Após desafiar medidas cautelares, Bolsonaro pode ter prisão preventiva decretada

Após desafiar medidas cautelares, Bolsonaro pode ter prisão preventiva decretada

VEM AÍ?

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro deixou de ser uma possibilidade distante e ganhou contornos de realidade iminente no Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta segunda-feira (21), o ex-presidente desrespeitou abertamente as medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes na última sexta (18) ao aparecer com a tornozeleira eletrônica visível, fazer declarações públicas chamando o magistrado de “ditador” e se referir ao equipamento como “símbolo de máxima humilhação”. Embora tenha evitado entrevistas formais, suas falas foram amplamente repercutidas nas redes sociais, configurando possível violação da proibição de uso direto ou indireto dessas plataformas. Diante das infrações, Moraes determinou prazo de 24 horas para explicações da defesa, sob risco de prisão preventiva.

Nesta terça (22), os advogados de Bolsonaro tentaram ganhar tempo solicitando esclarecimentos sobre os limites da decisão cautelar, alegando ambiguidade e pedindo definição clara sobre o que constitui violação. Com as restrições mantidas — proibição de entrevistas, contato com investigados, acesso a embaixadas e saídas aos finais de semana — o comportamento de Bolsonaro pode ser interpretado pela corte como reincidência no descumprimento das medidas, fortalecendo significativamente a possibilidade de conversão das cautelares em prisão preventiva (Ámbito, La Política Online, NODAL, Prensa Latina, CNN Brasil).

SEM PIX, MAS COM PADRINHOS

Lindbergh Farias, líder do PT na Câmara, solicitou ao STF que impeça a nomeação de Eduardo Bolsonaro para cargos comissionados em governos estaduais. A medida visa conter articulações de governadores aliados — como Cláudio Castro (RJ), Tarcísio de Freitas (SP) e Jorginho Mello (SC) — que cogitam oferecer ao deputado um cargo remunerado para garantir sua sustentação financeira nos EUA, onde se encontra foragido desde março. Lindbergh argumenta que a nomeação seria uma manobra para burlar sanções e manter Eduardo em ação política e diplomática no exterior, promovendo ataques institucionais ao país. O petista também pediu o depoimento do parlamentar sobre uma transmissão ao vivo em que teria ameaçado agentes da Polícia Federal (PF). A iniciativa ganhou força após decisão desta segunda-feira (21) que congelou os bens e contas de Eduardo, além de proibi-lo de manter contato com o pai e outros investigados no processo sobre tentativa de golpe. O deputado classificou as medidas como “arbitrárias e criminosas” e afirmou que continuará denunciando o que considera perseguição política (The Guardian, Prensa Latina, El Tiempo, CNN Brasil).

INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA 

A PF abriu nova frente de investigação contra aliados de Jair Bolsonaro por possível uso de informações privilegiadas com fins políticos e financeiros. A suspeita recai sobre o acesso indevido a dados sigilosos que teriam sido utilizados para orientar decisões administrativas ou beneficiar operações de mercado — especialmente no período que antecedeu o anúncio das tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas por Donald Trump. A apuração envolve pessoas próximas ao ex-presidente e pode resultar na adoção de novas medidas judiciais. As autoridades investigam se houve vazamento deliberado de informações estratégicas, configurando crime grave contra o interesse público e uso político da máquina estatal (Prensa Latina).

REVOGAÇÃO DE VISTOS

A revogação de vistos de autoridades do judiciário brasileiro pelos EUA provocou reações imediatas no país, com ex-ministros de Defesa e Justiça classificando a medida como afronta à soberania nacional. Em nota, o PT acusou Eduardo Bolsonaro de traição à pátria por articular sanções contra magistrados brasileiros, enquanto a ministra Gleisi Hoffmann denunciou uma conspiração da extrema direita global para desestabilizar as instituições democráticas. A retaliação, anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio, atingiu oito dos onze ministros do STF — incluindo Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia — além do procurador-geral Paulo Gonet. Segundo o governo Trump, a medida responde às restrições impostas a Jair Bolsonaro. Para o presidente Lula, trata-se de interferência inaceitável e tentativa de coagir o Judiciário brasileiro (estrategia.la, Prensa Latina, Página/12).

