Lula: A existência da fome é uma escolha política

Dados oficiais mostram que libertamos da fome 26,5 milhões de brasileiros desde o início de 2023.
A fome não é uma condição natural da humanidade, nem é uma tragédia inevitável: ela é fruto de escolhas de governos e de sistemas econômicos que optaram por fechar os olhos para as desigualdades. Ou mesmo promovê-las, diz Lula em artigo publicado em jornais estrangeiros.
A mesma ordem econômica que nega a 673 milhões de pessoas o acesso à alimentação adequada permite a um seleto grupo de 3 mil bilionários deterem 14,6% do PIB global.
Também à frente do G20, o Brasil propôs a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. A iniciativa, embora recente, já conta com 200 membros — 103 países e 97 parceiros como fundações e organizações. Não se trata só de trocar experiências, mas de mobilizar recursos e cobrar compromissos.
Com a Aliança, queremos que os países tenham as capacidades necessárias para conduzir as políticas que efetivamente reduzam a desigualdade e garantam o direito à alimentação adequada. Políticas que têm resultados rápidos, como os registrados no Brasil após elevarmos o combate à fome à condição de prioridade de governo em 2023. (Público / Libération / Independent / La Repubblica / El País / Al Jazeera / Daily Nation (Quênia), Infobae / Jornal Notícias (Moçambique)
*Lula esteve em Roma nesta segunda-feira para participar de eventos da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e de reunião sobre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa brasileira lançada durante a presidência do G20 no Rio de Janeiro em 2024.
CHINA APOIA O BRASIL X TARIFAÇO
O embaixador da China no Brasil afirmou em discurso realizado em São Paulo nesta segunda-feira para reafirmar o apoio de Pequim aos investimentos e certificações de exportação destinados a ajudar a maior economia da América do Sul a enfrentar a ofensiva tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Falando na abertura da reunião anual do Conselho Empresarial Brasil-China, o embaixador Zhu Qingqiao disse a líderes empresariais, altos funcionários brasileiros e diplomatas que Pequim está comprometida com o desenvolvimento sustentável e a construção de um ambiente de negócios de “classe mundial”, ao mesmo tempo em que enfrenta os desafios impostos por um cenário comercial global cada vez mais conturbado.
Em uma crítica velada aos EUA, o diplomata também alertou sobre “algumas grandes potências, obcecadas pela supremacia do poder”, que “aplicam a lei da selva”. O evento ocorreu em um momento em que as tensões comerciais entre Washington e Brasília permanecem sem solução, após a decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre as importações americanas de produtos brasileiros em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe em 2022. Embora o presidente Lula e Trump tenham mantido uma breve conversa à margem da Assembleia Geral da ONU em setembro e tenham falado por telefone no início deste mês, o líder norte-americano ainda não se comprometeu a remover as tarifas impostas ao país sul-americano. (South China Morning Post)
MEIO AMBIENTE
O aquecimento global está ultrapassando limites perigosos mais cedo do que o esperado, com os recifes de corais do mundo agora em um processo de extinção quase irreversível, marcando o que os cientistas descreveram na segunda-feira como o primeiro “ponto de inflexão” no colapso do ecossistema causado pelas mudanças climáticas.
O alerta no relatório Global Tipping Points, elaborado por 160 pesquisadores de todo o mundo, que sintetiza ciência inovadora para estimar pontos sem retorno, vem poucas semanas antes da cúpula climática COP30 deste ano, que será realizada na borda da floresta amazônica no Brasil. Esse mesmo sistema de floresta tropical está agora em risco de colapso, uma vez que a temperatura média global aqueça mais de 1,5 graus Celsius, com base nas taxas de desmatamento, afirma o relatório, revisando para baixo o limite estimado para a Amazônia.
Outra preocupação, caso as temperaturas continuem subindo, é a ameaça de interrupção da grande corrente oceânica chamada Circulação Meridional de Retorno do Atlântico, ou AMOC, que ajuda a garantir invernos amenos no norte da Europa.
“A mudança está ocorrendo rapidamente agora, tragicamente, em partes do clima, da biosfera”, disse o cientista ambiental Tim Lenton, da Universidade de Exeter, principal autor do relatório. (Reuters)
MAIORIA CONTRA EXPLORAÇÃO PETRÓLEO NO AM
A maioria dos brasileiros acredita que o presidente Lula deveria proibir a exploração de petróleo na costa da floresta amazônica, um ecossistema sensível que também é a fronteira petrolífera mais promissora do Brasil, de acordo com uma pesquisa do Datafolha encomendada pela Eko, um grupo de responsabilidade corporativa.
A pesquisa, realizada no início de setembro, ocorre no momento em que o Brasil se prepara para receber líderes mundiais na cidade amazônica de Belém para a cúpula climática das Nações Unidas deste ano, a COP30. Como anfitrião, o Brasil está posicionado para instar a comunidade internacional a acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis.
A pesquisa revelou que 61% dos entrevistados se opõem à extração de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, uma área próxima à foz do rio Amazonas, onde a estatal Petrobras está buscando aprovação ambiental para perfurar um poço exploratório. A oposição foi maior entre os brasileiros de 16 a 24 anos, com 73% contra o projeto. (Reuters)
BOLSONARO EM CASA
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes decidiu na segunda-feira manter o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, de acordo com um documento visto pela Reuters.
Bolsonaro está em prisão domiciliar desde agosto por descumprir ordens judiciais relacionadas às suas supostas tentativas de persuadir o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a interferir em uma investigação na qual ele era acusado de planejar um golpe para permanecer no poder após perder as eleições de 2022. (Reuters)
Na imagem, o presidente Lula durante a abertura do Fórum Mundial da Alimentação, na Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma / Ricardo Stuckert / PR

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
