Ação, resistência e acolhimento marcam Seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres

Quarta mesa do “Seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, ocorrido no último dia 4 de março, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), em parceria com o Ministério das Mulheres.
POR TATIANA CARLOTTI
Ação, resistência e acolhimento marcaram a última mesa do “Seminário Brasil pela Vida das Meninas e Mulheres”, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), o “Conselhão” da Presidência da República, em parceria com o Ministério das Mulheres, ocorrido no último dia 4, no Palácio do Planalto, em Brasília.
A mesa coordenada por Viviane Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, contou com a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva; de Nilsa Valéria Nascimento, coordenadora da Frente Evangélica pelo Estado de Direito; de Bel Coelho, ativista e cozinheira; de Marlova Noleto, representante do Brasil na UNESCO e de Gallianne Palayret da ONU Mulheres.
“Falar com as mulheres, conversar com as mulheres, é uma parte da conversa. Conversar com os homens e com os meninos é fazer a conversa inteira”, destacou Viviane Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, que conduziu o debate.
Meninas no Brasil
Em sua fala, Viviane Santiago destacou que a violência atravessa a vida das mulheres antes delas se perceberem mulheres, “naquela idade em que a gente ainda nem sabia nomear o que estava acontecendo”. Ela trabalha diretamente com meninas e relatou vários casos de estratégias usadas por elas para evitar o assédio nas ruas e no caminho da escola.
Viviane também criticou a forma como a sociedade coloca a responsabilidade do assédio nas próprias meninas, citando a questão do uso de shorts nas escolas. “As meninas podem, sim, ir de short para a escola porque o problema não são as meninas, mas o comportamento dos meninos” e, sobretudo, a forma como a questão é tratada.
“Quando dizemos que uma menina não pode ir de short para a escola porque os meninos vão mexer com ela, estamos naturalizando a ideia de que meninos são assediadores por natureza, monstros”, afirmou, ao lembrar que os meninos estão em condição de desenvolvimento e que deveriam ser educados para não aceitar esse comportamento.
Outro ponto levantado pela diretora da Oxfam Brasil foi o fato de o Brasil ser o quinto país do mundo em número de casamentos infantis. O IBGE revela que a maioria das meninas que se casam na faixa dos 15 anos o faz com homens adultos, “em média sete anos mais velhos”, havendo casos extremos de meninas casadas com homens de 63 anos.
Desde 2018, lembrou ela, a legislação brasileira proíbe o casamento de menores de 16 anos, mas a prática ainda ocorre. “Essas meninas frequentemente passam a viver situações de cárcere privado, de violência geracional, uma violência que começa com elas e atravessa a vida de filhos e filhas”, afirmou.
Essa situação, destacou, é normalizada por frases como “mas é por amor que ela está naquele casamento”, “pelo menos ela está casada, não está dando para um e para outro na rua”, “pelo menos ela está casada e não está passando fome”, “pelo menos está casada e esse filho não vai nascer sem pai’”.
E questionou: “quem foi que disse que é pelo ‘pelo menos’ que a gente deve medir a vida das meninas e das mulheres? A vida delas deve ser medida pelo mais. Pelo mais que elas podem viver, pelo mais que elas merecem ser”.
Ela também apontou que a internet não é um lugar seguro para as meninas, destacando que uma em cada três meninas e uma em cada três mulheres já sofreram violência online. “As soluções que passam por nos retirar desses lugares não podem ser consideradas possíveis, porque temos o direito de estar nesse lugar”.
Por fim, Viviane Santiago destacou a importância da solidariedade e da organização coletiva entre mulheres no enfrentamento à violência, lembrando os versos entoados nas ruas: ‘companheira, me ajude, eu não quero andar só; eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor’. Então, vamos juntas”, afirmou.
O poder da escuta
A cozinheira, pesquisadora de culturas alimentares e ativista socioambiental Bel Coelho relatou a própria experiência de violência ao defender o fortalecimento de políticas públicas e da educação para enfrentar a cultura de misoginia no Brasil.
