BTG/Nexus: Lula mantém liderança sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno
Presidente tem 41% das intenções de voto contra 37% do candidato da extrema direita; em eventual segundo turno, diferença cai para um ponto percentual. (Foto: Ricardo Stuckert/ PR)
POR TATIANA CARLOTTI
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na corrida presidencial, com 41% das intenções de voto, contra 37% do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo a 11ª edição da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (24). Lula manteve o mesmo percentual da pesquisa anterior, enquanto Flávio avançou um ponto percentual, informa a agência cubana Prensa Latina e a britânica Reuters.
Na sequência aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), ambos com 3%. Augusto Cury (Avante) registra 2% e Samara Martins (Unidade Popular), 1%. Outros 5% dos entrevistados afirmaram que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 3% não souberam ou não responderam. Em outro cenário, com a inclusão de Pablo Marçal, Lula aparece com 40%, ante 34% de Flávio Bolsonaro.
A disputa fica mais apertada em uma eventual segunda volta entre Lula e Flávio. Nesse cenário, o presidente registra 46% das intenções de voto, contra 45% do senador, uma diferença de apenas um ponto percentual e, portanto, dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais.
O levantamento também aponta um elevado grau de consolidação do voto. Entre os entrevistados que escolheram algum candidato no primeiro turno, 80% afirmaram que já tomaram sua decisão e não pretendem mudá-la até as eleições. Entre os eleitores de Lula, 88% consideram o voto definido, percentual que chega a 86% entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro. Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados, Lula registra 38%, contra 31% de Flávio.
A pesquisa ouviu por telefone 2.006 eleitores das 27 unidades da Federação entre os dias 21 e 23 de agosto. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Lula e Erdogan acertam criação de conselho estratégico entre Brasil e Turquia
O presidente Lula conversou com seu homólogo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, sobre a criação de um Conselho Estratégico, em nível vice-presidencial, para aprofundar as relações entre os dois paìses, segundo informações da Agência Brasil. Um dos principais temas da conversa foi a ampliação da cooperação na área de Defesa.
Segundo nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Lula afirmou que o Brasil pretende aumentar os investimentos no setor e manifestou interesse em estimular parcerias entre empresas brasileiras e turcas. Os dois presidentes também celebraram a recente ratificação, pelos parlamentos dos dois países, do Acordo de Cooperação em Indústria de Defesa.
Lula e Erdogan também discutiram os conflitos internacionais e lamentaram a continuidade das guerras. Eles “enfatizaram a importância de intensificar o diálogo para encontrar caminhos para a paz na Ucrânia e no Oriente Médio”. Erdogan defendeu ainda um modelo de cooperação econômica entre Brasil e Turquia capaz de aumentar a prosperidade das populações dos dois países, mesmo diante do avanço de tendências protecionistas no cenário internacional.
Durante a conversa, Erdogan convidou Lula para participar da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), prevista para novembro, em Antália, no sul da Turquia. O presidente brasileiro aceitou o convite.
Lula na Record
A entrevista de Lula concedida à jornalista Mariana Godoy, para o Domingo Espetacular da TV Record, superou a audiência do primeiro debate eleitoral, transmitido pela Band. Nela, o presidente Lula criticou os candidatos que apostam nas redes sociais para chegar à Presidência, apontando deterioração do debate político nas redes sociais. As informações são das agências italiana ANSA, cubana Prensa Latina e venezuelana teleSUR.
Lula também afirmou manter uma relação “civilizada” com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele disse que as conversas com Trump têm ocorrido de forma respeitosa, apesar das divergências entre os dois governos. “Tenho frequentemente a impressão de que, nas relações políticas, Trump é melhor que seus assessores; minha conversa com Trump é muito civilizada, tanto da minha parte quanto da dele”, declarou. O presidente disse, porém, que persistem no segundo escalão do governo norte-americano ações que considera inaceitáveis e criticou qualquer tentativa de interferência em assuntos internos brasileiros. Lula também demonstrou uma avaliação positiva das negociações comerciais entre os dois países.
Na entrevista, Lula também criticou o que considera uma perda de qualidade do debate político na era das redes sociais. Ao recordar a eleição presidencial de 1989 e adversários como Ulysses Guimarães e Leonel Brizola, afirmou que atualmente há pessoas que confundem notoriedade digital com preparo para governar. “Há gente que acha que pode se candidatar por causa da internet. Há gente que acha que fazer piadas na internet ou causar sensação na internet lhe dá o direito de ser presidente da República. Ser presidente é outra coisa. É tomar decisões sobre assuntos sérios”, afirmou, segundo a teleSUR. Lula também defendeu a participação eleitoral e alertou para os riscos do afastamento da população da política.
A entrevista também abordou economia, emprego, segurança pública e as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Lula afirmou que não pretende interferir nas apurações da Polícia Federal e que, se Lulinha tiver cometido irregularidades, deverá responder por elas. “Se você é inocente, prove. Isso vale para o meu filho. Meu filho sabe, se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado. Mas ele tem que provar a inocência dele.”
Lula também enfatizou que “ninguém está acima da lei” e afirmou que qualquer pessoa que tenha agido de forma errada deve ser investigada, inclusive seu filho. “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, frisou.
O debate da Band teve as ausências de Lula e de seu principal adversário na disputa, o senador Flávio Bolsonaro (PL), além de Romeu Zema (Novo), reunindo Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Primeiro comício no Rio
Em seu primeiro comício da campanha à reeleição no Rio de Janeiro, em Bangu, no último sábado (22/08), o presidente Lula colocou educação entre as prioridades e defendeu ampliação dos investimentos públicos no setor. Ele defendeu a ampliação do ensino em tempo integral nas escolas públicas brasileiras, destaca reportagem do Brasil de Fato, reproduzida no Resumen Latinoamericano.
“O primeiro é continuar fortalecendo a educação. Vamos implementar a escola em tempo integral em todas as escolas públicas do país”, afirmou Lula. Segundo o presidente, a ampliação da jornada escolar permitiria aos pais trabalhar com maior tranquilidade e, ao mesmo tempo, aumentaria o acesso dos estudantes a atividades educacionais e culturais. “A nossa disjuntiva é: ou investimos em educação hoje, investimos em escolas, ou teremos que investir em presídios amanhã”, declarou.
Lula também mencionou políticas de expansão do acesso ao ensino superior e à educação profissional implementadas durante os governos petistas, como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a criação de unidades dos institutos federais. O presidente destacou ainda o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro destinado a estudantes do ensino médio público.
Para defender o investimento em educação, Lula comparou os gastos públicos com estudantes e com o sistema penitenciário. Segundo ele, um aluno de engenharia espacial da Universidade Federal do ABC (UFABC) custa cerca de R$ 20 mil por ano, enquanto a manutenção de uma pessoa presa em unidades de segurança máxima chega a R$ 35 mil ou R$ 40 mil anuais. “E quando alguém disser que investir em educação é caro, você pergunta: ‘Quanto custou não investir?’”, afirmou.
O presidente também relacionou a educação à autonomia financeira, ao acesso ao trabalho e à melhoria das condições de vida. “Meu sonho é que as meninas estudem para que possam ser independentes e ganhar um bom salário; e que os meninos estudem para que possam ganhar um salário melhor, ter um emprego de qualidade, constituir uma família e viver com dignidade”, declarou.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022, cobrindo política e cultura (confira aqui). Atua também em Opera Mundi, cobrindo política internacional. Tem passagem por Carta Maior e Blog Zé Dirceu. É doutora em Semiótica (USP-SP), mestre em Crítica Literária (PUC-SP) e graduada em História (USP-SP).
