Santa Catarina vira barriga de aluguel de candidatos da direita radical

Santa Catarina vira barriga de aluguel de candidatos da direita radical

Por Dimas Roque

Santa Catarina, Estado tradicionalmente conservador, tornou-se palco de uma movimentação política que chama a atenção em todo o país. Nos últimos meses, o estado passou a receber uma enxurrada de candidatos da direita radical que transferiram seus domicílios eleitorais para disputar cargos locais. A estratégia é clara, aproveitar o ambiente favorável ao discurso extremista e transformar o território em vitrine nacional para projetos políticos que não encontraram espaço em outras regiões.
Entre os nomes que migraram para Santa Catarina está Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua mudança de domicílio eleitoral foi vista como uma tentativa de capitalizar o apoio da base bolsonarista no estado, mas também como um sinal de fragilidade política em sua cidade natal. A decisão gerou críticas até mesmo dentro da própria direita, que vê na manobra um oportunismo descarado e uma tentativa de se esconder atrás da força eleitoral catarinense.

Além de Carlos, outros políticos ligados ao bolsonarismo e a correntes radicais da direita também buscaram abrigo em Santa Catarina. O fenômeno tem sido descrito por analistas como uma “barriga de aluguel” eleitoral, em que o estado serve de incubadora para candidaturas que não nasceram ali, mas que se aproveitam da receptividade local para tentar garantir mandatos. Essa prática, embora legal, levanta questionamentos sobre representatividade e sobre o uso estratégico de territórios para fins meramente eleitorais.

O resultado é um cenário político em que Santa Catarina corre o risco de se tornar mais um instrumento da radicalização nacional. Ao atrair figuras que buscam apenas votos e visibilidade, o estado se vê transformado em palco de disputas que pouco dialogam com suas demandas reais. A crítica é dura, e em vez de fortalecer a democracia, a prática reforça a ideia de que a política virou um jogo de conveniência, em que candidatos buscam apenas o terreno mais fértil para plantar suas ambições pessoais.

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