Brasil defende Pix e acelera negociações com EUA: ‘tempo corre contra’, diz ministro
Prazo para imposição de taxas por Washington é 15 de julho e novas rodadas de conversas estão marcadas entre representantes brasileiros e norte-americanos. ‘Estamos tentando construir consenso’ afirma ministro do Mdic, Márcio Rosa. (Foto: © Rovena Rosa/Agência Brasil)
POR TATIANA CARLOTTI
O governo brasileiro confirmou nesta quinta-feira (02/07) uma nova rodada (a quinta!) de negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros, antes do prazo estabelecido por Washington de 15 de julho. Após uma reunião de alto nível entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, os dois países decidiram intensificar o diálogo com reuniões técnicas previstas para o início da próxima semana, informa a Agência Brasil.
“Estamos tentando construir um consenso. O tempo corre contra. O prazo é 15 de julho”, declarou o ministro Rosa. Segundo ele, fatores externos têm dificultado o avanço das negociações. “Toda vez que caminhamos positivamente surge um novo atropelo que precisamos superar”, afirmou. O ministro também criticou, sem citar nomes, brasileiros que levam disputas políticas para uma negociação comercial, e defendeu que o país mantenha o diálogo técnico com os Estados Unidos. “Se o Brasil sair da mesa técnica, vai cair no equívoco daqueles que patrocinam o unilateralismo”, disse.
O Mdic classificou as conversas até agora como “construtivas”, mas ainda será necessário reduzir as divergências. Esta foi a quarta reunião de alto nível entre os representantes de ambos os países e elas abragem seis eixos da investigação aberta pelos Estados Unidos, incluindo comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.
Defesa do Pix
Durante a reunião, o governo brasileiro apresentou nesta quarta-feira (01/07) uma resposta formal aos Estados Unidos contestando a proposta de impor tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras e rebatendo críticas ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. A posição foi encaminhada por meio de um documento de 29 páginas assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em resposta à investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, destaca Prensa Latina.
O governo classifica a retaliação como “inadequada”, argumentando que ela não guarda relação com as preocupações levantadas por Washington e poderá causar prejuízos tanto ao Brasil quanto aos próprios interesses comerciais dos Estados Unidos. “Isso oneraria uma relação bilateral de comércio e investimento que é claramente importante para ambos os lados, ao mesmo tempo que reduziria o espaço para o diálogo mais capaz de produzir resultados práticos”, diz o texto. O Itamaraty afirma que, em vez de restringir a atuação de empresas internacionais, o Pix ampliou o mercado de serviços financeiros no país, criando oportunidades para fornecedores privados, incluindo companhias norte-americanas como Google Pay e Visa.
Ponte Salvador-Itaparica será a maior ponte sobre o mar da América Latina
Lula participou nesta quinta-feira (02/07) da cerimônia que marcou o início das obras da Ponte Salvador-Itaparica, projeto que prevê a construção da maior ponte marítima da América Latina. Com 12,4 quilômetros de extensão, a estrutura ligará a capital baiana à Ilha de Itaparica e é considerada um dos maiores empreendimentos de infraestrutura em andamento no país, informa Página 12.
A obra será executada pelas empresas chinesas China Communications Construction Company (CCCC) e China Civil Engineering Construction Corporation (CCECC), vencedoras da licitação para construir a ponte e administrá-la pelos próximos 35 anos. O investimento previsto é de R$ 11,6 bilhões, e o projeto pretende reduzir o tempo de deslocamento entre Salvador e o litoral sul da Bahia, além de impulsionar o desenvolvimento econômico e logístico da região.
Durante a cerimônia, Lula destacou que o impacto da ponte vai além da melhoria da infraestrutura de transporte e afirmou que o governo está atento aos efeitos sociais que um empreendimento dessa dimensão pode provocar. “Quando construímos um projeto desta dimensão, falamos de desenvolvimento económico e de uma série de outras coisas que são verdadeiras, mas o importante é que os habitantes desta ilha não percam algo muito importante que têm, que é a sua paz de espírito”, declarou.
A Ponte Salvador-Itaparica é considerada estratégica para integrar diferentes regiões da Bahia, facilitar o transporte de pessoas e mercadorias e fortalecer a atividade econômica no estado. Além de encurtar o acesso entre Salvador e municípios do baixo sul baiano, a expectativa é que o empreendimento estimule novos investimentos em turismo, comércio e logística, tornando-se uma das principais obras de infraestrutura do país nos próximos anos. O conteúdo acima foi baseado na reportagem do Página/12. O último parágrafo traz contexto geral sobre os impactos esperados da obra, complementando as informações da notícia original.
