Condenação de Bolsonaro faz história ao responsabilizar um golpista, diz editorial do Financial Times

Condenação de Bolsonaro faz história ao responsabilizar um golpista, diz editorial do Financial Times

Bolsonaro é notícia nesta quarta-feira na imprensa internacional. Editorial do britânico Financial Times afirma que o processo judicial que o culpabilizou pela tentativa de golpe fortalece a democracia brasileira. O FT também traz reportagem sobre os possíveis sucessores políticos do ex-presidente de extrema-direita e inúmeros jornais noticiaram seu câncer de pele divulgado nesta tarde. Na imagem, ilustração da pena determinada a Bolsonaro.

O Supremo Tribunal Federal do Brasil fez história ao considerar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete co-réus, em sua maioria ex-oficiais militares de alto escalão, culpados na semana passada por conspirar para dar um golpe. Na tumultuada história política do Brasil, nenhum líder golpista jamais havia sido levado à justiça por tentar derrubar um governo. O sucesso do processo judicial contra a conspiração fortalece os alicerces da democracia no país, afirma o jornal britânico Financial Times, em editorial publicado nesta quarta-feira.

“Com a democracia sitiada por populistas autoritários em vários continentes, o caso é um exemplo importante de como uma grande nação em desenvolvimento consegue manter o Estado de Direito diante da forte pressão de um líder eleito empenhado em subvertê-lo”, afirma o FT.

Para o FT, o julgamento não foi perfeito. Uma audiência perante o tribunal completo, composto por 11 membros, teria dado ao veredicto maior legitimidade. Em vez disso, o caso histórico foi julgado por um painel de cinco juízes, incluindo o ex-advogado pessoal do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu ex-ministro da Justiça e uma vítima pretendida da conspiração. A defesa reclamou que a rapidez do processo a impediu de analisar um grande volume de provas eletrônicas. Um veredicto dissidente de 429 páginas de um juiz, Luiz Fux, rejeitou as acusações e decidiu que o caso deveria ter sido julgado por um tribunal inferior.

Lembra ainda que Bolsonaro busca o apoio de Trump. Washington já impôs tarifas de 50% sobre a maioria das exportações brasileiras devido ao que o presidente dos EUA chamou de “caça às bruxas” contra seu aliado.

HERDEIROS DE BOLSONARIO

O Financial Times publica também reportagem com o título “A sucessão da direita no Brasil: a busca por um novo Bolsonaro”. Governador de São Paulo e familiares de Bolsonar estão entre os possíveis herdeiros do populista de extrema direita condenado à prisão.

Ele era o “Trump dos Trópicos”: um outsider com uma mensagem radical contra o sistema, que conquistou a maior democracia da América Latina e ganhou um grande número de seguidores antes de assumir uma presidência tumultuada. Mas com Jair Bolsonaro, de 70 anos, agora condenado a 27 anos de prisão por tentar um golpe, os conservadores brasileiros precisam encontrar um sucessor para liderar a direita nas eleições do ano que vem.

Enquanto enfrenta problemas de saúde e a ameaça de prisão, alguns aliados acreditam que o ex-líder pode optar pragmaticamente por um candidato que não seja da família, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com amplo apelo para derrotar o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva. O FT traz um perfil dos possíveis escolhidos: Carlos, Flavio, Michelle, Tacísio, Caiado, Zema.

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SAÚDE DE BOLSONARO

O laudo médico do ex-presidente Jair Bolsonaro, divulgado nesta quarta-feira (17), aponta um quadro de carcinoma — tipo comum de câncer de pele — nas lesões que foram retiradas durante procedimento cirúrgico no último domingo (14).

Para o Independent é câncer em estágio inicial, segundo os médicos.

Bolsonaro recebeu alta no início da tarde desta quarta, após passar a noite internado por conta de um quadro de pressão alterada, vômitos e tontura.

O ex-presidente foi tratado com medicamentos por via endovenosa e recebeu hidratação. Com isso, apresentou melhoras dos sintomas e da função renal, segundo o boletim médico.

A mídia lembra que ele foi condenador a mais de 27 anos pela tentativa de golpe de Estado.

(Independent / AFP / TASS / South China Morning Post / Le Monde / Libération / El Tiempo / Clarín)

Íntegra do boletim médico divulgado nesta quarta-feira:

Brasília, 17 de setembro de 2025 – O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi admitido no Hospital DF Star na tarde do dia 16 de setembro, devido a quadro de vômitos, tontura, queda da pressão arterial e pré-síncope. Apresentou melhora dos sintomas e da função renal após hidratação e tratamento medicamentoso por via endovenosa. O laudo anátomo patológico das lesões cutâneas operadas no domingo mostrou a presença de carcinoma de células escamosas “in situ”, em duas das oito lesões removidas, com a necessidade de acompanhamento clínico e reavaliação periódica. Recebe alta hospitalar, mantendo o acompanhamento médico.

COP30: ONU aumenta apoio financeiro a países mais pobres

A ONU concederá mais recursos financeiros aos países de baixa renda para ajudá-los a participar da COP30, a cúpula global sobre o clima que acontecerá no Brasil em novembro deste ano, tendo em vista os custos crescentes de hospedagem na cidade amazônica de Belém. Durante meses, o Brasil resistiu aos apelos para transferir a conferência para fora de Belém e o presidente Lula não demonstrando disposição para voltar atrás em sua promessa de apresentar a floresta amazônica ao mundo na COP30.

A Comissão Internacional do Serviço Civil da ONU, que decide sobre o “subsídio diário de subsistência”, concordou em aumentá-lo para Belém, após um pedido da secretaria climática da ONU, disse um porta-voz da secretaria à Reuters.

De acordo com um comunicado divulgado pela presidência brasileira da COP30, o subsídio foi aumentado de US$ 144 para US$ 197 para 144 países em desenvolvimento. O subsídio cobre dois ou três delegados por país, e 374 delegados no total.

A decisão foi anunciada nesta quarta-feira durante a terceira reunião entre o órgão climático da ONU, a UNFCCC, e representantes do Brasil para discutir como aliviar o que se tornou uma grave crise de acomodação, com hotéis cobrando de 10 a 15 vezes suas tarifas normais durante o período da conferência. (Reuters)

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