Brasil aplica reciprocidade e retira credenciais de agente dos EUA

Brasil aplica reciprocidade e retira credenciais de agente dos EUA

“Revoguei as credenciais (do oficial americano) com grande pesar. Gostaria que nada disso estivesse acontecendo”, disse diretor-geral da Polícia Federal

A Polícia Federal brasileira revogou as credenciais que permitiam a um oficial de imigração dos EUA, baseado em Brasília, acessar alguns de seus dados, segundo informou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, nesta quarta-feira, citando uma medida semelhante tomada pelo governo dos EUA. Washington informou na segunda-feira que havia solicitado ao adido de segurança brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como contato com as autoridades de imigração dos EUA e estava baseado em Miami, que deixasse o país. Andrei Rodrigues disse em entrevista à GloboNews que o adido retornou ao Brasil a seu pedido, mas foi informado de que suas credenciais de trabalho haviam sido revogadas, o que motivou a reação do Brasil. “Revoguei as credenciais (do oficial americano) com grande pesar. Gostaria que nada disso estivesse acontecendo”, disse o chefe da Polícia Federal, acrescentando que o Brasil não tem a intenção de expulsar nenhum funcionário americano. Rodrigues disse que a PF queria entender o processo pelo qual Carvalho teve suas credenciais revogadas, já que não recebeu qualquer notificação formal das autoridades americanas.

O impasse ocorreu depois que a agência de imigração dos EUA, ICE, deteve o ex-deputado brasileiro Alexandre Ramagem, que fugiu do Brasil em setembro após ser condenado por conspirar um golpe com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Lula afirmou na terça-feira que seu governo poderia tomar medidas recíprocas em resposta a quaisquer abusos percebidos por parte das autoridades americanas no caso envolvendo o adido brasileiro.(Reuters / Ansa / France24 / Prensa Latina)

LULA MUSCULOSO

Menos pódios e entrevistas. Mais agachamentos e lunges. O presidente Lula está dando um gás na sua campanha pela reeleição aos 80 anos, exibindo um físico sarado nos treinos que, segundo seus críticos, são mais populares do que o próprio presidente. Embora os brasileiros estejam divididos sobre se ele deveria concorrer a um quarto mandato não consecutivo, há um raro consenso em relação ao seu compromisso de correr na esteira todos os dias. “Ele está um pouco velho demais para fazer campanha novamente. Seria melhor termos outra pessoa concorrendo. Mas seus treinos são realmente um bom exemplo para pessoas como eu”, disse Marcela Peres, 63, enquanto se exercitava na academia de um hotel em Brasília na quarta-feira. A tentativa de Lula de se mostrar cheio de energia levou seu principal rival, o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, a mostrar seus movimentos também. Alguns eleitores expressaram preocupação de que Lula possa seguir o caminho do ex-presidente dos EUA Joe Biden, que desistiu da disputa de 2024 devido a questionamentos sobre sua saúde e idade. Mas Lula está exibindo seus músculos para desafiar os apoiadores a ficarem ao seu lado novamente. “Um desses idiotas disse que não era eu, que era um clone”, disse Lula em março, dias depois que sua esposa, Rosângela da Silva, postar um vídeo de sua rotina de exercícios. “Vão para a academia. Preparem-se. Bebam menos e trabalhem para ver o que acontece. Quero viver 120 anos”, disse Lula na época. (Associated Press)

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LULA 3 NÃO É NEOLIBERAL

A publicação Resumo Latino-americano traz extenso artigo intitulado “Brasil. Lula 3 não é um governo neoliberal”, de Armando Boito Jr, professor titular sénior de Ciência Política da Unicamp. No artigo, o autor defende que, para contestar a tese de que o atual governo de Lula (seu terceiro mandato, ou Lula 3) é um governo neoliberal, as distinções conceituais entre política governamental e modelo de Estado são fundamentais para compreender a resistência neodesenvolvimentista à dinâmica da financeirização.

BRASIL-PORTUGAL: MELHOR MOMENTO

O presidente Lula destacou a ligação atual entre Portugal e Brasil, na terça-feira, após a reunião de uma hora que teve com Luís Montenegro, onde se discutiram futuras parcerias. “A história preparou-nos uma bela surpresa. Portugal e Brasil vivem o seu melhor momento de relação”, afirmou o presidente brasileiro na Residência Oficial do primeiro-ministro, agradecendo ao chefe do Executivo português.  Lula salientou que “Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros” na Europa e que o seu principal desejo é que a ligação entre os dois países chegue mais longe, referindo-se ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. O presidente do Brasil deixou ainda um recado a Montenegro sobre a presença da comunidade brasileira em Portugal. “Se tem um povo trabalhador é o povo brasileiro, se tem um povo que gosta de trabalhar e que aprende com muita facilidade é o povo brasileiro”. Já o primeiro-ministro elogiou a “integração impecável” da comunidade brasileira em Portugal, sublinhado que “nos últimos dois anos o Governo de Portugal regularizou mais de 235 mil processos de imigrantes brasileiros”.  Montenegro referiu ainda que a maioria dos imigrantes brasileiros tem tido “uma integração social e económica absolutamente impecável”, desvalorizando alguns “focos de perturbação”. Quanto às parcerias comerciais, o chefe do Executivo prometeu que Portugal será “um parceiro” para o Brasil se projetar na economia europeia de forma mais aprofundada com a entrada em vigor do acordo entre a UE e o Mercosul, a partir de 1 de maio. Desejou ainda que as parcerias entre os dois países, a nível económico, possam continuar a trazer a Portugal distinções como a de “economia do ano”, em 2025 pela revista ‘The Economist’, ou “fazer da economia brasileira a maior economia da América Latina”. (Correio da Manhã)

MULHERES BUSCAM DEFESA PESSOAL

Mulheres moradoras de favelas aprendem a se defender em meio ao aumento da violência. A demanda por aulas de artes marciais cresce à medida que as mulheres enfrentam um aumento nos ataques de gênero. A violência de gênero no Brasil não é apenas generalizada, mas está aumentando. Em uma pesquisa realizada em 2025, 37,5% das mulheres afirmaram ter sofrido algum tipo de violência no último ano — incluindo abuso verbal e físico, violência sexual e perseguição —, em comparação com 28,6% na mesma pesquisa realizada oito anos antes. O número de feminicídios aumentou 14,5% em cinco anos, chegando a 1.568 casos em 2025. Em 16 dos 27 estados do Brasil, 13% das vítimas de feminicídio tinham uma ordem de restrição contra seu agressor. (Guardian)

Na imagem, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues / Lula Marques/Agência Brasil

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