Coreia do Sul e Brasil comemoram “novo salto” nas relações durante visita de Lula a Seul

Coreia do Sul e Brasil comemoram “novo salto” nas relações durante visita de Lula a Seul

A visita oficial do presidente Lula à Coreia do Sul nesta segunda-feira rendeu reportagens em diversos veículos da mídia internacional, com foco em acordos que incluem materiais raros e agronegócio. O título deste levantamento é a tradução da nota da Bloomberg, que resume bem o espírito do encontro entre Lula o presidente sul-coreano Lee Jae Myung.

O presidente Lula se reuniu nesta segunda-feira com o presidente sul-coreano Lee Jae Myung quando concordaram em expandir a cooperação em setores como comércio, minerais essenciais, tecnologia e cultura. Os líderes planejam elevar a relação bilateral a uma parceria estratégica e que os países trabalhem juntos para apoiar a estabilidade na Península Coreana, disse Lee.

“A paz, construída em condições em que o conflito não é necessário, é a forma mais forte de segurança”, afirmou o presidente sul-coreano em uma coletiva de imprensa conjunta.

Os líderes supervisionaram a assinatura de 10 memorandos de entendimento abrangendo política comercial e industrial, minerais essenciais, economia digital, incluindo IA, agricultura, saúde e biotecnologia, intercâmbios entre pequenas empresas e policiamento conjunto contra crimes cibernéticos, narcóticos e outras ameaças transnacionais.

O Brasil é o maior parceiro comercial da Coreia do Sul na América do Sul, tornando a cooperação econômica uma parte fundamental da agenda.

Lula disse que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo e depósitos substanciais de níquel, e que seu governo espera atrair investimentos de empresas sul-coreanas.

A cúpula ocorreu em um momento em que os fluxos comerciais globais enfrentam incertezas adicionais em meio à crescente confusão sobre as tarifas dos EUA.

A necessidade de retomar as negociações para concluir um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o bloco comercial Mercosul também foi mencionado. As negociações começaram em 2018, mas foram suspensas devido a divergências sobre a proteção de produtos agrícolas e manufaturados.

“Como ex-trabalhador infantil, você provou com toda a sua vida que a democracia é a ferramenta mais poderosa para o progresso social e econômico”, escreveu Lee sobre Lula. “Apoio sua vida, sua luta e suas conquistas, que permanecerão para sempre na história da democracia global.”

Lula destacou a atual parceria entre os dois países. “O Brasil é o principal destino dos investimentos coreanos na América Latina. Com um intercâmbio de 11 bilhões de dólares, a Coreia é nosso 4º parceiro comercial na Ásia”, observou. “Agora, damos início a um renovado ciclo de desenvolvimento e prosperidade compartilhada”, assinalou o presidente Lula. Ainda questionou a guinada em direção a políticas restritivas na economia global, ressaltando que o retorno ao protecionismo “não tem justificativa”, sem se referir diretamente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante seu discurso no Fórum Empresarial Coreia do Sul-Brasil, na capital sul-coreana. “A resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global e de retorno do protecionismo, depende da diversificação de sua base econômica e de suas relações comerciais”, destacou.

(Reuters / Japan Times / France 24 / Ansa / EFE / Ansa 2)

NOVA TARIFA DOS EUA

“Chega de ameaças à América do Sul e que cessem as ações militares unilaterais no mundo”. Esta é a mensagem clara que o presidente Lula quis transmitir, tendo em vista seu próximo encontro com Trump, que deve ocorrer em março, em Washington. A declaração foi dada ainda na Índia, onde se encontrou com o primeiro-ministro, Narendra Modi, e foram assinados 11 acordos bilaterais entre 18 e 21 de fevereiro. “Quero discutir com Trump qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul, se é ajudar ou mantê-la sob ameaça”, afirmou Lula com determinação, lembrando que a América Latina “é uma zona de paz”.  (Bloomberg / Ansa)

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*”Nova tarifa de Donald Trump é um impulso para a China e o Brasil”, diz o Financial Times

SOLIDARIEDADE A CUBA

Ativistas brasileiros lançaram uma campanha de solidariedade para fornecer painéis solares a escolas em Cuba, arrecadar fundos e destacar o crescente impacto do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos ao país caribenho. A iniciativa é promovida pela Rede Continental Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade com Cuba e Causas Justas, capítulo Brasil, e começou a circular de forma preliminar ontem, afirmou Fernanda Tardim, uma de suas coordenadoras, à Prensa Latina. A apresentação oficial da iniciativa acontecerá depois de amanhã, virtualmente e com a participação de artistas e intelectuais brasileiros; embora, ressaltou, doações e manifestações de apoio já tenham sido recebidas. Entre as quase 20 organizações e entidades ligadas à campanha estão o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Movimento dos Pequenos Agricultores e a Central Unificada dos Trabalhadores.

BLOOMBERG X FLÁVIO BOLSONARO

Vale citar reportagem da agência da Bloomberg que detona o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, em sua palestra a representantes do mercado financeiro –classificando-a como fracasso retumbante.

*Bloomberg:Flávio Bolsonaro falha em primeiros contatos com investidores” (13/02)

O senador Flávio Bolsonaro não conseguiu causar uma boa primeira impressão nos investidores que busca conquistar, mesmo tendo ascendido como principal candidato de direita nas eleições presidenciais deste ano.

Uma apresentação crucial feita na conferência de CEOs do BTG Pactual careceu de detalhes e de um plano concreto, segundo quatro participantes do evento que pediram anonimato para falar sobre o assunto. A proposta do candidato — apresentada por vídeo em vez de presencialmente — decepcionou com promessas vagas de cortes de impostos e ajustes na política fiscal, sem representar uma ruptura decisiva com as políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram.

O ceticismo do mercado financeiro não para por aí. Flávio Bolsonaro nomeou repetidamente o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, como conselheiro informal e, em conversas privadas, cogitou a possibilidade de trazer o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, para sua equipe.

No entanto, a realidade é que Guedes prefere permanecer à margem a retornar aos holofotes políticos, segundo pessoas próximas ao ex-ministro. O mesmo vale para Campos Neto, que também se mostra confortável em sua nova função no setor privado, no Nubank. Quanto a Mansueto, ele e Flávio não se falam há cerca de cinco anos, disseram pessoas familiarizadas com o relacionamento entre os dois.

Em vez de aproveitar a oportunidade para apresentar um plano econômico robusto no evento do BTG, Flávio Bolsonaro atacou Lula de forma mesquinha. Chamou o líder de esquerda de “produto vencido” e, comparando-o a um carro, disse que ele “não te leva a lugar nenhum e ainda bebe muito”. No fim das contas, esse tom deixou alguns investidores com uma impressão ainda mais negativa

Na imagem, o presidente Lula, durante a sessão de encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Coreia do Sul em Seul / Ricardo Stuckert / PR

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