Brasil gera 137,3 mil novos empregos em janeiro, acima do esperado

A economia brasileira criou quase três vezes mais empregos formais em janeiro do que o esperado, desafiando os indicadores econômicos recentes que apontam para uma desaceleração. De acordo com os dados do Ministério do Trabalho divulgados nesta quarta-feira, a maior economia da América Latina criou um número líquido de 137.303 empregos formais em janeiro, superando em muito a previsão de 48.000 empregos prevista em uma pesquisa da Reuters com economistas. O resultado foi impulsionado pelo setor industrial, que sozinho criou 70.428 empregos, superando o setor de serviços, que tradicionalmente ocupa o primeiro lugar como o maior criador de empregos no país.
Os números fracos do setor de serviços, da produção industrial e das vendas no varejo em dezembro sugeriram uma desaceleração econômica que, se confirmada, poderia levar o banco central a adotar uma postura menos agressiva para controlar a inflação. Os formuladores de políticas aumentaram as taxas de juros em 275 pontos-base desde o início do ciclo de aperto em setembro, elevando-as para 13,25%, e já sinalizaram um aumento de 100 pontos-base para a próxima reunião de política de março. Os economistas pesquisados semanalmente pelo banco central projetam que as taxas terminarão este ano em 15%. (Reuters)
PÉ-DE-MEIA
O governo do presidente Lula começou a depositar as primeiras parcelas do programa ‘ Pé-de-Meia ‘ na terça-feira, conforme anunciado em rede nacional na segunda-feira. Durante a fala, o presidente também anunciou que os medicamentos incluídos no programa ‘ Farmácia Popular ‘ passariam a ser gratuitos. “Após dois anos reconstruindo um país destruído, estamos trabalhando duro para levar prosperidade a todo o Brasil, especialmente àqueles que mais precisam”, disse Lula, que assumiu o cargo em janeiro de 2023 após o governo do líder de extrema direita Jair Bolsonaro. O presidente progressista, que ainda não confirmou sua candidatura para uma possível reeleição em 2026, fez uma breve mensagem televisionada na qual apresentou as duas iniciativas de seu gabinete sobre educação e saúde, partes integrantes de uma administração que usa os gastos públicos para redistribuir a renda. (Página 12)
O FISCAL
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse nesta quarta-feira que o governo não tomará nenhuma medida excepcional para impulsionar o crescimento econômico e reafirmou seu compromisso com a estrutura fiscal do país. Costa disse em um evento organizado pelo banco de investimentos BTG Pactual que qualquer medida necessária para que o governo cumpra as regras fiscais será tomada. Ele também expressou otimismo com relação à moeda brasileira. (Reuters)
BRICS
O Brasil vai facilitar o desenvolvimento de sistemas de pagamento seguros no âmbito de sua presidência no BRICS em 2025, disse o presidente Lula na reunião dos Sherpas do BRICS realizada em Brasília. “O Brasil vai, durante o período de sua presidência, desenvolver plenamente <…> sistemas de pagamento transparentes e seguros”, disse. O líder brasileiro também pediu aos países do BRICS que impulsionem o comércio bilateral para que a associação tenha laços ainda mais fortes. “A comunidade do BRICS se tornou o motor de mudanças positivas em nossos países e no mundo todo”, enfatizou Lula da Silva. “Ao mesmo tempo, enfrentamos tarefas para aumentar a coordenação [dos esforços entre os membros do BRICS]”, acrescentou. (Tass)
O grupo do Brics está “mais relevante do que nunca” e é uma “abordagem multilateral (…) para as limitações do sistema de comércio multilateral baseado em regras”, disse o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, na terça-feira, enquanto o país sul-americano se prepara para sediar a cúpula do bloco em julho. Falando em Brasília antes de uma reunião importante dos negociadores do Brics, Vieira enfatizou a crescente influência do bloco e descartou a pressão externa, dizendo que o grupo continua comprometido com o fortalecimento da cooperação entre as economias emergentes. Seus comentários foram feitos no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensifica as ameaças de impor tarifas elevadas às nações do Brics. Ao falar com a imprensa na Casa Branca na semana passada, Trump alertou novamente sobre as repercussões comerciais sobre qualquer país do Brics que esteja buscando reduzir a dependência do dólar americano no comércio. (South China Morning Post)
