Governos da América Latina condenam ataque dos EUA ao Irã

Governos da América Latina condenam ataque dos EUA ao Irã

Governos de esquerda da América Latina condenaram no fim de semana os Estados Unidos pelo ataque às instalações iranianas no sábado, mas evitam censurar Trump. Os governos tomaram o máximo cuidado com o presidente em seus pronunciamentos diplomáticos para manter abertos os caminhos para negociações e alianças, segundo o La Nación.

Nicolás Maduro, da Venezuela, condenou o “vil ataque” dos Estados Unidos contra três instalações nucleares no Irã. Foi um “ato criminoso”, declarou o presidente da Venezuela, que não só viola a Carta das Nações Unidas, como também põe em risco “a vida e a paz”. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel disse que o bombardeio dos EUA “está arrastando a humanidade para uma crise com consequências irreversíveis”. Um representante em Teerã da Nicarágua, outro grande aliado do Irã na região, uma “república gêmea” como Daniel Ortega enfatizou em 2023 durante a visita ao país centro-americano do então presidente iraniano Ebrahim Raisi, expressou sua “profunda indignação” após visitar alguns dos locais bombardeados por Israel nas horas anteriores.

De uma perspectiva diferente, o presidente chileno Gabriel Boric condenou o ataque defendendo o “direito internacional humanitário em todos os níveis. Ter poder não o autoriza a usá-lo em violação às regras que estabelecemos como humanidade. Mesmo que você seja os Estados Unidos”.

O Brasil esperou até domingo para “condenar veementemente” o ataque dos EUA em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, dizendo que, além de ser uma violação da soberania do Irã, ele representa “uma grave ameaça à vida e à saúde da população civil, expondo-a ao risco de contaminação radioativa e desastres ambientais de grande escala”.

Luis Arce, presidente boliviano, descreveu o atentado como um “ataque arbitrário” que viola os princípios diplomáticos internacionais e a Carta da ONU.

Para o La Nación, “as três ditaduras e os quatro governos de esquerda da região, incluindo o mais influente, liderado por Lula da Silva, alinharam-se nas críticas aos Estados Unidos pelo atentado, mas com muitas reservas quanto ao confronto direto com Trump. Ainda mais cautelosa foi a presidente mexicana Claudia Sheinbaum , especialista em moderar reações contra a Casa Branca. Ela citou o Papa Francisco e sua doutrina antiguerra e pediu que as Nações Unidas se tornem “hoje mais do que nunca a instituição que clama pela construção da paz””.

Em suma, uma linha política mais próxima da condenação da Rússia e da China à escalada da guerra, embora com certos paralelos com os países europeus quanto à necessidade de uma resposta diplomática para apaziguar o conflito. Na Argentina, o partido governista alinhou-se com as palavras do porta-voz presidencial (“terrorismo nunca mais”), enquanto em El Salvador, o presidente Nayib Bukele, de ascendência palestina, não se pronunciou até o momento.

No Equador, o governo de Daniel Noboa recebeu uma delegação dos Emirados Árabes Unidos, enquanto o Peru se concentrou em ajudar seus cidadãos no Oriente Médio.

* O governo de extrema direita de Javier Milei e os principais membros do partido governista elogiaram os ataques ordenados pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

PORTUGAL ANUNCIA AUMENTO DE PRAZO PARA CIDADANIA

O governo minoritário de centro-direita de Portugal, sob pressão da extrema-direita para reduzir a imigração, afirmou na segunda-feira que dobrará para até 10 anos o tempo que a maioria dos estrangeiros precisa para residir legalmente em Portugal antes de solicitar a cidadania.

O ministro da Casa Civil, Antonio Leitão Amaro, disse que outras regras de imigração, como as que regem a emissão de autorizações de residência para famílias de imigrantes legais, também seriam mais rígidas, e haveria uma disposição que retiraria a cidadania de portugueses naturalizados que cometessem crimes graves.

