Haddad: Finanças públicas não podem ser saneadas sem crescimento econômico

Haddad: Finanças públicas não podem ser saneadas sem crescimento econômico

O ministro das Finanças do Brasil, Fernando Haddad, não acredita que o país possa colocar suas finanças públicas em ordem sem também abordar a necessidade de crescimento econômico, afirmou nesta segunda-feira. “Isso não deve ser confundido com qualquer tolerância em relação à inflação”, acrescentou ele durante comentários em um evento organizado pelo Itaú BBA em São Paulo. Haddad disse que é importante ser cauteloso ao discutir o ajuste fiscal, “não porque não seja crucial para a sustentabilidade da dívida, mas porque precisa ser justo e inteligente”.

Segundo o ministro, os gastos públicos ficaram em média em torno de 19,5% do produto interno bruto na última década, excluindo a pandemia, e atualmente estão abaixo de 19%. Ele disse que essa redução foi resultado do corte de gastos não essenciais durante o governo do presidente Lula, e não de cortes na saúde e na educação.

Em relação às tarifas de 50% impostas pelos EUA desde agosto sobre muitos produtos brasileiros, o ministro disse: “Quero acreditar que, em algum momento, um debate racional com os Estados Unidos terá início”. Na semana passada, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que planejava se encontrar com Lula após meses de disputas entre os dois líderes sobre o que a Casa Branca chamou de “caça às bruxas” no Brasil contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump. (Reuters)

ECONOMIA EM ALTA

O Banco Central do Brasil continua a ver sinais de resiliência na economia do país, apesar dos indícios de uma desaceleração geral, afirmou o presidente do banco nesta segunda-feira, acrescentando que a autoridade manterá uma abordagem baseada em dados para a política monetária.

As declarações de Gabriel Galipolo foram feitas depois que o banco manteve as taxas de juros em 15%, o nível mais alto em quase duas décadas, pela segunda reunião consecutiva, sinalizando que as manterá inalteradas por um longo período, em uma tentativa de controlar a inflação persistente. (Reuters)

BOAVENTURA: ‘Com congressistas assim, não são necessários inimigos estrangeiros para destruir democracia brasileira’

O site latino Nodal traz a análise “A incrível (e perigosa) democracia bicéfala brasileira”, assinada por Boaventura de Sousa Santos. O Brasil encontra-se numa corda bamba entre a democracia e o fascismo. O “funcionamento regular das instituições” não garante que a democracia prevaleça sobre o fascismo pela simples razão de que uma das instituições democráticas, o Congresso, não está funcionando normalmente. Portanto, a luta entre a democracia e o fascismo acabará, mais cedo ou mais tarde, sendo travada nas ruas, diz o sociólogo português.

Visto de longe, parece que os democratas brasileiros ainda não perceberam o que está em jogo. Existem instituições intermediárias e da sociedade civil fortes que têm o poder de despertar as consciências, mas, aparentemente deslumbradas pelas recentes decisões do STF, caíram na armadilha de pensar que a democracia brasileira estava mais forte do que nunca e que podiam dormir tranquilas. Esperemos que não acordem tarde demais.

E mais: “A gravidade da proposta (da blindagem) dos 353 congressistas reside em colocar a democracia brasileira em uma ladeira escorregadia que vai da sociedade civil ao estado de natureza. Com congressistas assim, não são necessários inimigos estrangeiros para destruir a frágil e forte democracia brasileira.” Texto também publicado no Olher News

Já o português Expresso traz o artigo de direita de Miguel Baumgartner: “Brasil: entre Lula e Bolsonaro, um país refém. A verdade é que esta lógica de “nós contra eles” corrói a democracia brasileira. Bolsonaro e Lula representam, cada um à sua maneira, uma captura da política por projetos pessoais e messiânicos.

TABATA CONTRA A ANISTA

O La Nación entrevistou a deputada do PSB Tabata Amaral, que disse sobre anistia a Bolsonaro: “Deixar impune não é pacificar o país, significa contratar uma segunda tentativa de golpe”. A “jovem deputada” criticou a iniciativa de perdoar o ex-presidente após sua condenação e garantiu que acompanharia Lula na reeleição porque ele é “o único que pode enfrentar a extrema direita”.  A ativista da educação se converteu em uma das vozes jovens mais reconhecidas do panorama político brasileiro, buscando procurando não se encaixar em dicotomias antigas e forjando uma identidade própria a partir do seu Partido Socialista Brasileiro (PSB).

ABORTO NAS RUAS

“A América Latina se pintou de verde no Dia de Ação Global pela Legalização do Aborto”, diz o Ambito. Houve manifestações no México, Brasil, Colômbia e Equador. Em alguns países, reivindicaram a aprovação da interrupção voluntária da gravidez, enquanto em outros reivindicaram o cumprimento do direito. 28 de setembro é o Dia pela Ação Global pela Legalização do Aborto e as manifestações foram capitaneadas por movimentos feministas.

TRUMP X PIX

O New York Times dedica reportagem ao PIX com o título “Sistema de pagamentos brasileiro é alvo do governo Trump”.  E diz que o sistema de pagamentos digitais rápido e gratuito desenvolvido no Brasil, o PIX, tornou-se extremamente popular. O governo Trump afirma que ele prejudica injustamente as empresas americanas.

SECRETÁRIO DOS EUA X BRASIL

Os EUA precisam “consertar” países como Índia e Brasil para que eles abram seus mercados e não ajam contra os interesses de Washington, afirmou o secretário de Comércio Howard Lutnick no sábado. No mês passado, o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifas de 50% sobre a maioria das importações dos dois membros do BRICS. “Temos vários países para consertar, como Suíça, Brasil, Índia — esses são países que precisam realmente reagir corretamente aos Estados Unidos”, disse Lutnick em entrevista à NewsNation. “Abrir seus mercados, parar de tomar medidas que prejudicam os Estados Unidos, e é por isso que estamos em desacordo com eles.” (RT)

COP 30

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer deve comparecer à cúpula climática da COP para mostrar que “ainda existe liderança climática”, apesar dos ataques de Donald Trump à ciência do aquecimento global, afirmou o ex-ministro do Clima do Reino Unido. Embora os planos de viagem de Starmer ainda não tenham sido confirmados, ele não teria planos de participar da cúpula de líderes da COP30, que será realizada no Brasil em novembro. Seria a primeira vez que um primeiro-ministro britânico faltaria ao evento desde 2019. Mas Kerry McCarthy, que atuou como ministra do Clima de julho de 2024 até uma remodelação do governo no início de setembro, disse ao Político na conferência do Partido Trabalhista em Liverpool que Starmer deverá participar para demonstrar a continuidade da “imperativa” colaboração internacional em relação ao clima. Starmer participou da conferência COP29 no Azerbaijão em 2024 e anunciou uma nova e ambiciosa meta para as emissões de gases de efeito estufa do Reino Unido para 2035. (Político)

Imagem de Fernando Haddad de Marcelo Camargo/Agência Brasil

Imagem do Congresso de Jonas Pereira/Agência Senado

Tagged: , , , , , ,