganado
Apresentar ferramentas e utilizações possíveis da inteligência artificial na comunicação sindical e capacitar para a identificação de seu uso indevido.
Condução temática: Vanessa Martina-Silva
14/05 5af 19h: OFICINA 4
O eterno desafio: como atuar nas redes
Qualificar a atuação sindical nas redes sociais: como ter relevância apesar do viés antissindical dos algoritmos.
Condução temática: Larissa Gould
19/05 3af 19h: OFICINA 5
Comunidades digitais com propósito
Como construir e fortalecer vínculos com a base utilizando ferramentas digitais.
Condução temática: Camila Modanez
21/05 5af 19h: OFICINA 6
O papel da Cultura – em especial do audiovisual – na disputa de ideias e valores
Filmes, documentários, podcasts, cursos, plataformas de streaming: conteúdos para a disputa de ideias e valores – como usar linguagem audiovisual para fortalecer vínculos.
Condução temática: Carlos Tibúrcio, com Joanne Mota e Célio Turino

