Aumenta nível de tensão diplomática entre Brasil e EUA e com Argentina

Aumenta nível de tensão diplomática entre Brasil e EUA e com Argentina

Tiroteio diplomático entre os países atrai a maior parte da mídia internacional, com foco nas declarações do presidente Lula e no momento em que o Brasil inicia a campanha eleitoral à Presidência

Vistos estão sendo negados, insultos voam e embaixadores ficam no meio do fogo cruzado: dois meses antes das eleições no Brasil, as tensões diplomáticas estão se intensificando entre o governo de esquerda do presidente Lula e os governos de direita da Argentina e dos Estados Unidos.

“Não podemos aceitar interferências”, afirmou o presidente Lua em entrevista nesta quarta-feira, um dia depois de os Estados Unidos terem anunciado a revogação do visto do embaixador do Brasil. A decisão do governo Trump foi “irresponsável e imprudente”, disse Lula ao canal de notícias Meteoro Brasil (na foto acima / Ricardo Stuckert). (France24 / Independent)

Sobre a medida dos EUA, Lula disse ainda:   “Adotaram essa atitude [de revogar o visto] que me parece irresponsável, algo impensável para um país com 203 anos de diplomacia e relações diplomáticas. Portanto, é desnecessário”, afirmou Lula. (La Nación)

Lula advertiu nesta quarta-feira que enfrentará qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições, em meio às crescentes tensões diplomáticas com os Estados Unidos. “O Brasil não só está preparado, como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir em nosso processo eleitoral”, afirmou Lula em entrevista. O líder progressista sustentou que o Brasil deve ser tratado com respeito e rejeitou que outros países tentem interferir nas eleições de outubro, quando os brasileiros elegerão presidente, governadores, deputados e senadores. (EFE)

A Argentina não tomará medidas diplomáticas em resposta à redução do nível das relações diplomáticas por parte do Brasil, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, nesta quarta-feira. O Brasil informou à Argentina que as relações entre os dois países passarão a ser conduzidas no nível de encarregado de negócios. O incidente ocorreu depois que o presidente argentino, Javier Milei, voltou a insultar o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. A medida marca uma acentuada deterioração nas relações entre os dois países, cujos presidentes não realizam uma reunião bilateral oficial desde que Milei assumiu o cargo. (Reuters)

Os EUA foram o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil em 1822. Mais de 200 anos depois, Washington parece ainda não ter compreendido totalmente o que significa “reconhecer” a “independência” de um país. As manchetes em todo o continente americano têm sido dominadas pelas tensões diplomáticas entre os EUA e o Brasil nas últimas semanas. Na terça-feira, horário local, os EUA revogaram o visto do embaixador brasileiro em Washington, levando a disputa diplomática, que já vinha se intensificando, a um novo ápice. Embora os EUA tenham alegado que se tratava de uma “medida recíproca” após o Brasil ter adiado a aprovação do candidato a embaixador dos EUA, Danny Perez, não se trata meramente de um desentendimento processual, mas de uma disputa sobre soberania nacional. Desde julho, os EUA impuseram uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras devido a supostas “práticas comerciais desleais”, acrescentaram mais 12,5% de tarifa relacionada ao trabalho forçado em produtos brasileiros e tentaram enviar autoridades ao Brasil para questionar a “justiça e integridade” do sistema eleitoral do país. “As tensões atuais entre os EUA e o Brasil não são meramente uma disputa diplomática do tipo ‘olho por olho’, mas refletem a tentativa de Washington de usar pressão econômica e influência diplomática para interferir no processo eleitoral de outro país”, observou Jiang Shixue, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Xangai. (Global Times)

Veja Também:  Não é Milei, é o imperialismo!

LULA MANTÉM LIDERANÇA EM PESQUISA

O presidente Lula continua à frente do senador Flávio Bolsonaro, embora o candidato de direita tenha reduzido a diferença em relação ao atual presidente de esquerda antes das eleições de outubro, segundo mostrou nesta quarta-feira uma pesquisa da Quaest /Genial.  Em um segundo turno simulado, Lula receberia 44% dos votos, contra 39% de Bolsonaro. A pesquisa de 15 de julho mostrava Lula à frente de Bolsonaro por 45% a 37%. Em um cenário de primeiro turno, Lula lideraria com 39% dos votos, seguido por Bolsonaro (30%), Renan Santos (4%), Ronaldo Caiado (4%) e Romeu Zema (2%). A pesquisa anterior mostrava Lula com 40% e Bolsonaro com 28% no primeiro turno. A Quaest entrevistou 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais. (Reuters)

FLÁVIO BOLSONARO ANUNCIA VICE

Flávio Bolsonaro, principal candidato da direita contra o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de outubro, indicou na quarta-feira o deputado conservador Alfredo Gaspar como seu vice, em uma escolha surpreendente que ressaltou os desafios de sua campanha.

O anúncio ocorre após semanas de incerteza sobre a escolha de Bolsonaro, já que o senador teve dificuldades para construir alianças além de seu próprio Partido Liberal (PL) e não conseguiu incluir uma mulher na chapa vice-presidencial para ampliar o apoio. Flávio e Alfredo Gaspar são do esmo partido, PL.

Tagged: , ,