Quando tinha 21 anos, ela sofreu uma tentativa de feminicídio. “Fui asfixiada diversas vezes ao longo de uma noite inteira por um ex-namorado. Poucas coisas são tão humilhantes quanto se ajoelhar e implorar para que não te matem”, relatou.
O episódio ocorreu em 2001, quando ainda não existia a Lei Maria da Penha e, apesar do apoio de duas mulheres que a incentivaram a denunciar, a reação da maioria das pessoas foi questionar o que ela tinha feito para “merecer aquilo”, sugerindo que ela se calasse. Ela, no entanto, decidiu denunciar, mas seu agressor não recebeu a devida punição.
A ativista passou, então, a compartilhar nas redes sociais experiências pessoais de violência para incentivar outras mulheres a denunciarem agressões. Ela lançou no Instagram o quadro “A quantas violências sobrevive uma mulher”, relatando diversos episódios de violência que viveu ao longo da vida, dos mais graves aos socialmente naturalizados.
Além da denúncia e do incentivo que faz para que outras mulheres denunciem, o projeto também visa sensibilizar e implicar os homens nessa causa. Ela explica que “a maioria dos agressores não é formada por monstros ou psicopatas. São homens comuns, que um dia foram meninos educados e moldados para servir a uma cultura e a uma estrutura misógina que relega as mulheres a um subgrupo”.
Essa lógica, acrescentou, atinge toda a sociedade. “De certa forma, todas e todos nós somos vítimas desse sistema tão perverso”, disse.
Ao compartilhar sua história, Bel Coelho afirmou ter percebido “a profunda solidão, a confusão e o medo que muitas mulheres vivem quando sofrem algum tipo de violência”. Em sua avaliação, “isso revela o profundo despreparo da nossa sociedade e, muitas vezes, também das instituições públicas para enfrentar essa realidade”.
“O que consigo oferecer a essas mulheres é uma escuta ativa e a minha própria história como estímulo para que denunciem”, afirmou, ao destacar o poder que a fala e o compartilhamento das experiências têm na prevenção e na cura das violências sofridas.
Mãe de dois meninos, Coelho defendeu a educação e a formação das crianças como um dos pilares fundamentais para combater essa cultura. Também salientou a influência que as redes sociais exercem na reprodução dos padrões de violência e misoginia.
Em relação ao Pacto, que avaliou como “histórico”, ela destacou a importância de que as iniciativas institucionais sejam acompanhadas de orçamento, políticas públicas e compromisso com sua continuidade.
Coelho encerrou sua fala ressaltando o peso político das mulheres na sociedade brasileira, frisando que o presidente Lula tem ampla vantagem eleitoral entre as mulheres: “nós somos decisivas no combate à direita e aos seus valores estruturantes de opressão e violência”.
Regulamentação da internet
A primeira-dama Janja da Silva destacou o impacto das redes sociais dentro da cultura machista estrutural. “Nossos meninos são criados dentro dessa lógica”, afirmou ao criticar o argumento que culpabiliza as mulheres na reprodução desse machismo, com frases do tipo “mas são vocês que criam”.
Janja frisou o impacto das redes sociais nesse processo, lembrando que o discurso de ódio “foi claramente fomentado pela ascensão da extrema direita” e que “atualmente, circulam nas redes cerca de 140 ou 150 canais que divulgam discurso de ódio contra as mulheres, discurso de opressão e de submissão. Temos adolescentes e crianças com acesso a conteúdos que ensinam a nos humilhar, a abusar, a assediar, a nos matar”, acrescentou.
A primeira-dama defendeu neste sentido a regulamentação das redes sociais. “É preciso tocar na ferida”, salientou. “Quando nós vemos um menino de 16 anos, visto durante o dia como bom menino, bom aluno, bom filho, se trancar no quarto à noite e entrar no Discord e liderar um grupo para torturar animais e torturar meninas adolescentes, há alguma coisa profundamente errada acontecendo”, exemplificou.
