Quem já fez o mesmo que a polícia de Jorginho fez contra a UP e militantes sociais?

Quem já fez o mesmo que a polícia de Jorginho fez contra a UP e militantes sociais?

Entre a agressão sofrida pela Unidade Popular pelo Socialismo e pelos movimentos sociais nesta etapa de agudização do fascismo em Santa Catarina, há um fio condutor que tem a marca do pensamento antidemocrático e fascista (Foto: Reprodução).

POR RAUL FITIPALDI
Publicado originalmente no Desacato.info

Os fatos acontecidos em Florianópolis no dia 27 de novembro de 2025 se assemelham às ações mais abjetas do nazifascismo do século XX e aos atos golpistas contra o governo democrático da Ucrânia em 2014. A perseguição política, a invasão de sedes de partidos democráticos, a invasão, intimidação e sequestro de pertences de militantes sociais, foi um método corriqueiro do nazismo e do fascismo em cada uma das suas cruzadas autoritárias contra a classe trabalhadora, os imigrantes, os diferentes e os partidos opositores.

A seguir, vamos lembrar fatos dessa natureza autoritária, anticonstitucional, antidemocrática e violenta, acontecidos através da última centúria da humanidade.

Hitler

Adolf Hitler e seu partido reprimiram, perseguiram e acabaram com as sedes e a organização de outros partidos políticos na Alemanha nazista. Nessa onda de violência antidemocrática e assassina, dissolveram as agremiações opositoras e construíram a ditadura de um único partido, no fato conhecido como Gleichschaltung, a nazificação da Alemanha.

  • Hitler articulou a perseguição ao Partido Comunista (KPD) usando-se de mentiras e culpando-o pelo incêndio do parlamento alemão. Após acusar o KPD do trágico acidente, criou um decreto de emergência para prender militantes sociais e do Partido Comunista, fechar suas sedes e censurar suas revistas e jornais.Não conforme com isso, Adolf Hitler pressionou o Partido Social-Democrata e até os partidos de centro e direita. A intimidação e a violência perpetrada pelas tropas de choque nazistas e pela polícia (a convencional e a política) forçaram a dissolução de outros partidos por temor de seus dirigentes serem presos e/ou assassinados.

Mussolini

Benito Mussolini, na Itália, não deixou por menos que o genocida e pintor frustrado. Mussolini articulou e deu a ordem para invadir e destruir as sedes de partidos políticos, sindicatos, veículos de comunicação opositores, isso tudo para chegar ao poder. Os executores dessas “façanhas” fascistas foram os famosos “camisas pretas”, os squadristi do Il Duce.

O propósito, como no caso do genocida austríaco, foi assediar, acossar e intimidar a oposição, em particular a socialistas e comunistas. Para tanto, ordenou atacar as sedes do Partido Socialista e do Partido Comunista. Os camisas pretas invadiram, saquearam e incendiaram as casas destas organizações.

Veja Também:  Como pequenas centrais hidrelétricas impactam povos originários?

Mas não só. Também atacaram cooperativas, sindicatos e organizações operárias e estudantis. Jornais como o histórico Avanti tiveram as instalações destruídas e foram impedidos de circular. Isso tudo foi orquestrado com a tolerância das polícias da época, a maioria das vezes coniventes e aliadas do poder fascista.

Mais próximo dos nossos dias se situa o massacre à sede dos sindicatos de Odessa, no golpe de Estado organizado pelos Estados Unidos e a OTAN contra o governo democrático da Ucrânia, em um dos episódios mais sinistros das “revoluções coloridas” patrocinadas pelo Ocidente Coletivo.

No dia 2 de maio, portanto, um dia depois da data mundial da Classe Trabalhadora, opositores ao governo de Viktor Yanukovych, simpático a Rússia, aconteceu o confronto entre militantes defensores do governo e manifestantes pró-ocidentais. Na escalada da violência, os manifestantes impulsionados pelos Estados Unidos e a OTAN, incendiaram a Casa dos Sindicatos, matando 42 dirigentes, trabalhadores e trabalhadoras sindicais, que lá se refugiaram para se proteger da violência promovida pelos interesses atlantistas.

Um governo de caráter servil aos interesses norte-americanos assumiu o comando do país que, a partir desse momento, foi dominado pelas hordas nazistas que ficaram com o controle das forças armadas e impetraram os maiores abusos possíveis contra cidadãos de origem russa, em regiões como Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporizhzhia, e que hoje, são pontos centrais do conflito russo-ucraniano.

Podemos, sem dúvida, achar pontos de contato histórico entre a agressão sofrida pela Unidade Popular pelo Socialismo e pelos movimentos sociais nesta etapa de agudização do fascismo em Santa Catarina. Há um fio condutor que tem a marca do pensamento antidemocrático e fascista que levou a humanidade e aos setores mais vulneráveis às piores tragédias já vistas. O foco da agressão continua sendo as tentativas de justiça social, igualdade de possibilidades e direitos, o combate às discriminações e ao patriarcado oligárquico e machista.

A história avisa: é prudente prestar atenção nela para que fatos como os referenciados não se repitam e Santa Catarina deixe de ser o alvo de críticas legítimas em todo o Brasil e no exterior. A democracia, mesmo que ainda precária, deve ser defendida com inteligência, perseverança, mas também, com clareza e contundência. É tarefa diária e civilizatória.

Tagged: ,