Itamaraty convoca diplomata dos EUA por ameaças a Moraes

Itamaraty convoca diplomata dos EUA por ameaças a Moraes

POR TATIANA CARLOTTI

O Itamaraty convocou nesta sexta-feira (08/08) o chefe da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para dar explicações sobre críticas e ameaças publicadas nas redes sociais do órgão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

“O Ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos levaram a sanções sob a Lei Magnitsky, imposta pelo Presidente Trump”, diz o texto postado nas redes sociais. A embaixada dos EUA afirma ainda que integrantes do Judiciário brasileiro e de outras esferas “estão avisados para não apoiar nem facilitar” a conduta do magistrado, acrescentando em tom de ameaça que Washington “monitora a situação de perto”.

O britânico The Guardian destaca que a mensagem é uma tradução da declaração de Darren Beattie, alto funcionário americano para diplomacia pública. Para a chancelaria brasileira, trata-se de uma ameaça direta aos juízes que conduzem o caso contra o ex-presidente e réu no STF, Jair Bolsonaro. Escobar já havia sido convocado outras duas vezes desde que Trump passou a defender publicamente o ex-presidente brasileiro, citando o processo judicial como justificativa para tarifas elevadas contra produtos do Brasil, destacam The Guardian e Prensa Latina.

Em entrevista nesta quinta-feira (07/08) à agência Reuters, o presidente Lula afirmou não ver espaço para negociações diretas com Trump por enquanto.

 “PL da Devastação”

O presidente Lula sancionou, com vetos, o polêmico projeto de lei do licenciamento ambiental, apelidado por ambientalistas de “PL da Devastação”. Aprovado pelo Congresso em julho, o texto reduz exigências para licenciamento de obras e atividades, mas Lula vetou 63 de 398 dispositivos para, segundo o Planalto, garantir “proteção ambiental e segurança jurídica”. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que a decisão preserva a integridade do licenciamento, ao mesmo tempo, em que busca diálogo com o Legislativo para agilizar processos sem comprometer a qualidade das análises. Ambientalistas queriam o veto total, mas parte deles acolheu as mudanças feitas pelo governo.

O projeto é apoiado pelo agronegócio e setores empresariais, mas criticado por organizações ambientais e pelo próprio MMA, que o consideram o maior retrocesso em quatro décadas na proteção ambiental brasileira. O desafio agora será manter os vetos, já que o Congresso, dominado pela oposição, costuma derrubá-los, afirma o britânico The Guardian.

Igrejas norte-americanas na Amazônia

Reportagem do francês Libération revela que missionários evangélicos radicais estão introduzindo ilegalmente rádios solares com mensagens bíblicas a comunidades indígenas isoladas no Vale do Javari, no Amazonas. Entre os equipamentos apreendidos está um aparelho com versículos e discursos traduzidos de pregadores americanos, encontrado com a matriarca do povo Korubo. As ações desafiam a lei brasileira, que proíbe a entrada em territórios de povos não contatados, para proteger sua autodeterminação e evitar riscos de contaminação por doenças externas. Autoridades afirmam que esses grupos recebem financiamento de igrejas norte-americanas, interessadas em expandir influência religiosa em regiões remotas.

Modi busca aproximação com Brasil e China

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre comércio e tarifas unilaterais impostas aos dois países, e planeja visitar a China em agosto, no que seria sua primeira viagem ao país em sete anos. A conversa entre Modi e Lula durou quase uma hora. Segundo o governo brasileiro, ambos reafirmaram o interesse em fortalecer os laços comerciais e discutir medidas para enfrentar a recente onda de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Embora o comunicado não tenha citado Donald Trump, ressaltou que Brasil e Índia são os mais afetados pelas barreiras comerciais.

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Para o Brasil, o diálogo com a Índia reforça a tentativa de formar alianças contra medidas unilaterais dos EUA e explorar alternativas de cooperação econômica que reduzam a dependência de mercados norte-americanos informa The Japan Times.

Neocolonialismo digital do Sul Global

O pesquisador Dr. Mathew Maavak alerta em artigo na russa RT que grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos e, em menor escala, da China, estão transformando o Sul Global em uma “mina de dados” comportamentais. Sob o discurso de “IA para o Desenvolvimento”, oferecem infraestrutura e conectividade, mas os benefícios fluem quase exclusivamente para o Norte Global. Segundo Maavak, amostras de voz gravadas em Gana, dados faciais obtidos em testes policiais na Nigéria e informações agrícolas coletadas nas Filipinas são usados para treinar e aprimorar tecnologias no exterior, sem retorno proporcional para as comunidades de origem.

Ele compara a atual exploração de dados ao antigo colonialismo de especiarias, escravos e prata. Assim como no colonialismo histórico, aponta, o desequilíbrio de poder e benefícios aprofunda desigualdades globais, com o Sul Global fornecendo recursos brutos — neste caso, dados — sem participação justa nos lucros e avanços tecnológicos resultantes.

Investidores latinos impulsionam mercado na Flórida

La Nación traz uma reportagem sobre como o sul da Flórida se consolidou como destino preferido de investidores latino-americanos em busca de segurança jurídica, dolarização dos ativos e rentabilidade em um mercado estável. O cenário é influenciado por políticas de figuras como Donald Trump e Ron DeSantis, que moldam as condições de investimento. Os principais investidores vêm de Argentina, Colômbia, Brasil e México. Desde que a Waltz intensificou sua atuação na América Latina, a participação da região na base de clientes subiu de 7% para 30%, com meta de chegar a 50%.

Em tempo:

Esta não é uma notícia sobre o Brasil, mas o mundo acordou nesta manhã de sexta-feira (08/08) com a terrível notícia de que o Gabinete de Segurança de Israel aprovou a ocupação total da cidade de Gaza. Isso significa o deslocamento de 1 milhão de pessoas em um território cerceado por ataques diários que já mataram mais de 60 mil palestinos e em meio a uma crise humanitária provocada pelo uso da fome como arma de guerra, o que é considerado um crime de guerra por todos os tribunais internacionais. Cerca de 193 pessoas, sobretudo bebês e crianças, morreram de inanição devido ao desmonte do sistema de ajuda das Nações Unidas e ao bloqueio da entrada de suprimentos na região. Confira reportagem no Guardian.


Foto: Fabio Rodriguez Pozzebom / Agência Brasil

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