EUA promovem audiências sobre tarifas contra Brasil
País se defende perante técnicos do comércio norte-americano afirmando que taxas são aleatórias e pedindo análise de provas apresentadas (Foto: Angelo F. Roesler/ Adobe Stock)
POR TATIANA CARLOTTI
O Brasil participa nesta semana de duas audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, sobre supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Elas integram o processo formal de consultas conduzido pelo USTR antes de uma decisão definitiva sobre a adoção das medidas comerciais, cujo prazo final é o dia 15 de julho.
A primeira, iniciada nesta segunda-feira (06/07) refere-se à proposta de sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros e analisa temas como Pix, tarifas preferenciais, combate à corrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal. A segunda, ocorrida nesta terça-feira (7), envolve 60 países, entre eles o Brasil, e apura supostas falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e à exportação de produtos fabricados com trabalho forçado.
Paralelamente, o governo brasileiro apresentou ao USTR um documento de 29 páginas contestando as acusações e defendendo que as medidas propostas são incompatíveis com as normas do comércio internacional. O texto também rebate críticas ao sistema Pix e outros pontos. Na carta enviada ao USTR, o chanceler Mauro Vieira contestou tanto a sobretaxa de 12,5% relacionada ao combate ao trabalho forçado quanto a tarifa adicional de 25% baseada na investigação comercial contra o Brasil.
Brasília sustenta que as conclusões da USTR ignoram as evidências apresentadas pelo governo brasileiro e violam regras da Organização Mundial do Comércio. Na carta, o ministro “rechaça respeitosamente as conclusões da USTR sobre trabalho forçado, que não levam em conta as provas apresentadas pelo Brasil, o que reforça o caráter arbitrário e incompleto das determinações”, informa a italiana Ansa.
Tesla, Coca-Cola e Nestlé pressionam Trump contra tarifas sobre produtos brasileiros
Grandes empresas norte-americanas e multinacionais com forte atuação nos Estados Unidos pediram ao governo Donald Trump que desista da proposta de impor tarifas adicionais de 25% sobre milhares de produtos brasileiros, informa a La Politica. Segundo documentos apresentados ao USTR, companhias como Tesla, Coca-Cola, Nestlé, eBay, Siemens, Faber-Castell, WEG, Bauducco e CSN alertam que a medida aumentaria custos de produção, prejudicaria cadeias de suprimentos e elevaria preços para consumidores e fabricantes norte-americanos. As manifestações integram as audiências públicas que antecedem a decisão final do governo dos EUA.
A Tesla afirmou que ainda depende de componentes brasileiros essenciais e advertiu que a política comercial deveria “acelerar a competitividade estadunidense, não restringi-la”, ressaltando que a substituição desses fornecedores exigirá tempo e poderá prejudicar tanto a indústria quanto os consumidores. O USTR deverá decidir nos próximos dias se mantém a proposta original ou amplia a lista de exceções solicitadas pelo setor privado.
Flávio Bolsonaro, também participou da audiência, defendendo o Pix, apontado por Washington como uma ameaça injusta a empresas como Visa e Mastercard. “O Pix não é um problema a ser resolvido, é uma solução”, afirmou, destacando que “em apenas 90 dias, o cenário político do país será completamente diferente”, destaca a Reuters.
PGR apoia interrogatório de Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula (teleSUR)
A Procuradoria-Geral da República manifestou apoio ao interrogatório do senador Flávio Bolsonaro no inquérito que apura suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em razão de uma publicação feita na rede X. A investigação teve origem após representação do Partido dos Trabalhadores motivada por publicação feita por Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro de 2026, na qual escreveu: “Lula será exposto, é o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e ditaduras, eleições fraudulentas.”
Segundo o relatório da Polícia Federal, há indícios suficientes para enquadrar a conduta no crime de calúnia. PGR defende o prosseguimento das investigações por considerar que as publicações atribuíram falsamente ao presidente brasileiro crimes relacionados ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no STF, informa a TeleSur.
Polícia Federal miram lavagem de dinheiro no Rio
A Polícia Federal deflagrou a sexta fase da Operação Unha e Carne para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro. A ação cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em diversos municípios fluminenses, além de determinar o bloqueio de bens e a suspensão das atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado. A organização teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões (cerca de US$ 1,5 bilhão) ao longo dos últimos seis anos, informa Prensa Latina.
A fase anterior da investigação, realizada em 2 de julho, teve como alvos o banqueiro clandestino Adilson Oliveira Coutinho Filho, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar, o empresário e pastor Márcio Poncio e o ex-deputado Marco Antônio Cabral, reforçando a ofensiva das autoridades contra esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção.
Ministério Público investiga fraude em licitações da Prefeitura de São Paulo
O Ministério Público do Estado de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (7) a Operação Aire Frío para investigar um suposto esquema de fraude em licitações da Prefeitura da capital paulista envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro, informa Prensa Latina. Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a ação cumpriu mandados de busca e apreensão contra dois ex-servidores suspeitos de direcionar contratos públicos para beneficiar empresas em troca de vantagens indevidas. Segundo as investigações, um dos alvos atuava na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e o outro na Secretaria Municipal das Subprefeituras, tendo ambos sido afastados dos cargos em março deste ano.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que não é alvo da operação e declarou estar colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos. A investigação prossegue para identificar outros possíveis envolvidos e verificar a extensão das irregularidades no processo de contratação pública.
Brasil vê risco de operações militares dos EUA contra facções
O governo brasileiro manifestou preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos utilizarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas para justificar operações em território brasileiro. Em carta enviada ao Congresso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, alertou que a medida pode abrir espaço para ações extraterritoriais norte-americanas e gerar impactos sobre a soberania nacional. O posicionamento ocorre após Washington ampliar sua política de classificação de grupos criminosos como organizações terroristas durante o governo Donald Trump, incluindo cartéis mexicanos e o venezuelano Tren de Aragua.
No documento, Vieira afirma: ““Essa classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras”, acrescenta: “Existe o risco de uso da força militar dos Estados Unidos contra o território nacional”. O governo brasileiro considera a medida “inadequada” do ponto de vista jurídico e sustenta que ela não fortalece a cooperação internacional no combate ao crime organizado, informa a agência EFE.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Cobre política e cultura, confira aqui.
