Galípolo defende BC e elogia governo Lula no caso do Banco Master

O presidente do Banco Central defendeu, nesta segunda-feira, a instituição e seu conselho pela forma como conduziram a liquidação do Banco Master, dizendo que estava grato por ter supervisionado o processo durante o governo do presidente Lula.
Em discurso durante um evento em São Paulo, Gabriel Galipolo disse que Lula reforçou a autonomia do Banco Central e da Polícia Federal no caso, proporcionando a segurança necessária para que as autoridades realizassem seu trabalho de forma independente. O Banco Master detinha menos de 1% dos ativos bancários do Brasil, mas seu colapso em novembro passado chamou a atenção depois que a instituição financeira comercial se expandiu rapidamente com a venda de títulos de alto rendimento comercializados como cobertos pelo fundo de garantia de depósitos FGC.
Galípolo, agradeceu ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e ao presidente Lula pelo apoio à condução do BC para o caso Master, que teve liquidação extrajudicial decretada em novembro.
“Eu agradeço a Deus de estar passando por um processo como esse tendo Lula como presidente”, afirmou, durante evento organizado pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Segundo Galípolo, o apoio fornece “certeza e tranquilidade” para o trabalho de supervisão, além de ajudar pela experiência de Lula. (Reuters / Infomoney)
BRASIL SE SAIU BEM DE TARIFAÇO DE TRUMP
O britânico The Guardian traz reportagem sobre como os países reagiram à “importunação” de Trump, como retaliaram. Enquanto a Europa agiu com cautela, outros países tiveram reação diferente. Índia, Brasil e China enfrentaram coerção econômica semelhante por parte de Trump e conseguiram sobreviver, preservando seus interesses fundamentais. Nesse processo, demonstraram que são atores geoeconômicos sérios, que não podem ser intimidados. Embora suas estratégias fossem diferentes, cada uma combinava três elementos: determinação, resiliência e retaliação. A Europa precisará dos três para resistir a Trump com sua dignidade intacta.
Na mesma época em que o relacionamento com Modi (India) se deteriorou, Trump entrou em conflito com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula “cometeu o pecado de permitir que seu governo processasse seu antecessor, o populista de direita Jair Bolsonaro, por planejar um golpe após sua derrota eleitoral em 2022.” Para tentar forçar Lula a retirar as acusações, Trump impôs tarifas elevadas sobre produtos brasileiros e sancionou o juiz da Suprema Corte que supervisionava o caso de Bolsonaro. A resposta do Brasil centrou-se na adaptação. Em vez de se apressar para recuperar o acesso aos EUA, o governo de Lula agiu rapidamente para se reorientar para outros mercados. Os carregamentos de carne bovina e café que se destinavam aos Estados Unidos foram redirecionados para a China, o Golfo e o sudeste asiático, com o apoio de financiamento estatal e uma coordenação discreta com os compradores. No final do ano, as exportações brasileiras atingiram um recorde, enquanto os consumidores americanos reclamavam do aumento dos preços do café da manhã. Não tendo conseguido forçar a mão de Lula, Trump acabou removendo as tarifas e suspendendo as sanções contra o juiz brasileiro. Ao mostrar a resiliência do Brasil à pressão dos EUA, Lula tirou de Trump sua vantagem. O texto é de Edward Fishman, pesquisador, estudioso de relações internacionais e ex-diplomata.
