A direita brasileira no divã de terapia familiar

Jair Bolsonaro ainda está tentando descobrir onde fica o interruptor da cela em que cumpre a pena por tentativa de golpe… e já precisa lidar com outra tragédia: a guerra civil da própria família.
Michelle subiu em Fortaleza, abriu o coração (e a artilharia) e disse que o PL do Ceará “se precipitou” ao fazer aliança com Ciro Gomes. Tradução simultânea: “Se tocarem no nome do meu marido sem me consultar, eu surto em rede nacional.”
Os filhos não perderam um minuto. Flávio correu para o X e declarou que Michelle “atropelou Bolsonaro”.
Carlos reforçou: é preciso “respeitar a liderança do pai” – como se liderança fosse uma cadeira musical na prisão.
Eduardo, sempre gravitando entre Miami e o multiverso, disse que a fala de Michelle foi “injusta e desrespeitosa”.
Jair Renan, claro, deu retweet. Afinal, nunca é tarde para provar à madrasta que a união faz a forca – especialmente a forca psicológica.
E o melhor? Tudo isso porque Michelle ousou brincar, dias antes, dizendo que preparou milho cozido para o marido, seu “galo”, e que Bolsonaro precisava provar que seguia “imbrochável”. A família não gostou. O Brasil gostou. Os memes agradeceram.
Mas a treta não ficou só na ala doméstica. O Centrão, sempre pragmático, já está irritado com o protagonismo repentino da ex-primeira-dama.
Dizem que Michelle está querendo montar palanque estadual como quem monta mesa de jantar.
E pior: ela tem força real dentro do PL Mulher – força suficiente para incomodar quem faz política com planilha de cargos e mapa de emendas.
A verdade é cristalina como a tornozeleira eletrônica de um investigado VIP: a direita brasileira perdeu completamente o senso de hierarquia.
Os filhos querem enquadrar Michelle. Michelle quer enquadrar o PL. O PL quer enquadrar Ciro. E Bolsonaro… bom… Bolsonaro só queria um prato de milho cozido e um apelido carinhoso que não virasse manchete.
Enquanto isso, o Brasil observa, estupefato, a família mais influente do país se comportando como elenco de realities de segunda linha.
Só que, ao contrário dos realities, aqui as tretas têm impacto eleitoral – e às vezes até penal.
Se 2026 dependesse apenas de palanque, alianças e estratégia, o jogo seria outro.
Mas com essa mistura de celas, ciúmes, madrasta, filhos armados de wi-fi e Centrão impaciente… meu caro, a direita brasileira está a um passo de virar sitcom.
(+) Imagem em destaque: Charge de Nando Mottta
(++) Publicado originalmente em Construir Resistência
Jornalista
