‘Bolsonaro e seus aliados estão à deriva com a aproximação do julgamento’

O colapso de Bolsonaro é tema da mídia internacional nesta segunda-feira., “lutando contra crises de tristeza, ataques de soluços e uma fixação no juiz que ele culpa por seus problemas”, diz a Reuters. Ou “as tentativas de Eduardo Bolsonaro de interferir no processo de seu pai por tramar um golpe de Estado naufragaram”, segundo a Bloomberg. A pesquisa Quaest que aponta 55% de entrevistados a favor da prisão de Bolsonaro também chamou a atenção dos sites.
Dias antes de o Supremo Tribunal Federal do Brasil iniciar o julgamento de Bolsonaro por tramar um golpe, o ex-presidente e sua coalizão política mostram sinais de desintegração. Aliados que visitaram o líder de extrema direita em prisão domiciliar em um condomínio fechado em Brasília, disseram à Reuters que viram Bolsonaro lutando contra crises de tristeza, ataques de soluços e uma fixação no juiz que ele culpa por seus problemas. A agência faz um apanhado das últimas questões relacionadas a Bolsonaro.
O aliado fiel do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi atingido por uma nova turbulência esta semana, quando a polícia federal divulgou uma série de mensagens privadas que o retratam como um líder hesitante, questionando suas próprias decisões e lutando para conter as disputas internas entre seus aliados próximos.
“Abra a boca!”, escreveu o pastor evangélico Silas Malafaia, instando o ex-presidente a fazer uso político das pesadas tarifas que Trump impôs aos produtos brasileiros. “Os líderes dão direção ao povo, o povo é liderado por outros quando os líderes ficam em silêncio.”
As mensagens foram divulgadas como parte de uma investigação sobre o ex-presidente e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, que está liderando uma campanha em Washington pedindo ao governo Trump que intervenha em nome de seu pai.
A pressão dos EUA não conseguiu impedir o julgamento de Bolsonaro e parece até ter ajudado seu rival, o presidente Lula, de esquerda, a subir nas pesquisas e a ganhar um inimigo comum no exterior para sua frágil coalizão governamental.
À medida que o julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal chega ao fim, suas conversas mostram um líder inseguro sobre como conduzir seu próprio destino, muito menos unir sua base fragmentada antes das eleições presidenciais do ano que vem.
Quando Malafaia pressionou Bolsonaro a gravar um vídeo e traduzi-lo para o inglês para chamar a atenção de Trump, o ex-presidente reclamou que estava muito doente para responder.
“Percebemos que o presidente está angustiado. Ele não é aquele Bolsonaro sorridente que conhecemos”, disse o deputado Domingos Savio, que esteve na casa do ex-presidente na semana passada. “O principal aspecto dessa angústia é o sentimento de injustiça.”
EDUARDO NAUFRAGA
O site Japan Times, em texto da Bloomberg, mostra que as tentativas de Eduardo Bolsonaro de interferir no processo de seu pai por tramar um golpe de Estado naufragaram. Ele queria uma vitória e, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou em julho aplicar tarifas de 50% ao Brasil, ele acreditou que a tinha conseguido. Quatro meses antes, o jovem de 41 anos havia abandonado seu cargo no Congresso brasileiro para se mudar para os Estados Unidos, numa tentativa de persuadir a Casa Branca a ajudar seu pai, Jair Bolsonaro — ex-presidente do país que está sendo julgado por uma suposta tentativa de golpe. Quando Trump exigiu que o Supremo Tribunal Federal do Brasil suspendesse o julgamento se o país quisesse evitar as tarifas, parecia que o jovem Bolsonaro havia sido bem-sucedido em sua missão. Mas ele ficou frustrado porque seu pai não compartilhava de seu entusiasmo naquele momento. A ameaça tarifária deu um impulso ao presidente Lula, permitindo que o esquerdista assumisse uma postura nacionalista e se apresentasse como defensor do Brasil. Sua popularidade, antes em baixa, está subindo, e ele agora lidera todas as pesquisas iniciais entre os possíveis adversários. “Seu filho, Eduardo, é um idiota”, disse Silas Malafaia, um pastor evangélico com laços estreitos com a família e o movimento de direita do país, em uma mensagem a Bolsonaro no auge das tensões tarifárias em julho, de acordo com documentos da polícia. Ele “acabou de entregar a Lula e à esquerda uma narrativa nacionalista. E, ao mesmo tempo, está te prejudicando”.