REINO UNIDO APOIA BRASIL NA ONU
O Reino Unido apoia a ideia de um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A embaixadora britânica no Brasil, Stephanie Al-Qaq, destacou que Londres apoia a reforma das instituições multilaterais para que sejam mais eficazes na hora de enfrentar os desafios globais. “Não é o Reino Unido que está bloqueando a mudança”, afirmou a diplomata em entrevista à CNN Brasil. O tema é uma prioridade histórica para o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que há anos vem pedindo a ampliação do Conselho de Segurança e um lugar para o Brasil. (Ansa)
RÚSSIA-BRASIL
O primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, enfatizou a necessidade de explorar plenamente o potencial da cooperação russo-brasileira. “O Brasil é o maior país da América Latina e nosso parceiro estratégico. Podemos e devemos explorar plenamente o potencial da cooperação russo-brasileira”, afirmou o chefe do governo russo em uma reunião com vice-primeiros-ministros, explicando que isso envolve aumentar o volume de negócios comerciais e identificar novas áreas para exportação de bens, serviços e tecnologias nacionais. “Também é necessário expandir a cooperação entre a União Econômica Eurasiática e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), no qual o Brasil desempenha um papel de liderança”, acrescentou. (Tass)
RÚSSIA – EUA – BRICS
A Rússia continua aberta à cooperação com os Estados Unidos, mas não tem esperanças quanto às relações econômicas, apesar dos esforços contínuos de Washington para pôr fim à guerra na Ucrânia, afirmou o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em entrevista publicada na segunda-feira. Em entrevista à emissora russa TV, Lavrov citou o que chamou de objetivo declarado dos Estados Unidos de “domínio econômico” e citou também a hostilidade de Trump em relação ao bloco BRICS, que inclui Rússia, China, Índia, Brasil e outras grandes economias em desenvolvimento. (Reuters)
BRASIL-CHINA
Há duas décadas, a China vem aumentando sua influência na maioria dos países da região, com destaque para o Brasil. Uma situação que o governo Trump tenta combater por meio de pressão diplomática e ameaças econômicas e militares. A ambição dos Estados Unidos de combater a crescente influência chinesa na região já havia sido explicitada quando o governo Trump divulgou, em 5 de dezembro de 2025, sua nova estratégia de segurança nacional. “Os concorrentes não hemisféricos [externos ao continente americano] realizaram avanços importantes em nosso hemisfério, tanto em nosso prejuízo econômico quanto de uma forma que poderia nos prejudicar estrategicamente no futuro”, está escrito no documento. Permitir que essas incursões ocorram sem realmente repeli-las é outro dos graves erros estratégicos, citando também o sequestro de Maduro. (Le Monde)
PORTUGAL: DIREITA VENCE NO BRASIL
Tal como aconteceu no primeiro turno das eleições para presidência de Portugal, portugueses que vivem no Brasil e brasileiros que têm dupla cidadania e também votam deram preferência ao candidato André Ventura (líder do Chega) em vez de ao vencedor do pleito, António José Seguro (ex-líder do PS), que foi eleito o novo presidente de Portugal neste domingo (8). Seguro vai assumir o posto ocupado por Marcelo Rebelo de Sousa durante dez anos. Na somatória dos dez locais de votação, o líder do Chega teve 4269 votos (58,73%) contra 3000 (41,27%) de Seguro. Também foram registrados seis votos em branco e 33 nulos. Ou seja, dos 303.670 inscritos aptos para votar só votaram 7308 pessoas. (Público)
ARTIGO DE POCHMAN
O Nodal, traz artigo de Marcio Pochman sobre o capitalismo global e digital que mina a soberania nacional, bloqueia o futuro como horizonte coletivo e exige uma transformação estrutural para redistribuir o tempo e os recursos.
RUMBLE FURA BLOQUEIO
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que trabalha para “restabelecer o bloqueio” depois que a Rumble conseguiu ocultar seus endereços de internet ao redirecionar seu serviço pela rede de outra empresa. Em 2024, a rede social X, de Elon Musk, usou um método semelhante para escapar brevemente de uma proibição de 40 dias imposta pelo Supremo Tribunal por não cumprir uma série de ordens judiciais contra a desinformação online. A Anatel informou que o Rumble deve voltar a ficar fora do ar em alguns dias. A Rumble é uma plataforma de vídeos similar ao Youtube, inclusive no visual. Lançada em 2013, a rede social é bastante popular entre conservadores nos EUA. Ela diz que sua missão é “proteger uma internet livre e aberta” e já se envolveu em diversas controvérsias. A plataforma tem negócios com o grupo de comunicação de Trump e também já recebeu investimentos de pessoas próximas do republicano, inclusive o atual vice-presidente dos EUA, JD Vance.
A Rumble, com sede nos Estados Unidos e popular entre conservadores e extremistas de direita, foi banida pela Suprema Corte do Brasil no ano passado após se recusar a bloquear um usuário brasileiro residente nos Estados Unidos acusado de espalhar desinformação (France24)
Na imagem, o presidente Lula ao lado do presidente do BC, Gabriel Galípolo / Reprodução

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
