Haddad: reunião com secretário do Tesouro dos EUA é cancelada por atuação da extrema direita

Haddad: reunião com secretário do Tesouro dos EUA é cancelada por atuação da extrema direita

Destaque em toda a mídia brasileira, o cancelamento nesta segunda-feira da reunião entre Haddad (foto) e o secretário do Tesouro dos EUA atraiu parte da imprensa estrangeira, mas o tema geral do tarifaço de Trump contra o Brasil recebeu inúmeras outras reportagens.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que a reunião virtual com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, foi desmarcada após pressão de militantes ligados à Casa Branca. O encontro estava previsto para ocorrer nesta quarta-feira e, segundo ele, ainda não foi remarcado. Em entrevista à GloboNews, Haddad explicou que o diálogo com Bessent começou a ser articulado após o tarifaço de 50% anunciado por Donald Trump no dia 9 de julho, que elevou impostos sobre produtos brasileiros.

Foi um revés para o governo brasileiro, que esperava usar a reunião para negociar tarifas depois que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs taxas de 50% sobre vários produtos brasileiros.

O ministro lamentou que o Brasil não tenha sequer conseguido sentar à mesa para negociar tarifas com os Estados Unidos e criticou o que chamou de “pseudobrasileiros” em Washington fazendo lobby contra o próprio país.

O governo Trump vinculou o aumento das tarifas ao julgamento de seu aliado de direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta acusações de suposta tentativa de golpe após sua derrota eleitoral em 2022. O deputado Eduardo Bolsonaro, filho de Bolsonaro, está nos EUA desde março, fazendo campanha por sanções contra os responsáveis pelos processos judiciais. (Reuters / Prensa Latina)

O presidente Trump ameaçou impor mais tarifas à Rússia e aos seus parceiros comerciais e impôs tarifas severas à Índia e ao Brasil para tentar influenciar questões de guerra e política. (NYT)

Os EUA planejam novas sanções ao Brasil, diz filho de Jair Bolsonaro. Deputado Eduardo Bolsonaro prevê que Donald Trump aumentará as penas em função do julgamento do ex-presidente por acusações de golpe.  (Financial Times)

Com uma economia relativamente fechada, a tarifa de 50% imposta por Trump sobre produtos brasileiros provavelmente já teria efeito limitado. Com a isenção de 700 itens anunciada pelo governo americano, o golpe será ainda mais leve, avalia a revista britânica The Economist, que classifica que as tarifas de Trump sobre o Brasil mais um ‘latido do que uma mordida’.

Geraldo Alckmin é uma das figuras em ascensão em meio às tensões com Donald Trump sobre tarifas. O vice-presidente e ministro do Comércio Exterior do Brasil tem a tarefa de negociar com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, estabelecer uma linha de discórdia com líderes empresariais preocupados com o impacto das medidas. Lula foi astuto e elaborou uma estratégia ágil na qual aparece no centro de uma disputa frontal com Trump, com um discurso focado na defesa da soberania diante dos abusos da Casa Branca, mas também na criação de um canal de negociação com seu vice-presidente que gere maior confiança no empresariado. (La Politica Online)

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As negociações entre o governo brasileiro e o presidente dos EUA, Donald Trump, estão paralisadas. O presidente Lula, que há semanas buscava pontes de diálogo com a Casa Branca para evitar tarifas de 50% sobre produtos de seu país, disse na quarta-feira que não se “humilharia” ligando para Trump. Diante da paralisação das negociações com o governo americano, Lula optou por denunciar oficialmente o aumento de tarifas de Trump na Organização Mundial do Comércio (OMC) e ativar o “caminho dos BRICS”. Na quinta-feira, ele ligou para Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, para buscar uma resposta conjunta dos BRICS aos Estados Unidos.

O cerco judicial contra Jair Bolsonaro reacendeu o vespeiro da extrema direita brasileira. No último domingo, São Paulo sediou uma manifestação maior do que o esperado em defesa de Bolsonaro. Ao longo da semana, motociatas e carreatas percorreram diversas cidades brasileiras. A onda de indignação entre os bolsonaristas com a prisão domiciliar de seu grande líder levou a uma revolta no Congresso e no Senado. (El Diario Ar)

BOLSONARO: FASE FINAL

O julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado após as eleições gerais de 2022 entra hoje em sua fase decisiva. A defesa tem até quarta-feira para apresentar suas alegações finais perante o Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo é acusado de abolir violentamente a ordem democrática no gigante sul-americano após a derrota de Bolsonaro nas urnas para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre os réus estão ex-ministros, militares e ex-chefes de segurança do governo anterior (2019-2022), todos alinhados ao ex-presidente de extrema direita. (Granma)

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