Brasil cobra Israel por desaparecimento de brasileiros na Flotilha Sumud

MISSÃO HUMANITÁRIA TEM BRASILEIROS DESAPARECIDOS
O governo federal confirmou nesta quinta-feira (2) o desaparecimento de dois dos 15 brasileiros detidos por Israel na Flotilha Global Sumud, em águas internacionais. O documentarista Miguel Viveiros de Castro e o ativista João Leonardo Cavalcanti Aguiar estão incomunicáveis desde a noite de quarta (1º). Segundo o Itamaraty, 11 brasileiros seguem sob custódia israelense — entre eles a deputada Luizianne Lins (PT-CE) —, com acompanhamento solicitado por via diplomática. A abordagem aconteceu a cerca de 200 km do enclave palestino, após cercos e ataques com jatos d’água fétida. Familiares denunciam silêncio absoluto e cobram providências.
O chanceler Mauro Vieira reuniu parlamentares e entidades civis e afirmou que Israel é responsável pela integridade dos detidos. A flotilha reunia mais de 500 ativistas transportando ajuda humanitária, segundo a Al Jazeera. Apesar das apreensões, cerca de 50 embarcações compunham o grupo, informaram os organizadores. Israel anunciou que deportará os estrangeiros e classificou a missão como “Hamas-Sumud”, conforme reportou a CNN. Colômbia, México e Uruguai manifestaram repúdio e preocupação com seus cidadãos.
PROTESTOS MUNDIAIS COBRAM LIBERTAÇÃO
Enquanto prossegue o impasse, milhares de pessoas foram às ruas em capitais nesta quarta (1º) e quinta-feira (2) exigindo a libertação dos participantes da flotilha. Na Itália, cerca de 10 mil manifestantes se reuniram em Roma, segundo a ANSA, e estudantes ocuparam universidades em Nápoles, Milão e Pádua. Também houve atos em Berlim, Londres, Barcelona, Bruxelas, Atenas, Istambul, Amã e Kuala Lumpur. Na América Latina, protestos eclodiram em Bogotá — onde a Colômbia expulsou diplomatas israelenses e suspendeu o tratado comercial —, além de Buenos Aires e Montevidéu. A Turquia classificou a ação como “ato de terrorismo”.
No Brasil, parlamentares da Frente Mista pelos Direitos do Povo Palestino entregaram ao chanceler Mauro Vieira um pedido para que o país acione a resolução “Uniting for Peace” da ONU e imponha sanções diplomáticas e econômicas contra Israel. O documento propõe embargo militar e energético, além de rejeição a planos de remoção da população de Gaza. Cerca de 500 pessoas de mais de 44 países seguem incomunicáveis após a interceptação de aproximadamente 50 embarcações com jatos d’água e produtos químicos, segundo a Euronews.
ISENÇÃO DO IR
Após a forte reação popular contra a PEC da Blindagem, que tentou limitar investigações e foi vista como tentativa de autoproteção do Congresso, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade na noite de quarta-feira (1º) o projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais — ampliando em mais de 60% o limite atual de R$ 3.036. A votação foi tratada como gesto de recuo e tentativa de reconciliação com a opinião pública após protestos massivos em várias capitais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o resultado como “histórico”, e o presidente Lula afirmou que a medida “corrige uma grande injustiça” com os trabalhadores. O texto, que cumpre compromisso de campanha de 2022, deve beneficiar cerca de 16 milhões de pessoas a partir de 2026 e segue para o Senado.
Para compensar a renúncia fiscal de R$ 31,3 bilhões, o projeto cria tributação progressiva sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais e uma alíquota de 10% sobre dividendos enviados ao exterior. Apenas 0,13% dos contribuintes serão afetados. Analistas consideram a medida um avanço em justiça tributária e estímulo ao consumo. O apoio unânime, inclusive da oposição, reflete a pressão popular e o desgaste recente da Câmara, segundo a Reuters. O jornal argentino La Nación destacou que o anúncio da proposta havia alarmado mercados no ano passado, provocando desvalorização histórica do real.
MORAES APERTA CERCO A EDUARDO
O ministro Alexandre de Moraes determinou nesta quinta-feira (2) que a Procuradoria-Geral da República se manifeste em cinco dias sobre os pedidos de prisão preventiva do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). As representações, apresentadas por Lindbergh Farias (PT-RJ) e Talíria Petrone (PSOL-RJ), também solicitam bloqueio de salários e verbas parlamentares e a análise dos pedidos de cassação na Câmara.
Eduardo está nos Estados Unidos desde fevereiro e foi denunciado por coação no curso do processo, acusado de articular sanções contra o Brasil junto ao governo Trump. Após tentativas frustradas de notificação pessoal, o STF publicou edital, e Moraes afirmou que o deputado vem “criando dificuldades” para ser intimado.
NEGOCIAR: TARIFAS ✅ / SOBERANIA ❌
O chanceler Mauro Vieira afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil está disposto a negociar as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre produtos brasileiros, mas rejeita qualquer debate sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo Vieira, “questões judiciais não cabem em negociações entre Estados soberanos”. O ministro disse estar otimista sobre um encontro entre Lula e Trump, anunciado pelo líder norte-americano após breve conversa na Assembleia Geral da ONU, onde, segundo Trump, houve “boa química”.
A reunião, no entanto, pode ser adiada pelo shutdown — paralisação do governo dos Estados Unidos iniciada na quarta-feira (1º) por impasse orçamentário com o Congresso. A crise interna nos EUA tem prioridade e deve postergar o encontro, possivelmente para a Cúpula da Asean, marcada para 26 de outubro na Malásia, conforme fontes do Itamaraty ouvidas pela CNN Brasil. Vieira ressaltou que o diálogo seguirá “firme, mas sereno”, lembrando que os EUA mantêm superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos, segundo reportou o jornal argentino Página 12.
(+) Imagem em destaque: Barcelona, Espanha — Flotilha Global Sumud retorna ao porto. Multidão recebe embarcação com bandeiras palestinas. Foto: IMAGO/NurPhoto

