No desfile global, Brasil fortalece economia, amplia alianças e enfrenta o cerco imperial

Soberania impulsiona onda nacionalista e economia brasileira vive “momento dourado”, destaca a imprensa internacional. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
POR JOANNE MOTA
Segundo reportagem do La Política Online, a economia brasileira atravessa um momento excepcional, combinando crescimento, geração de empregos e forte atração de capital estrangeiro. Apenas em janeiro de 2026, o Brasil recebeu cerca de US$ 5 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, superando todo o volume registrado ao longo de 2025.
A reportagem aponta que, sob o governo Lula, o país criou 1,7 milhão de postos de trabalho, elevou o poder de compra da população e manteve a inflação em torno de 4% ao ano, com déficit público de apenas 0,4%. Esse cenário impulsionou a Bolsa de Valores de São Paulo, cujo índice Bovespa acumulou alta de quase 15% no início de 2026.
Diante desse cenário, os economistas afirmam que o sólido desempenho do mercado bursátil brasileiro é resultado de uma convergência de fatores internos e externos, e não de um evento isolado graças a melhora significativa na percepção de risco do investidor global em relação ao Brasil.
A reportagem também contrasta o cenário brasileiro com o da Argentina sob o governo Milei, marcada por queda do poder aquisitivo, fechamento de empresas e instabilidade financeira. Para Mendes, “a diferença de desempenho não elimina riscos, mas coloca o Brasil em posição mais favorável entre os mercados emergentes”.
Outro ponto destacado é a expectativa de redução gradual da taxa Selic, diante do controle inflacionário. “Com inflação mais baixa e juros reais ainda elevados, o Brasil oferece uma combinação rara de menor risco e alta rentabilidade”, explicou o economista.
O café nas paradas de sucesso
De acordo com o Global Times, o Brasil caminha para registrar a maior safra de café de sua história em 2026. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam uma produção estimada de 66,2 milhões de sacas, um crescimento de 17,1% em relação a 2025.
A publicação aponta que o resultado é fruto de condições climáticas favoráveis, expansão da área plantada e maior uso de tecnologia e boas práticas agrícolas. A produtividade média deve chegar a 34,2 sacas por hectare, aumento de 12,4% em relação ao ciclo anterior.
O café arábica deve alcançar 44,1 milhões de sacas, enquanto o conilon pode chegar a 22,1 milhões, ambos com possibilidade de novos recordes históricos. Estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rondônia lideram o crescimento.
Apesar da queda no volume exportado em 2025, o Brasil obteve US$ 16,1 bilhões em receita, impulsionada pela alta de 57,2% nos preços internacionais. Para 2026, a expectativa é de manutenção dos preços elevados, devido à alta demanda global e aos baixos estoques mundiais.
Enquanto isso, na África
A estatal brasileira Petrobras anunciou sua participação em um novo bloco exploratório de petróleo e gás na Namíbia, África. A informação foi divulgada pela Prensa Latina.
Segundo a empresa, a Petrobras adquiriu 42,5% de participação no Bloco 2613, localizado na bacia de Lüderitz, em parceria com a francesa TotalEnergies, que também deterá 42,5% e será a operadora do projeto. O restante será dividido entre empresas locais.
Em comunicado oficial, a Petrobras afirmou que a iniciativa marca seu retorno à Namíbia e está alinhada ao Plano de Negócios 2026–2030, que busca diversificar áreas de exploração e reforçar a reposição de reservas.
O bloco possui cerca de 11 mil km² e está em uma região considerada de alto potencial energético, após recentes descobertas na margem atlântica africana. A operação ainda depende de autorizações regulatórias do governo namibiano.
Luchemos!
Em entrevista repercutida pela ANSA Brasil, o presidente Lula afirmou que a situação pessoal de Nicolás Maduro não é a principal preocupação do Brasil. Segundo Lula, “a preocupação principal é fortalecer a democracia na Venezuela e criar condições para que o povo volte ao país”. O presidente também destacou a necessidade de geração de empregos e da retomada da produção da PDVSA.
Lula reforçou que a América do Sul deve seguir como zona de paz, rejeitando intervenções externas. “O que queremos é crescer economicamente, fortalecer a democracia e melhorar a vida de milhões de latino-americanos”, afirmou.
Brasil e Rússia e a cooperação Sul-Sul
O presidente Lula se reuniu com o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin para ampliar o comércio bilateral. A informação foi divulgada pelo Nodal.
Durante o encontro, Lula destacou que o comércio entre os dois países ainda não reflete o tamanho de suas economias. Segundo a presidência brasileira, o presidente “ressaltou a urgência de fortalecer o multilateralismo” e de criar mecanismos de acompanhamento para acelerar resultados concretos.
A reunião reforça a estratégia brasileira de diversificação de parcerias internacionais e fortalecimento do Sul Global.
Mulheres camponesas do Brasil
A Prensa Latina noticiou o agradecimento do governo cubano ao Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) do Brasil, que manifestou solidariedade diante das novas sanções impostas pelos Estados Unidos. Em nota, o MMC denunciou a ordem executiva de Donald Trump que tenta asfixiar Cuba, classificando-a como ingerência externa. O movimento afirmou que Cuba é “referência histórica de soberania, saúde pública, educação e empoderamento das mulheres”.
Festival Bonito CineSur
Também pela Prensa Latina, o Brasil foi destaque no campo cultural com o anúncio da quarta edição do Bonito CineSur, que ocorrerá entre julho e agosto de 2026, no Mato Grosso do Sul.
Segundo o idealizador Nilson Rodrigues, o festival nasce da constatação de que “a América do Sul produz cinema de qualidade, mas se conhece pouco”. O evento busca fortalecer a circulação de obras e o diálogo entre os países da região.
Com mostras competitivas e foco também em cinema ambiental, o festival se consolida como espaço político e cultural de integração sul-americana.

Jornalista, pós-graduada em Mídia, Política e Sociedade; Mestranda na Área de Comunicação, Cultura Digital e Tecnologia, pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas e Sociais da Universade Federal do ABC (UFABC); pesquisadora do Grupo Observa da UFABC; e membro do Grupo de Trabalho “Cultura e Sociedade”, da Fundação Maurício Grabois.