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OFENSIVA PROGRESSISTA NO CHILE

A cúpula “Democracia Sempre” reuniu lideranças progressistas em Santiago nesta segunda-feira (21) para articular uma resposta global ao avanço da extrema direita, da desinformação e da concentração de poder. O encontro contou com os presidentes Lula (Brasil), Gabriel Boric (Chile), Gustavo Petro (Colômbia), Yamandú Orsi (Uruguai) e o primeiro-ministro Pedro Sánchez (Espanha), que lançaram uma agenda comum em defesa da democracia, dos direitos sociais e da soberania diante das pressões do capital financeiro e do autoritarismo internacional, além de aprovarem propostas para regular plataformas digitais, reformar o sistema de governança global — com foco na ONU — e enfrentar o uso político da inteligência artificial.

Lula denunciou o protecionismo de Trump, reafirmou o compromisso com o multilateralismo e defendeu que combater a desigualdade, o racismo estrutural e a exclusão é condição fundamental para garantir legitimidade às democracias. Os participantes também condenaram as sanções dos EUA contra o Brasil e os ataques ao Judiciário, reafirmando apoio ao Estado de Direito e à cooperação entre os países do Sul Global.

A cúpula aprovou ainda um apelo ao Conselho de Segurança da ONU por cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza, exigindo entrada plena e segura de ajuda humanitária. As propostas serão levadas à Assembleia Geral da ONU em setembro, com ampliação da coalizão internacional por meio da adesão de México, Canadá, Reino Unido, Honduras, Austrália, Dinamarca e África do Sul (La Jornada, estrategia.la, Prensa Latina, La Nación, Clarín, La Política Online, El Tiempo, TASS).

POLÍTICA E FÉ

O documentário Apocalipse nos Trópicos, dirigido por Petra Costa, analisa como o avanço vertiginoso do movimento evangélico no Brasil — de 5% para mais de 30% da população em quatro décadas — foi determinante para a ascensão da extrema direita e a eleição de Jair Bolsonaro. Disponível na Netflix, a produção expõe o enfraquecimento da separação entre Igreja e Estado e traça a origem do fenômeno ao envio de missionários ao país nas décadas de 1960 e 1970, durante a Guerra Fria, com aval de Henry Kissinger. Também mostra como esse crescimento religioso moldou o discurso conservador e estruturou novas alianças políticas, sendo central para a consolidação de uma direita marcada por valores morais rígidos e forte mobilização digital (Expresso).

6 LONGOS MESES

No balanço dos primeiros seis meses de seu segundo mandato, Donald Trump ampliou a instabilidade global e agravou divisões internas nos eua. Apesar da queda de popularidade e da crise de confiança generalizada, o presidente comemorou o período como “um dos mais destacados de qualquer presidência”. As medidas adotadas incluem tarifas globais de até 50%, militarização das fronteiras, deportações em massa e revogação de cidadanias provisórias. No plano externo, Trump rompeu com aliados históricos, ameaçou a permanência dos EUA na OTAN, cortou ajuda internacional e apoiou intervenções em Gaza e no Irã ao lado de Benjamin Netanyahu. Internamente, rompeu com Elon Musk, enfrentou escândalos ligados ao caso Epstein e acusou lideranças democratas de conspiração, com base em documentos ainda não verificados. Mesmo com o aumento do déficit e críticas à agenda fiscal e protecionista, Trump afirma que os EUA estão “renascidos” e mais fortes do que nunca (estrategia.la).

PROTAGONISMO NEGRO

A historiadora, poeta e ativista Beatriz Nascimento foi homenageada no “Julho das Pretas” por seu legado transformador na luta antirracista e na produção de conhecimento a partir da experiência negra no Brasil. Nascida em Aracaju, Beatriz propôs uma nova narrativa histórica feita com “mãos negras”, desafiando a historiografia dominante ao incorporar conceitos de matriz africana como Ôrí e Quilombo para reinterpretar a formação do país. Sua obra articula poesia e teoria para reivindicar o corpo negro como espaço legítimo de saber e memória. Foi também pioneira na reflexão sobre a condição da mulher negra, cruzando raça, gênero e classe com profundidade intelectual (Página/12).

*Imagem em destaque: Antônio Cruz/Agência Brasil

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