“O pai e a mãe passam o dia inteiro orientando esse menino, transmitindo princípios, tentando educá-lo” mas, em algum momento, ele teve contato com esse discurso de ódio. “Em algum momento, ele clicou em um desses canais e ouviu outros homens dizendo que ele podia mandar uma menina se cortar, que podia obrigá-la a se despir pela internet, ou que podia participar de um estupro coletivo”.
“A sociedade precisa exigir do Congresso Nacional a regulamentação das redes sociais. Sem isso, vamos continuar patinando”, defendeu. Ela também mencionou o processo enfrentado pelo dono da META, Mark Zuckerberg, movido por uma família britânica devido aos danos que a rede social provocou na saúde mental da filha desse casal. “É essa responsabilização que precisamos discutir”, acrescentou.
Jana frisou que “quanto mais virulento é o discurso de ódio, mais gente assiste, mais engajamento ele gera e mais dinheiro ganham os donos dessas plataformas”. Em relação ao poder econômico dessas plataformas, a primeira-dama foi categórica: “até quando a sociedade vai conseguir sobreviver sem ruir, enquanto permite que cada vez mais o poder fique concentrado nas mãos de meia dúzia de homens ricos?”
Prevenção começa com educação
Na sequência, a representante da UNESCO no Brasil, Marlova Noleto ressaltou que ao assumir o enfrentamento ao feminicídio como prioridade nacional e agenda de Estado, o Brasil envia a mensagem fundamental de que “a vida das meninas e das mulheres é inegociável”. Ela salientou que a iniciativa “fortalece a democracia e reafirma que os direitos humanos precisam estar no centro das políticas públicas”.
Para a UNESCO, desde 2007, a igualdade de gênero é uma prioridade global e também a violência baseada em raça, destacando que as desigualdades de gênero e raça frequentemente se cruzam.
Noleto também salientou o avanço das “desigualdades digitais e das violências online, que crescem de maneira cada vez mais alarmante” e relatou que os relatórios globais da UNESCO têm alertado que estamos hoje “em um momento de retrocesso nos direitos de mulheres e meninas”, agravado pelos discursos de ódio e desinformação que se multiplicam nos espaços digitais.
A representante da Unesco apontou a necessidade de avanços na promoção da segurança digital e, também, na ampliação da presença de meninas e mulheres nas carreiras científicas. “Permitir que as mulheres avancem em áreas estratégicas é fundamental para o desenvolvimento, para o futuro e para a independência econômica”, afirmou.
A violência de gênero continua sendo a violação de direitos humanos mais disseminada no mundo. Para a entidade, a estratégia de prevenção começa pela educação. “A discussão sobre prevenção e igualdade de gênero nas escolas é fundamental para desconstruir normas patriarcais, estereótipos e desigualdades que começam, sim, desde a infância”, afirmou.
“Menino chora, sim. Menino não pode achar que tem o direito de abusar, de desqualificar, de diminuir, de comentar a roupa da menina, de assediar”, afirmou, ao ressaltar a necessidade de políticas educacionais e culturais “que transformem mentalidades e comportamentos e promovam uma cultura de igualdade e respeito”.
Segundo ela, a prevenção do feminicídio exige um compromisso ativo dos homens com a mudança cultural e a desconstrução do modelo patriarcal que sustenta essa violência. “As experiências internacionais conduzidas pela UNESCO em outros países mostram que promover masculinidades positivas contribui para reduzir a violência, ampliar a equidade e transformar padrões de comportamento”, afirmou.
“É fundamental que os homens entendam, de fato, que as mulheres são donas do seu próprio destino e senhoras das suas vontades”, afirmou, ao dizer que isso deve ser o “nosso mantra”. “Não podemos mais conviver com a ideia de que mulheres são propriedade, nem com a desvalorização do ‘não’ feminino, que tantas vezes culmina em atos de violência”.
Movimento global contra as mulheres
Na sequência, a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, apontou que avanços históricos dos direitos femininos podem estar em risco. “Hoje, nós estamos mais perto do que nunca de avançar, mas também mais perto de perder tudo aquilo que já foi conquistado”, afirmou.