Agora vai: Salvador torna-se capital simbólica do Brasil
A cidade de Salvador passou a ser oficialmente a capital simbólica do Brasil durante as comemorações do 2 de Julho, data que marca a consolidação da Independência do país. A mudança ocorre após a entrada em vigor de uma lei sancionada por Lula, reconhecendo a importância histórica da expulsão definitiva das tropas portuguesas de Salvador, em 2 de julho de 1823. A partir de agora, a capital baiana assumirá simbolicamente essa condição todos os anos durante as celebrações da data.
A nova legislação determina que, durante as comemorações, as atividades institucionais e governamentais dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário sejam simbolicamente transferidas para Salvador, enquanto os serviços essenciais continuarão funcionando normalmente em Brasília. A iniciativa busca ampliar o reconhecimento nacional do papel desempenhado pela Bahia no processo de independência brasileira.
Embora a independência tenha sido proclamada por Dom Pedro I em 7 de setembro de 1822, tropas portuguesas permaneceram em diversas regiões do país, especialmente na Bahia, onde os confrontos continuaram por vários meses. Somente em 2 de julho de 1823, com a retirada definitiva das forças lusas de Salvador, o processo de emancipação foi consolidado, informa Prensa Latina.
Michelle deixa comando da ala feminina do PL
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou sua saída da presidência da ala feminina do Partido Liberal (PL), afirmando que pretende se afastar da política partidária para dedicar mais tempo aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi comunicada poucos dias depois de Michelle tornar públicas as divergências com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado, ampliando a crise interna na principal legenda da direita brasileira, informa Página/12. Segundo pesquisa Bloomberg/Atlas, imensa maioria dos bolsonaristas (82%) rejeitam a candidatuda da ex-primeira-dama à Presidência, cujo vídeo com críticas ao senador foi rechaçado por 65,6%.
Vacina contra malária
Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram proteínas do parasita Plasmodium que poderão contribuir para o desenvolvimento de uma vacina mais completa contra a malária, informa Prensa Latina. O estudo, divulgado pela revista científica Nature e repercutido pela Agência Brasil, representa um avanço na busca por um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies do parasita e atuar em várias fases da infecção.
Segundo os pesquisadores, a descoberta abre uma nova perspectiva para o combate a uma das doenças infecciosas que mais afetam regiões tropicais e subtropicais do planeta. Segundo os autores da pesquisa, o principal avanço do trabalho é demonstrar que uma futura vacina poderá atuar simultaneamente na fase hepática e na fase sanguínea da infecção, além de proteger contra diversas espécies do parasita, superando algumas limitações dos imunizantes atualmente disponíveis.
Brasil e França reforçam cooperação para combater narcotráfico
Brasil e França firmaram nesta quinta-feira (2) um acordo para ampliar a cooperação em segurança na região de fronteira entre os dois países, com foco no combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e aos crimes ambientais, informa a EFE. A medida foi oficializada durante a visita do ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, a Brasília, onde os dois governos assinaram um roteiro de cooperação destinado a fortalecer o intercâmbio de informações e as ações conjuntas na faixa de fronteira compartilhada entre o Brasil e a Guiana Francesa.
A cooperação ocorre em um contexto de crescente atuação de facções brasileiras na Guiana Francesa, território ultramarino da França que possui cerca de 730 quilômetros de fronteira com o Brasil. Após a assinatura do acordo, Jean-Noël Barrot informou que visitará a região de fronteira para acompanhar os avanços das operações contra o tráfico de drogas, o garimpo ilegal de ouro e os crimes ambientais. Ao final da cerimônia, os chanceleres trocaram camisas das seleções de Brasil e França, ambas classificadas para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Em tom descontraído, Barrot desejou: “Que vença o melhor.”
“Ganhe mais um partida, pelo amor de Deus”
“Ganhe mais uma partida, pelo amor de Deus”, diz Lula ao técnico da seleção brasileira Carlo Ancelotti. Brasil enfrenta Noruega no próximo domingo, às 17h, destaca a Ansa.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Cobre política e cultura, confira aqui.
