Dica de filmes para refletir sobre a vida e luta das mulheres contra o feminicídio

Dica de filmes para refletir sobre a vida e luta das mulheres contra o feminicídio

No mês das mulheres, Fatoflix promove filmes e documentários que dialogam com o Pacto dos três poderes e o Seminário nacional contra o feminicídio. Assista, debata, divulgue. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

POR JOANNE MOTA

Na semana do 8 de Março (#8M), quando a luta das mulheres ecoa nas ruas do Brasil e do mundo, a Fatoflix reúne uma lista especial de filmes para dialogar, apoiar e reforçar a data e também importante Seminário nacional que ocorrerá em Brasília no dia 4 de março, com o tema“Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, uma iniciativa do CDESS – “Conselhão da Presidência da República em decorrência do ”Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio.

Mais do que uma curadoria temática, este especial é um gesto político e cultural autônomo da Fatoflix junto ao seu público e à sociedade. Porque, como sabemos, a arte não é neutra. A arte é denúncia. É memória. É ferramenta de transformação. É arma poderosa contra as violências estruturais que atingem meninas e mulheres todos os dias em nosso país e mundo afora.

Se o Seminário propõe debate, estratégia e ação institucional, a Fatoflix propõe sensibilidade, reflexão e mobilização por meio do cinema. Confira cinco filmes, cinco olhares, cinco formas de enfrentar o silenciamento histórico.

1. Dishonored Lady (Mulher Caluniada) (1947) – Robert Stevenson – um clássico.

Estrelado por Hedy Lamarr, o filme mergulha na história de uma mulher julgada por sua vida amorosa e perseguida por acusações que misturam moralismo e misoginia.

A sociedade que vigia, acusa e condena mulheres por sua liberdade é a mesma que, ainda hoje, questiona vítimas, relativiza agressores e sustenta estruturas violentas.

Entre o noir clássico e a realidade contemporânea, a mensagem ecoa: o controle moral também é uma forma de violência.

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2. Trançatlânticas (Brasil, 2025, 15’) – Isabela Leite

Um documentário vibrante que entrelaça estética, ancestralidade e autonomia econômica. Em meio a cores, poesia e resistência, cinco mulheres da periferia transformam o ato de trançar cabelos em gesto político, identidade e sustento.

Aqui, o autocuidado vira emancipação. A estética vira afirmação de existência. E a coletividade vira estratégia de sobrevivência.
Num país onde mulheres negras são as maiores vítimas das múltiplas violências, Trançatlânticas nos lembra: resistência também se constrói com beleza, afeto e organização.

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3. Domésticas (Brasil, 2016, 15’) – Felipe Diniz

Três histórias que representam milhões. O cotidiano invisibilizado de mais de 8 milhões de trabalhadoras domésticas no Brasil ganha rosto, voz e indignação.

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Enquanto o Seminário discute enfrentamento ao feminicídio, este filme amplia a lente: violência também é exploração histórica, desigualdade salarial, racismo estrutural e desvalorização do trabalho feminino.
Sem direitos, sem proteção, sem reconhecimento — a violência começa muito antes da agressão física.

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4. Putta (Brasil, 2016, 28’) – Lílian de Alcântara

Na tríplice fronteira, três mulheres — entre elas uma mulher trans — narram suas trajetórias no universo da prostituição. O filme rompe moralismos e ilumina zonas onde o Estado costuma se ausentar.

Violência, exclusão familiar, preconceito, estigma.
Mas também coragem, reinvenção e agência.

Ao falar de feminicídio, é preciso falar das mulheres mais vulnerabilizadas: mulheres trans, trabalhadoras do sexo, periféricas. Putta escancara o que muitas vezes preferem não ver.

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5. Woman on the Run (Mulher em Fuga) (1950) – Norman Foster

Um clássico do film noir no qual uma mulher percorre a cidade em busca do marido desaparecido. Mas, por trás da trama policial, está a figura feminina que se move, investiga e desafia a lógica do medo.

Em plena década de 1950, a protagonista ocupa o espaço urbano, rompe expectativas e enfrenta a tensão do perigo. É também sobre isso que falamos no 8M: mulheres que não aceitam o confinamento, que circulam, que buscam respostas.

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Por que essa mini-mostra especial importa?

Porque o enfrentamento ao feminicídio não é apenas jurídico — é cultural.
É preciso transformar mentalidades, narrativas e imaginários. Romper com a banalização e defender quem hoje sofre todos os dias

O Seminário propõe estratégias entre os Três Poderes e a sociedade. Debater também é construir futuro.

Fatoflix propõe cultura e reflexão cada vez mais amplas junto aos setores populares – e, por isso, é gratuita.

Reforçar iniciativas que defendem a vida das meninas e mulheres é compromisso de todos.

Nesta semana, neste mês de março, em especial, numa atitude permamente, a dica da Fatoflix é clara:
ver, refletir e agir — pela vida das meninas e mulheres.

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