AGU avalia representar o Estado brasileiro em ação contra Moraes nos EUA

AGU avalia representar o Estado brasileiro em ação contra Moraes nos EUA

A Advocacia-Geral da União informou nesta terça-feira (8) que acompanha de perto a ação apresentada pela Trump Media & Technology Group e pela plataforma Rumble contra o ministro Alexandre de Moraes na Justiça Federal do Distrito Médio da Flórida. Segundo a AGU, o acompanhamento foi solicitado pelo Supremo Tribunal Federal e já resultou na elaboração de minutas de defesa para que o Estado brasileiro possa intervir oficialmente, se necessário. O órgão ressalta, contudo, que a corte norte-americana ainda não confirmou a citação formal do magistrado – etapa que, se ocorrer, abrirá prazo oficial para manifestação.

As empresas ligadas ao presidente dos EUA, Donald Trump, acusam Moraes de violar a Primeira Emenda da Constituição norte-americana ao ordenar o bloqueio de perfis e a remoção de conteúdos em redes sociais, decisões tomadas no contexto de inquéritos sobre desinformação e ataques às instituições democráticas brasileiras. Uma nova intimação expedida na segunda-feira (7) concede 21 dias para resposta, sob pena de sentença à revelia; aliados do ministro afirmam que ele ainda não recebeu notificação formal. Caso a citação se confirme, o governo Lula deverá decidir se apresentará defesa em nome da República, o que pode envolver argumentos sobre soberania judicial, cooperação internacional e limites da jurisdição dos tribunais dos Estados Unidos sobre atos de autoridades brasileiras (CartaCapital, CNN Brasil).

CÚPULA DO BRICS: REPERCUSSÃO E LEGADO

Em entrevista à Sputnik Brasil, o cientista político Diego Pautasso afirmou que a Declaração de Líderes da 17ª Cúpula do BRICS expressa um consenso geopolítico inédito entre os 11 países do bloco e reforça a união do Sul Global diante da hegemonia ocidental. Com 126 pontos, o documento defende o multilateralismo, condena sanções econômicas unilaterais e pede a reforma do Conselho de Segurança da ONU, citando nominalmente Brasil e Índia como candidatos a novos membros permanentes. O analista observa que o BRICS, longe de ser “anti-Ocidente”, propõe reformas estruturais no sistema internacional e aponta para a busca por soluções pacíficas (Sputnik Brasil).

NBD EM EVIDÊNCIA COM DILMA

Também em entrevista à Sputnik, o economista Paulo Nogueira Batista Jr., ex-vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), elogiou a gestão de Dilma Rousseff à frente da instituição, destacando que ela recolocou o banco do BRICS em evidência global. Ele também defendeu a criação de uma moeda de reserva paralela ao dólar, criticou o sistema de decisões por unanimidade no bloco e afirmou que o Brasil deve priorizar suas alianças no BRICS, em vez de buscar espaço em fóruns como o G7. Para Batista Jr., o foco no Sul Global é estratégico, diante do que classificou como protecionismo disfarçado da União Europeia (Sputnik Brasil).

GUTERRES: ONU COBRA AÇÃO

Durante a última sessão do evento, no domingo (7), o secretário-geral da ONU, António Guterres, conclamou o bloco a assumir um papel de liderança global diante das crises climática e sanitária. Em discurso firme, Guterres pediu que o BRICS seja um pilar de solidariedade com os povos, o planeta e a prosperidade, e alertou para o colapso ambiental em curso, com perdas de biodiversidade, contaminação generalizada e impacto direto na saúde humana, como o avanço da dengue, da malária e da insegurança alimentar. Guterres exigiu cortes imediatos nas emissões, mais ambição nos compromissos nacionais para a COP30 e uma transição energética justa, com acesso ampliado a fontes renováveis. O chefe da ONU também defendeu um tratado sobre poluição plástica, um novo acordo de financiamento para a biodiversidade e uma reforma da arquitetura financeira global, com alívio das dívidas e fortalecimento dos bancos multilaterais (Prensa Latina).

