Copa do Mundo começa no México; Lula aposta em vitória no sábado

Copa do Mundo começa no México; Lula aposta em vitória no sábado

Copa do Mundo começou nesta quinta-feira (11/06) com vitória de dois a zero do time mexicano sobre África do Sul. Presidente Lula afirma que se Brasil ganhar de ‘meio a zero’ no próximo sábado contra o Marrocos ‘já está bom’. (© Marcelo Camargo/Agência Brasil)

POR TATIANA CARLOTTI

A Copa do Mundo começou nesta quinta-feira (11/06) na Cidade do México com a vitória do México, país anfitrião do evento, sobre a África do Sul por 2 x 0. A festa de abertura antecedeu a partida reunindo mais de 85 mil pessoas no Estádio Azteca – rebatizado de Estádio Banorte – onde ocorreram as Copas de 1970 e 1986, destaca a Agência Brasil.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quarta-feira (10/06) que está confiante na vitória da seleção brasileira que estreia em jogo contra o Marrocos no próximo sábado, em Nova Jersey. O mandatário disse que seu “palpite” é favorável ao Brasil e declarou que até vitória por placar mínimo já seria suficiente. “Sinceramente, meu palpite é que o Brasil vai ganhar (…) eu quero que o Brasil ganhe e se ganhar por um a zero ou meio a zero, já está bom.”

Lula comentou os protestos que ocorreram no México às vésperas da abertura do evento. “Agora mesmo no México está ocorrendo algo parecido com o que aconteceu no Brasil em 2013. Todos se lembram que uma simples reivindicação contra o aumento de 20 centavos no transporte foi o pretexto para que a extrema direita tomasse as ruas”, disse, ao acrescentar: “a partir daquilo a extrema direita tirou proveito e acabou no impeachment contra Dilma”, destaca a italiana Ansa. Ele também sugeriu que as tensões em torno do Mundial do México podem ter motivações impulsionados “pelo dedo de alguém, que talvez não seja mexicano”.

Conversa com Sheinbaum

Lula conversou com a presidenta mexicana Claudia Sheinbaum por telefone na quarta-feira (10/06), informa La Jornada. Eles discutiram compromissos assumidos nos últimos meses em matéria de cooperação política e econômica e destacaram avanços na agenda energética, incluindo negociações envolvendo biocombustíveis e a possibilidade do acordo entre a estatal mexicana Pemex e a brasileira Petrobras. Os líderes também conversaram sobre cooperação em saúde, turismo, administração pública, ciência, tecnologia e inovação.

Durante o telefonema, eles enfatizaram princípios como soberania nacional, não intervenção e respeito ao direito internacional em um contexto de crescente atrito diplomático com os Estados Unidos. A reportagem destaca que o governo brasileiro considera injustificadas as ameaças tarifárias dos Estados Unidos e vê nelas elementos de pressão política. O texto aborda a posição conjunta de Brasil e México em defesa de Cuba e contra sanções unilaterais, classificadas como mecanismos de coerção internacional.

“Quando desde o exterior se dita quem é culpado e quem não é, já não falamos de cooperação; estamos falando de ingerência”, afirmou Sheinbaum. Lula, por sua vez, reiterou que “o Brasil não será tratado como uma republiqueta insignificante”. Durante evento no Itamaraty, o presidente brasileiro criticou o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Já o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disse a jornalistas que a reunião entre o presidente Lula e o presidente Donald Trump no Cumberland do G7 não estava confirmada, e que provavelmente ocorreria na próxima semana na França. As informações são da Ansa e El Debate.

Veja Também:  Brasil eleva mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%

Pacote ambiental bilionário

Nesta quinta-feira (11/06), o presidente brasileiro anunciou um conjunto de medidas ambientais voltadas ao combate às mudanças climáticas e à promoção do desenvolvimento sustentável. O pacote prevê investimentos de cerca de 3,87 bilhões de reais destinados ao fortalecimento de órgãos ambientais e à recuperação de áreas degradadas. Lula destacou que “nunca antes haviam sido adotadas tantas decisões relacionadas à agenda ambiental em um único dia”, atribuiundo os avanços à “teimosia” das organizações ambientalistas, de setores da sociedade civil e do Ministério do Meio Ambiente. “Poucas vezes um país conquistou em tão pouco tempo a respeitabilidade (ambiental) como o Brasil conquistou”, salientou.

Em visita ao Observatório Regional Amazônico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, em Brasília, o presidente destacou a redução do desmatamento nos diferentes biomas brasileiros e argumentou ser possível combinar produção agrícola com preservação ambiental. Também foram sancionadas leis relacionadas ao pagamento por serviços ambientais e à recuperação da caatinga.

Lula disse que mostrará ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que sua justificativa para impor tarifas ao país por desmatamento é infundada, considerando a redução histórica de 37,5% na destruição da floresta amazônica nos últimos dez meses. “Minha guerra é narrativa, é sobre provar que estamos certos, mas não queremos lutar, queremos respeito!”, declarou.

Além da queda de 37,5% no desmatamento da Amazônia, registrada entre agosto de 2025 e maio de 2026, a exploração madeireira foi reduzida em 8,2% no Cerrado, informa a EFE. Lula reiterou a meta brasileira de alcançar o desmatamento zero até 2030. No mês de maio, o desmatamento na Amazônia reduziu em 61,4% na comparação do mesmo período no ano anterior, informa a Agência Brasil.

Lawfare contra Zapatero

O artigo de opinião de Zainer Pimentel, no jornal El Salto, traça paralelos entre os processos judiciais enfrentados por Lula no Brasil e as investigações envolvendo o ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Pimentel sustenta que a ofensiva contra Lula começou ainda nos primeiros anos de governo petista, citando o mensalão e posteriormente a Operação Lava Jato, quando setores do Judiciário, do Ministério Público, da polícia e da mídia atuaram de forma coordenada para enfraquecer as lideranças petistas abrindo espaço para o avanço da direita e extrema-direita.

O texto dedica atenção especial ao papel do ex-juiz Sergio Moro, apontado como figura central da estratégia de lawfare que culminou na prisão de Lula em 2018 e na ascensão de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar por tentativa de golpe. A publicação argumenta que procedimentos semelhantes estariam sendo utilizados atualmente contra Zapatero, combinando investigações judiciais, vazamentos e forte exposição midiática. Pimentel afirma que a esquerda espanhola deveria reagir de forma semelhante à esquerda brasileira durante a Lava Jato, denunciando o que considera uma instrumentalização política do sistema judicial.