A agência de migração e asilo AIMA estima que mais de 1,5 milhão de cidadãos estrangeiros residam legalmente em Portugal até o final de 2024. Os brasileiros são o maior grupo, com mais de 450.000 imigrantes legais. Indivíduos do Brasil terão que esperar 7 anos. (Reuters / Bloomberg / Correio da Manhã / O Guardião)

LULA / CRISTINA

A solidariedade de Lula a Cristina Fernández, manifestada pelo deputado do PT Paulo Pimenta na última quarta-feira em Buenos Aires, não passou despercebida pela extrema direita brasileira, de onde surgiram manifestações de descontentamento. Entre eles, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, Felipe Barros. O parlamentar pró-Bolsonaro, que neste ano visitou colegas do Partido Republicano nos Estados Unidos, onde falou sobre a deriva ditatorial em que o Brasil mergulhou, usou as redes sociais para ironizar a viagem do representante de Lula à Argentina e comparar Cristina à esposa do ex-presidente peruano Ollanta Humala, condenado no capítulo andino da Lava Jato.

Para Ronaldo Caiado, o possível encontro Lula-Cristina não se justifica, a não ser que o governo de centro-esquerda pretenda prejudicar as relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires. Caiado omitiu que a ligação entre os dois países mais importantes da América do Sul foi boicotada desde o governo de Javier Milei. (Página 12)

BOLSONARO CONVOCA ATO

O ex-presidente Jair Bolsonaro convocou uma nova manifestação para o dia 29 de junho na avenida Paulista, em São Paulo. De acordo com o ex-presidente, o motivo é lutar por justiça e liberdade. “O Brasil precisa de todos nós. No próximo domingo, dia 29, às 14 horas (horário local), vocês estão convidados. Venham para a Paulista. É pela justiça, é pela liberdade”, disse em um vídeo postado em suas redes sociais. A publicação também inclui a frase “Bolsonaro está de volta”. Apesar de manter o discurso de que concorrerá como candidato nas eleições de 2026, Bolsonaro foi condenado há dois anos pelo Tribunal Superior Eleitoral e teve o mandato cassado. A sucessão de problemas médicos e judiciais está afetando a proeminência política de Bolsonaro, apesar do apoio que ele ainda tem entre os setores radicais da direita brasileira. (Nodal, com informação do Infomoney)

PETROBRAS / ORIENTE MÉDIO /PREÇO

A Petrobras está monitorando de perto as tensões geopolíticas no Oriente Médio, que elevaram os preços globais do petróleo nas últimas semanas, mas não planeja ajustar os preços domésticos dos combustíveis por enquanto, disseram duas fontes da empresa à Reuters nesta segunda-feira.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato, disseram que a gigante estatal do petróleo está aguardando uma mudança sustentada nos preços do petróleo Brent antes de considerar qualquer alteração nos preços.

Os preços do Brent, referência global, oscilaram na segunda-feira, atingindo a maior alta em cinco meses, antes de cair 1%, para US$ 76,31 por barril, com os mercados tentando avaliar o impacto sobre o trânsito de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz após os ataques aéreos dos EUA contra o Irã.

“Todos estão preocupados com a situação geopolítica”, disse uma das fontes. “Mas com nossa política de preços, eliminamos a necessidade de reagir à volatilidade de curto prazo. Não precisamos nos apressar para fazer ajustes nos preços.”

ÍNDIOS QUEREM PROTEÇÃO

Índios da Amazônia no Peru e no Brasil pedem proteção urgente de seus territórios. As visitas a vários órgãos estatais e da sociedade civil foram cruciais para as organizações indígenas de Ucayali e do Brasil, membros da Comissão Transfronteiriça do Juruá, Yurúa e Alto Tamaya. Elas realizaram reuniões importantes com ministérios, com o Alto Comissariado da ONU, com o Congresso e com embaixadas, abordando questões urgentes, como a proteção de seus territórios e a conservação da biodiversidade. Eles se concentraram nas concessões florestais que se sobrepõem a seus territórios e rios, e na segurança diante de projetos de infraestrutura e ameaças de economias ilegais e do crime organizado. (Kaos en la red)

Tagged: , , , , ,