Justiça italiana decide pela extradição de Zambelli; defesa vai recorrer

Justiça italiana decide pela extradição de Zambelli; defesa vai recorrer

Principais notícias sobre o Brasil na imprensa internacional nesta quinta-feira (26/03)

POR TATIANA CARLOTTI

A Justiça italiana autorizou a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli, em decisão confirmada pela Embaixada do Brasil em Roma. O caso ainda não está encerrado, já que a defesa vai recorrer antes da decisão final do governo italiano, que terá a palavra definitiva sobre a entrega da ex-parlamentar ao Brasil.

No principal processo, Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão por ser apontada como autora intelectual da invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrida em janeiro de 2023. A ação resultou na inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, em um episódio que, segundo as investigações, buscava atingir a credibilidade do Judiciário brasileiro. As investigações indicam que o ataque foi executado pelo hacker Walter Delgatti Neto, que confirmou ter agido a mando da então deputada e também foi condenado.

Ela também foi condenada em um segundo processo a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, após perseguir um jornalista armada nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A soma das penas ultrapassa 15 anos, o que fundamenta o pedido de extradição apresentado pelo Estado brasileiro.

Segundo a ANSA, a Corte de Apelação de Roma entendeu que a dupla cidadania não impede a extradição. “O fato de a pessoa a ser extraditada possuir dupla cidadania italiana e brasileira não constitui impedimento. Pelo contrário, fortalece o vínculo jurídico”, afirma a decisão. O tribunal também rejeitou alegações da defesa, classificando-as como “infundadas”, e concluiu que “a estrutura geral do processo brasileiro assegura as garantias fundamentais de um julgamento justo”. A sentença ainda impõe condições, como cumprimento de pena na Penitenciária da Colmeia e monitoramento periódico das condições de detenção.

Notícias do dia

A EFE destaca que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a concorrência chinesa “despertou” a indústria automotiva brasileira. Durante evento com a montadora Changan, Lula declarou: “Quando os chineses vieram ao Brasil, a indústria brasileira […] se despertou e anunciou investimentos de 190.000 milhões de reais até 2030. Uma demonstração de que fez falta um susto para que a concorrência se despertasse”. O anúncio inclui novos aportes bilionários no setor, reforçando a presença de empresas chinesas no país.

Veja Também:  Congresso garante alívio para autores de crimes contra a democracia

No campo climático, o site Dialogue Earth traz entrevista com o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, que defende acelerar a implementação de políticas ambientais. “Para as decisões é preciso consenso, para a implementação não”, afirmou. Ele alertou ainda para o pouco tempo disponível diante da crise climática: “Acreditamos muito na ciência […] e a ciência está nos dizendo que temos muito pouco tempo”.

No centro do sistema financeiro, a Bloomberg traz três reportagens sobre o país: “Lula perde vantagem em pesquisa e Flavio Bolsonaro lidera o rumo nas eleições no Brasil“; Lula para de conter Bolsonaro em disputa acirrada no Brasil e um artigo de opinião afirmando que Lula não deveria repetir erros atribuídos a Joe Biden na condução política e econômica, sugerindo ajustes estratégicos diante do ambiente eleitoral. Já o Le Monde estampa “No Brasil, o filho mais velho do presidente Lula está envolvido em um caso de fraude previdenciária“.

Por fim, o jornal mexicano La Jornada publicou carta aberta do sociólogo Boaventura de Sousa Santos dirigida a Lula em que ele pede: “Senhor presidente, desobedeça”, ao se referir às agressões norte-americanas contra Cuba.

Diz o texto: “Agora, o momento é diferente: trata-se de salvar Cuba das garras de um monstro político, criado democraticamente na maior democracia do mundo. Não é menos monstruoso por ter sido criado democraticamente. Hitler também era um monstro. Isso só diz muito sobre a (falta de) qualidade da democracia que o gerou. A questão é tanto humanitária quanto política. O mundo democrático, que valoriza a soberania, tem uma enorme dívida para com Cuba”.