Haddad: Vamos à Justiça contra os EUA se necessário

O ministro Fernando Haddad disse nesta quarta-feira que o Brasil pode contestar nos tribunais dos EUA as altas tarifas impostas pelo governo Trump às importações americanas de produtos brasileiros. “Iremos à Justiça se necessário”, disse Haddad em entrevista exclusiva ao site UOL, acrescentando que o Brasil não se envolverá em esforços de lobby. Haddad observou que os líderes mundiais hoje se sentem inseguros em relação aos Estados Unidos, incertos sobre o que o futuro pode reservar. O ministro também afirmou que o dólar continua sendo uma moeda de reserva e continuará sendo por muitos anos, a menos que Washington “continue cometendo erros”. Ele alertou que “transformar o dólar em uma arma” prejudicaria seu papel, acrescentando que os países não podem ser impedidos de realizar comércio bilateral em moedas locais se isso reduzir os custos de transação para eles. (Reuters / UOL)
LULA CRITICA RETIRADA DE VISTO
Os Estados Unidos retiraram o visto do ministro da Justiça do Brasil e Lula classificou a medida como “irresponsável”. Para Lula, trata-se de mais uma jogada suja contra o Brasil em apoio ao ex-presidente Bolsonaro e exigiu que os Estados Unidos tenham “respeito” pelos funcionários do seu governo.
Em meio às tensões com os Estados Unidos, o presidente Lula manifestou na terça-feira sua solidariedade ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Lula classificou a medida como uma “decisão irresponsável”. Durante uma reunião de gabinete, o presidente afirmou que esse tipo de ação é inadmissível no âmbito das relações bilaterais. “Essas atitudes são inaceitáveis, não apenas contra o ministro Lewandowski, mas também contra magistrados do Supremo Tribunal ou qualquer autoridade brasileira”, destacou. (Página 12 / Nodal, que republica textos de outros sites)
GONET DE NOVO
O presidente Lula assinou nesta quarta-feira a nomeação de Paulo Gonet para mais um mandato como procurador-geral. Gonet tem liderado casos de grande repercussão, incluindo o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de planejar um golpe para reverter sua derrota eleitoral em 2022. (Reuters)
BOLSONARO: MAIS VIGILÂNCIA
O ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro enfrenta um novo capítulo judicial com fortes tensões políticas. Sob prisão domiciliar desde 4 de agosto, o líder conservador usa uma tornozeleira eletrônica por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Agora, a Polícia Federal solicitou autorização para reforçar a vigilância dentro de sua casa, alegando risco de fuga. (Ambito)
O PIX É NOSSO
O Banco Central do Brasil não está competindo com instituições financeiras ou de pagamento por meio de sua operação e regulamentação do sistema de pagamentos instantâneos Pix, amplamente utilizado, disse Renato Gomes, diretor de organização do sistema financeiro da instituição.
Em declarações divulgadas pelo Banco Central nesta quarta-feira, Gomes disse que a instituição “desempenha o papel de um agente neutro, fornecendo uma infraestrutura digital pública que permite que o mercado se desenvolva de forma mais eficiente, inclusiva e competitiva”.
O Pix está entre as práticas comerciais brasileiras sob investigação formal pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um caso aberto pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que considera o sistema potencialmente injusto. Lançado no final de 2020, o Pix rapidamente se tornou o método de pagamento mais usado no Brasil, reduzindo drasticamente a participação do dinheiro, cartões, cheques, boletos bancários e outras formas de pagamento na maior economia da América Latina. Ao eliminar intermediários, o Pix reduziu a receita de redes de cartões como Visa, Mastercard, processadores de cartões, incluindo Cielo, StoneCo, PagBank e Getnet, e bancos que antes cobravam mais pelas transferências tradicionais. (Reuters)
BC: JUROS VÃO SE MANTER EM ALTA
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, enfatizou na quarta-feira a necessidade de manter as taxas de juros em um nível restritivo, citando uma lenta convergência das expectativas de inflação em direção à meta oficial. Em discurso durante um evento em São Paulo organizado pelo grupo distribuidor de veículos Fenabrave, Galipolo disse que os formuladores de políticas têm sinalizado consistentemente que a taxa Selic, atualmente em 15%, deve permanecer inalterada por um período prolongado. “As expectativas e projeções tanto do banco central quanto do mercado ainda estão convergindo lentamente para a meta de inflação… é isso que tem exigido uma política monetária mais restritiva”, afirmou.
Suas declarações foram feitas após uma pesquisa semanal do banco central com economistas mostrar uma primeira queda nas expectativas de inflação para 2027, que estavam estagnadas há seis meses. (Reuters)
VIOLÊNCIA CONTRA JOVENS
Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revela que a violência no Brasil afeta de maneira desigual diferentes grupos sociais, principalmente jovens, negros e mulheres. Os dados fazem parte do “1º Relatório Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira: Violência e Acidentes”, publicado na última segunda-feira. A pesquisa utilizou dados de notificações do Sistema Único de Saúde (SUS) e estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes aos anos de 2022 e 2023. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz). Segundo o relatório, 65% das mortes entre jovens são causadas por fatores externos, como violência e acidentes. Ao analisar os dados por cor da pele, o cenário mostra que os jovens negros representam 73% das mortes por causas externas, com um total de 61.346 mortes. (Página 12)
Na imagem, o ministro Fernando Haddad durante reunião ministerial na terça-feira (26/08) / Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