DÍAZ-CANEL APONTA FALTA DE VONTADE POLÍTICA

Em sua intervenção, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, criticou a falta de vontade política das potências para enfrentar a crise climática, denunciou os padrões de consumo insustentáveis dos países ricos e apontou desigualdades no acesso à saúde, agravadas por sanções unilaterais. Durante sua estadia, Díaz-Canel reuniu-se com a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento do bloco, Dilma Rousseff, com o presidente Lula e com autoridades da Bolívia, África do Sul, México e da OMS (Agência Cubana de Notícias).

TARIFAÇO

Já o presidente dos EUA Donald Trump criticou na segunda-feira (7), em sua rede Truth Social, a postura do Brasil na cúpula dos BRICS, ameaçando com tarifas de 10% os países que, segundo ele, adotarem políticas “antiamericanas” (Infobae).

MODI EXALTA HOSPITALIDADE BR

Depois de participar da cúpula do BRICS, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, iniciou nesta segunda-feira (7) uma visita de Estado ao Brasil. Recebido com apresentações culturais em Brasília, Modi destacou em suas redes sociais a força da percussão afrobrasileira e a receptividade do povo brasileiro. Durante a agenda oficial, ele se reuniu com o presidente Lula para discutir a ampliação da Parceria Estratégica Índia-Brasil em áreas como comércio, defesa, energia, tecnologia, espaço, saúde e agricultura. O premiê indiano elogiou a condução brasileira à frente do BRICS e afirmou que, sob a presidência da Índia em 2026, o bloco entrará numa nova fase voltada à inovação e sustentabilidade (Prensa Latina, Agência EFE).

VIETNÃ: COOPERAÇÃO AGRÍCOLA

O governo do Vietnã celebrou nesta terça-feira (8) os avanços obtidos durante a visita do primeiro-ministro Pham Minh Chinh ao Brasil, também realizada em paralelo à Cúpula do BRICS. Segundo a vice-ministra das Relações Exteriores Nguyen Minh Hang, os dois países aprofundaram a cooperação política e econômica, com destaque para o aumento do comércio bilateral, que saltou de US$ 1,5 bilhão em 2011 para quase US$ 8 bilhões. Lula reiterou apoio à conclusão do acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Vietnã. Entre os principais resultados da visita estão os acordos firmados nas áreas de ciência, tecnologia, inovação e transformação digital, além de parcerias no setor privado. A cooperação agrícola também foi priorizada, especialmente em torno do café, com planos para criar uma marca conjunta e uma aliança de exportação (Prensa Latina).

CORREDOR BIOCEÂNICO

Brasil e China firmaram na segunda-feira (7) um acordo de cooperação para realizar estudos sobre a viabilidade de uma ferrovia ligando o porto de Ilhéus, na Bahia, ao porto de Chancay, no Peru. O projeto será analisado por empresas estatais dos dois países e inclui avaliação econômica, social e ambiental do traçado, que passaria pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Rondônia e Acre, até cruzar a fronteira pelo Hito 4, na região do rio Yurúa, no estado peruano de Ucayali. A proposta integra o chamado Corredor Bioceânico, que visa conectar o Atlântico ao Pacífico, reduzindo o tempo de exportações brasileiras para a China em até 17 dias. O Ministério dos Transportes do Brasil avalia que a ferrovia pode se tornar um eixo estratégico de integração sul-americana e de projeção do país no comércio com a Ásia, especialmente no escoamento de commodities como soja, minério de ferro, carne e petróleo (Diario Correo, La Nación).

EDINHO PRESIDENTE DO PT

O ex-ministro e ex-prefeito Edinho Silva foi eleito na noite de segunda-feira (7) presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), com mandato até 2029. Com apoio direto do presidente Lula, Edinho venceu com 73,48% dos votos apurados, mesmo sem a contabilização de Minas Gerais, onde a votação foi suspensa por disputa judicial envolvendo a candidatura da deputada Dandara Tonantzin à presidência estadual. A eleição foi coordenada pelo senador Humberto Costa, atual presidente interino da legenda. Edinho derrotou o deputado federal Rui Falcão, que obteve 11,15% dos votos, além de Romênio Pereira e Valter Pomar. A expectativa é que o novo presidente conduza a organização da campanha nacional para as eleições de 2026 e reforce o diálogo com os movimentos populares (Prensa Latina, LaPolíticaOnline).

*Imagem em destaque: Brasília (DF), 10/06/2025 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes começa a ouvir os réus do núcleo 1 na ação da trama golpista (Valter Campanato/Agência Brasil)

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