PESQUISA: PARA 55% PRISÃO É JUSTA
A maioria dos brasileiros aprova a prisão domiciliar imposta ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo juiz relator dos seus processos, Alexandre de Moraes, segundo pesquisa Quaest. De acordo com o levantamento, que ouviu cidadãos em todas as regiões do Brasil, 55% consideram a prisão de Bolsonaro justa, porque, alegam, que o ex-presidente do Brasil desafiou claramente as medidas cautelares inicialmente impostas pelo juiz para se manter em liberdade. Bolsonaro é arguido por tentativa de golpe de Estado e começa a ser julgado no próximo dia 2 de setembro. (Correio da Manhã / La Política Online)
A DIREITA NA AMÉRICA LATINA
Os velhos roqueiros nunca morrem, ou pelo menos é o que parece acreditar um nutrito grupo de ex-presidentes de direita e extrema direita latino-americanos que, longe de assumir um papel secundário após deixarem o governo, continuam sendo protagonistas em seus países: Álvaro Uribe, farol da direita colombiana; Jair Bolsonaro, conspirando desde sua prisão domiciliar para a imposição de tarifas ao Brasil; ou Tuto Quiroga, aspirando a retornar à presidência boliviana com um discurso de mão dura.
Em muitas ocasiões, são velhos conhecidos que lideram os processos. O sistema presidencialista latino-americano favorece o surgimento de lideranças fortes e carismáticas, em muitos casos quase messiânicas. Esse capital político e referencialidade são zelosamente guardados por um punhado de ex-presidentes latino-americanos, que continuam liderando com mão firme seu espaço político. Seja concorrendo diretamente às eleições – como foi o caso de Bolsonaro no Brasil e agora de Tuto Quiroga na Bolívia –, seja influenciando seus partidos e designando herdeiros a quem sussurrar ao ouvido – caso de Uribe na Colômbia. A extensa análise traz comentários também sobre Bukele e Milei (Centro Latino-americano de Análise Estratégica)
LULA E PRESIDENTE DA NIGÉRIA
O presidente Lula e o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, concordaram hoje na necessidade de defender o multilateralismo diante do avanço do protecionismo e das imposições hegemônicas. Tinubu está em viagem oficial ao Brasil. No Palácio do Planalto, o encontro foi marcado por críticas veladas à política tarifária dos Estados Unidos sob a administração de Donald Trump, à qual atribuíram a responsabilidade por aprofundar as distorções no comércio internacional. (Prensa Latina / EFE)
TERRAS RARAS
Fernando Haddad, ministro da Fazenda, disse que a “interferência” dos Estados Unidos na política interna do Brasil está diretamente relacionada ao interesse estratégico americano nas chamadas “terras raras” e outros minerais críticos que o país possui. Texto do Nodal que republica o UOL e La Diaria.
BRASILEIROS EM ALERTA EM PORTUGAL
Desde a manhã desta segunda-feira (25/08), o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa passou a estampar em suas redes sociais e na sua página na internet um alerta para os brasileiros que vivem em Portugal para que tomem todos os cuidados possíveis com a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), a polícia para imigrantes. Segundo o embaixador Alessandro Candeas, cônsul-geral do Brasil em Lisboa, “o objetivo, com os alertas, é fornecer à comunidade brasileira as informações e orientações necessárias, além de afirmar que o Consulado do Brasil está à disposição” para eventuais necessidades. (Público)
Imagem Reprodução

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
