A morte do teórico da reforma agrária

O professor doutor pela USP se tornou referência nacional na crítica à concentração de terras e deixou um legado acadêmico e militante
O Brasil perdeu no sábado (02/08), aos 78 anos, o geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, referência incontestável da Geografia Crítica brasileira. Ariovaldo construiu uma trajetória intelectual profundamente comprometida com a luta pela reforma agrária, denunciando com rigor e coragem a concentração fundiária no Brasil. Seu legado se inscreve não apenas na produção acadêmica, mas nas lutas sociais que embasou e inspirou.
Graduado, doutor, livre-docente e professor titular pela Universidade de São Paulo (USP), onde atuava como professor sênior, foi orientador de diversas gerações de pesquisadores e pesquisadoras em Geografia Humana, dedicando-se à Geografia Agrária com rara profundidade analítica.
Publicou obras fundamentais como Agricultura Camponesa no Brasil, Geografia das Lutas no Campo, Modo Capitalista de Produção, Agricultura e Reforma Agrária, entre muitos outros títulos que são referência para os estudos críticos sobre o campo brasileiro.
Pesquisador nível 1A do CNPq, foi também Pesquisador Visitante Nacional Sênior pela CAPES, sempre mantendo firme seu compromisso com a ciência como instrumento de transformação social.
MST se despede do professor
Geógrafo, Ariovaldo foi um dos maiores teóricos brasileiros sobre a questão agrária. Dedicado pesquisador, contribuiu na compreensão do latifúndio como uma mazela estrutural em nosso país. Além disso, defendeu incansavelmente a reforma agrária e a luta dos camponeses.
Ao longo de sua história, Ariovaldo contribuiu para a formação de centenas de geógrafas/os comprometidas/os com a luta pela terra.
Entre estas/es alunas/os, muitas/os militantes Sem Terra. Por isso, sua produção teórica e seu compromisso com a transformação social seguirá presente em nossas lutas.
O MST agradece às contribuições e ao apoio do professor Ariovaldo. Seu legado permanecerá vivo e suas contribuições seguirão na eternidade.
Ariovaldo, presente!
Nota do editor Simão Zygband – tive a honra e o privilégio de ser aluno do brilhante professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira no Ginásio Israelita Brasileiro Scholem Aleichem e Colégio Equipe, em São Paulo. A ele devo parte da minha consciência crítica e política.