VALE/ CONTAMINAÇÃO
O Ministério Público Federal do Brasil está processando a gigante mineradora Vale, o governo brasileiro e o estado amazônico do Pará por causa da contaminação por metais pesados nos corpos dos indígenas Xikrin. A ação civil, ajuizada na sexta-feira e divulgada esta semana, alega contaminação pela mineração de níquel da Vale na unidade de Onca-Puma, com o rio Catete levando a poluição da mina para o território indígena. Em 2022, a empresa e os Xikrin chegaram a um acordo de indenização mensal, mas ele não cobria questões de saúde, de acordo com a acusação. Um estudo da Universidade Federal do Pará, realizado na primavera passada em aldeias da Terra Indígena Xikrin do Cateté, encontrou níveis perigosamente altos de metais pesados, incluindo chumbo, mercúrio e níquel, no cabelo de praticamente todas as 720 pessoas pesquisadas. Temendo a contaminação da água do rio, os Xikrin estão usando água engarrafada para seus filhos e comprando peixes nos mercados municipais. (Independent)
BOLSONARO
Em entrevista ao site Leo Dias, Bolsonaro, político de extrema-direita, voltou a afirmar que não está pensando em ninguém além de si mesmo para concorrer à presidência. “Meu sucessor sou eu mesmo. Não há nenhuma razão para que eu não possa concorrer nas eleições do ano que vem”, ressaltou Bolsonaro. Apesar de ter sido considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por oito anos (até 2030), ele reitera que não cometeu nenhum crime. “Estou com a consciência tranquila, sou inelegível por quê? Me considero com 70 anos, mais tempo no retrovisor do que no para-brisa. Acho que vale a pena o sacrifício”, argumentou o ex-militar. Por unanimidade, o TSE decretou a inelegibilidade de Bolsonaro e do general reformado Walter Braga Netto, candidatos à presidência e à vice-presidência nas eleições de 2022. (Prensa Latina)
O Centro Latino Americano de Análise Estratégica traz o título “Brasil: Golpe de Estado de Bolsonaro acrescenta mais evidências”. A conspiração civil-militar que planejou o golpe de Estado no Brasil em 8 de janeiro de 2023 está sendo exposta a cada dia por uma quantidade esmagadora de evidências. Desta vez, são novos áudios e vídeos enviados uns aos outros pelos conspiradores que seguem Jair Bolsonaro. O programa Fantástico, da TV Globo, revelou documentos que reforçam as evidências de uma conspiração para depor o atual presidente uma semana após sua posse. (Página 12)
MARÇAL
O judiciário brasileiro condenou o candidato de extrema-direita Pablo Marçal a uma sentença de inelegibilidade de oito anos. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo considerou Marçal culpado de abuso de poder político e econômico, uso indevido da mídia e arrecadação ilegal de fundos em relação à sua campanha para prefeito de São Paulo no ano passado, na qual ele ficou em terceiro lugar e esteve muito próximo do segundo turno. (La Política Online)
TRUMP /É GOLPE
Da imprensa local, destaque para reportagem de Patricia Campos Mello, na Folha de S.Paulo. Informa que historiadores e cientistas políticos passam a chamar de golpe ações de Trump. “Figuras da esquerda à centro-direita, como Martin Wolf, Anne Applebaum e Timothy Snyder, acreditam que o republicano já esteja rompendo ordem constitucional nos EUA”. “É claro que é um golpe”, escreveu Snyder, professor da Universidade Yale e autor de “Sobre a Tirania”, que popularizou o conceito de “obediência antecipada” a tiranos.
Imagem de Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