Ela destacou o crescimento de movimentos contrários à igualdade de gênero em diferentes partes do mundo. Trata-se de “uma tentativa deliberada, organizada e financiada de reverter compromissos e direitos já estabelecidos”. Segundo Palayret, esse movimento opera criando pânico moral, deslegitimando a igualdade como se ela fosse uma ameaça e enfraquecendo instituições, políticas e orçamentos que deveriam proteger mulheres e meninas.
E alertou: “quando os mecanismos de proteção são esvaziados, as leis continuam existindo, mas passam a ser apenas letra morta”.
Segundo a representante da ONU Mulheres, a luta pela igualdade de gênero enfrenta dois desafios simultâneos: o fato de a igualdade ainda ser tratada como um tema que importa apenas às mulheres; e de que nem todas as mulheres estejam alinhadas com esses princípios.
“É imperativo trazer os homens e os meninos para essa luta. Eles também precisam se engajar, também precisam compreender que se beneficiam do empoderamento das mulheres e têm um papel incontornável no fim da violência”, afirmou.
Justiça e combate ao feminicídio
A representante também destacou que a Justiça “é a ponte entre os direitos no papel e os direitos na vida real” e que um sistema “que falha com a metade da população não pode afirmar que sustenta a justiça”.
Em 2023, na América Latina e no Caribe, quase 4 mil mulheres foram oficialmente vítimas de feminicídio, o que representa 11 mortes por dia. No Brasil, quatro mulheres são assassinadas por dia.
Combater essa situação, apontou Palayret, exige ações articuladas em três níveis de prevenção. O primeiro é impedir que a violência nasça e se normalize, enfrentando normas sociais que toleram controle, humilhação e misoginia.
O segundo é a prevenção secundária, voltada à intervenção precoce que depende de serviços acessíveis e capilarizados, de medidas protetivas que funcionem com rapidez e de uma rede integrada. “Nenhuma mulher ou menina deveria precisar bater em cinco portas diferentes e repetir sua história várias vezes para conseguir proteção”, afirmou, ressaltando que a proteção falha quando faltam recursos e coordenação institucional.
O terceiro nível é a responsabilização dos agressores. “Isso significa investigar e julgar com perspectiva de gênero, reduzir a impunidade, proteger vítimas e testemunhas e enfrentar também as novas formas de abuso que hoje atravessam a tecnologia”, disse.
Ela também destacou que “a vida de mulheres e meninas não pode depender de sorte, CEP ou renda”.
‘Estamos fazendo história’
Ao retomar a palavra, a primeira-dama Janja Lula da Silva destacou a importância da mobilização institucional e social contra a violência de gênero no país.
“Ver talvez os quatro homens mais importantes da República — meu marido, o presidente Lula, o presidente do STF, ministro Fachin, o presidente do Senado e o presidente da Câmara dos Deputados — assinando um pacto pelas nossas vidas foi histórico”, disse.
A primeira-dama destacou que o pacto busca integrar iniciativas que antes estavam dispersas entre os Poderes. “O pacto é essa grande arrumação da casa, essa reconexão das coisas que são mais importantes”.
Janja ressaltou que as mulheres negras são as que mais sofrem com o feminicídio e reforçou o espírito de solidariedade. “Quando a gente fala em não soltar a mão de ninguém, estamos falando de verdade: não vamos soltar a mão de ninguém”, frisou.
Ela também ressaltou que o pacto não terá efeito sem o envolvimento da sociedade civil e do setor privado. “O Executivo não funciona sozinho se não tiver o apoio da sociedade civil, das instituições e das empresas privadas”, afirmou.
Para a primeira-dama, uma das principais mudanças do pacto foi envolver diretamente os homens no debate, afinal “são os homens que nos matam e nos assediam, que abusam e nos humilham diariamente”. Ela relatou que o presidente Lula entendeu que isso era prioritário e trouxe essa responsabilidade para si. “Eu tenho muito orgulho dele”, disse.
