Em clima de Oscar, Fatoflix exibe filmes sobre a ditadura militar

Em clima de Oscar, Fatoflix exibe filmes sobre a ditadura militar

Confira em nosso catálogo 14 produções nacionais a serviço da memória histórica e do futuro da democracia brasileira. (Imagem: cena de Militares da Democracia: Os militares que disseram não)

POR TATIANA CARLOTTI

Em meio às comemorações das quatro indicações de “O Agente Secreto”, mais um grande filme do cineasta Kleber Mendonça Filho, ao Oscar 2026, a Fatoflix indica nesta semana 14 títulos nacionais que somam a este imenso catálogo de produções nacionais a serviço da memória histórica e, sobretudo, do futuro da nossa democracia.

São filmes que abordam e contam às novas gerações sobre os horrores da ditadura militar no Brasil, compondo este acervo construído ao longo dos anos, em defesa da democracia, da liberdade e dos direitos humanos. Filmes fundamentais neste ano eleitoral, em que teremos, mais uma vez, de enfrentar nas urnas as forças do retrocesso e do autoritarismo golpista.

Filmes que trazem a trajetória dos que empunharam armas na resistência contra a opressão, como o documentário Lauri (2023), dirigido por Beto Novaes, que conta a história de Lauriberto José Reyes, militante da ALN e do MOLIPO, assassinado pela ditadura em 1972. Ou o longa Repare Bem (2013), dirigido por Maria de Medeiros, que traz a história de Denise Crispim, que lutou contra a ditadura militar, e de sua filha Eduarda, ambas marcadas pelo assassinato brutal de Eduardo Leite, o Bacuri.

Em Marighella: retrato falado do guerrilheiro (2001), do saudoso Silvio Tendler, a vida de Carlos Marighella, figura central da luta armada contra a ditadura, é abordada em suas múltiplas dimensões, de poeta, político e revolucionário. Já o documentário Osvaldão (2014), dirigido por Ana Petta, André Michiles, Fabio Bardella e Vandré Fernandes, traz a trajetória de Osvaldo Orlando da Costa, símbolo da Guerrilha do Araguaia, reconstruída a partir de depoimentos e imagens raras.

Em Rubens Paiva, desaparecido desde 1971 (2011), Sylvio do Amaral Rocha conta o desaparecimento do deputado federal, reafirmando a centralidade do direito à verdade e à memória diante da ausência de respostas oficiais sobre o destino de centenas de desaparecidos políticos.

Em Vlado: 30 anos depois (2005), João Batista de Andrade revisita a trajetória do jornalista Vladimir Herzog, assassinado no DOI-Codi em 1975. A partir de relatos de amigos, familiares e colegas, o filme desmonta a versão oficial do suicídio e reafirma o assassinato como um marco da repressão e da resistência civil durante o regime. Já 15 Filhos (1996), de Marta Nehring e Maria Oliveira, reúne depoimentos de filhos de presos, mortos e desaparecidos políticos, trazendo o impacto cotidiano e psicológico da violência de Estado sobre crianças e famílias inteiras.

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Um serviço à memória e ao futuro

A mostra também traz documentários que abordam temas específicos, como Vala Comum (1994), de João Godoy, sobre a descoberta da vala clandestina no Cemitério de Perus, em São Paulo, trazendo à superfície uma memória que o Estado tentou enterrar. Ou Cidadão Boilesen (2009), de Chaim Litewski, que escancara a relação entre grandes empresários e a máquina repressiva da ditadura, expondo o papel do capital privado no financiamento e sustentação do terror de Estado.

Em Verdade 12.528 (2013), Paula Sachetta discute os limites e os avanços da Comissão Nacional da Verdade, questionando os entraves impostos pela Lei da Anistia e reforça a necessidade permanente de memória, verdade e justiça para os crimes cometidos pela ditadura militar.

A mostra conta, ainda, com quatro filmes fundamentais de Silvio Tendler, que tanto contribuiu com o conhecimento da verdade histórica sobre este período: Ibiúna: primavera brasileira (2019) é sobre o congresso clandestino da UNE realizado em 1968, quando centenas de estudantes foram presos no interior de São Paulo. Militares da Democracia: Os militares que disseram não (2014) recupera a história de oficiais das Forças Armadas que resistiram ao golpe de 1964. Os Advogados contra a Ditadura: por uma questão de justiça (2014) mostra o papel dos advogados na defesa dos direitos civis entre 1964 e 1985. E, claro, Jango (1984), em que Tendler nos conta a trajetória do presidente João Goulart, desde sua ascensão política até o golpe que o depôs em 1964.

Por fim, e não menos importante, indicamos o curta Um Café e Quatro Segundos (2018), de Cristiano Requião, que adota a ficção para abordar a memória da tortura, criando uma conversa entre dois ex-torturadores, interpretados pelo genial Osmar Prado e Samir Murad.

Tudo isso e mais um pouco, vocês podem conferir na Fatoflix.
O acesso é 100% gratuito, basta clicar.

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