Janja também citou situações cotidianas que ainda revelam o peso da cultura machista. “Eu já chamei atenção aqui, neste mesmo lugar, de um ministro que chamou uma outra ministra de ‘bonitona’. Eu disse: ‘Opa, calma aí, meu filho, ela tem nome’. Para ele, aquilo era normal, era elogio; mas não é”, afirmou.
Aos homens, Janja fez um apelo: “precisamos que vocês estejam do nosso lado”, reiterando Lula chamou a responsabilidade dos homens do seu governo e de outros poderes. “Esperamos que isso pelo menos sacuda um pouco a sociedade”.
Luta social e fé evangélica
Encerrando os debates, a coordenadora da Frente Evangélica pelo Estado de Direito, Nilsa Valeria Nascimento defendeu que o enfrentamento à violência contra mulheres precisa considerar as transformações religiosas em curso no país, especialmente, o crescimento da cultura evangélica e sua influência social.
“O Brasil passa por um trânsito religioso. A religiosidade brasileira está mudando. Ainda somos um país majoritariamente católico, mas a cultura evangélica, que cresce desde a década de 1980, já chegou à base da nossa sociedade”, afirmou.
Ela destacou que hoje um em cada quatro brasileiros se autodeclara evangélico, apontando para a existência de “uma cultura evangélica que já aparece na indústria cultural, na música, em núcleos de novelas, no cinema”.
Compreender essa transformação é fundamental para avançar no debate sobre direitos. “A religiosidade está em mutação e precisamos compreender como isso interfere na luta por direitos”, apontou.
Nilsa Valeria criticou a tendência de parte da sociedade de deslegitimar a experiência religiosa de fiéis evangélicos. “Muitas vezes cometemos o erro de invalidar a experiência de fé do outro, dizendo que aquela pessoa está naquele lugar porque não tem conhecimento ou porque foi manipulada”, declarou.
Ela também salientou que essa visão também reproduz o racismo. “A maior parte das pessoas que se declaram evangélicas no Brasil são pessoas negras. Quando fazemos esse tipo de julgamento, acabamos dizendo novamente à população negra que ela não pode ocupar aquele espaço”, disse.
Ela relatou que vem de uma família profundamente ligada à fé. “Sou de uma família negra que saiu para tentar a vida na cidade. Na minha família são sete pastores — temos mais pastores do que gente”, disse.
Ela destacou que “até os anos 2000, não havia pastoras no Brasil”, lembrando que a Igreja Católica também não reconhece o sacerdócio feminino. Em sua avaliação, o reconhecimento do pastorado feminino pelas igrejas evangélicas abre uma grande possibilidade para ampliarmos o debate.
Ela ressaltou ser um erro imaginar que os evangélicos compõem um bloco único e que são todos iguais. “Eu venho da tradição batista, enquanto outras pessoas vêm de tradições pentecostais”, exemplificou. Ela também mencionou que “pentecostalismo não é sinônimo de atraso, como muitas vezes se afirma”.
Ela lembrou que a fé evangélica está fortemente relacionada “à conquista de direitos civis pela população negra nos Estados Unidos”. Ela também citou o fato de que antes da Reforma Protestante a escola não era pública.
“Foi também uma fé que apoiou o movimento sufragista, porque as mulheres que tinham voz dentro das congregações passaram a reivindicar voz também na sociedade”, complementou.
“A fé evangélica precisa ser recuperada no seu sentido histórico e social”, defendeu. Neste sentido, o pacto de enfrentamento ao feminicídio abre espaço para mudanças. Ela ressaltou que essa reflexão vale não apenas para comunidades evangélicas, mas para outros grupos religiosos presentes no país que exercem influência direta na cultura.
Ela contou que em 2025, foram promovidos sete encontros de mulheres evangélicas. “Existe abertura dentro desse campo para diálogos honestos, quando eles acontecem sem preconceitos e sem ideias pré-concebidas sobre quem somos nós, os evangélicos brasileiros”.
Confira a íntegra do seminário:

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Cobre política e sociedade, confira aqui.
