Lula articula BRICS e descarta “pedir favor” a Trump sobre tarifaço por “interesse político”

Lula articula BRICS e descarta “pedir favor” a Trump sobre tarifaço por “interesse político”

*Imagem em destaque: O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, anunciou nesta quinta-feira (7) que o governo apresentará até terça-feira (12) um plano de contingência para os setores mais expostos ao tarifaço dos Estados Unidos, calibrando o socorro conforme a dependência de cada segmento do mercado norte-americano (Agência Brasil). Foto de Cadu Pinotti/Agência Brasil

TENSÃO NO CONGRESSO

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O presidente da Câmara, Hugo Motta, aprovou de forma simbólica, no início da tarde de quinta-feira (7), a MP 1.296/2025, que reduz de 90 para 45 dias o prazo de análise de benefícios do INSS e autoriza perícias médicas digitais. Desde a véspera, deputados bolsonaristas bloqueavam o plenário exigindo votar a anistia dos réus de 8 de janeiro — um projeto que submete investigações do Supremo ao aval do Congresso — e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Diante da obstrução, Motta ameaçou suspender por até seis meses quem mantivesse o bloqueio, e a sessão foi reaberta com a MP aprovada sem contagem nominal.

No Senado, o líder oposicionista Rogério Marinho (PL-RN) reconheceu que não tem assinaturas suficientes para aprovar a anistia nem abrir processo de impeachment, mas manteve o pedido como forma de pressão sobre o STF e anunciou nova coleta de apoios.

Eduardo Bolsonaro, foragido nos Estados Unidos desde 18 de março, intensificou contatos com aliados de Donald Trump para preservar a sobretaxa de 50% sobre aço, suco de laranja e outros produtos brasileiros — anunciada em 9 de julho e parcialmente atenuada em 30 de julho — e para defender sanções pessoais contra os presidentes da Câmara e do Senado, além de ministros do STF, apostando no desgaste econômico do governo antes de 2026.

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A escalada começou em 9 de julho, quando Trump anunciou a tarifa de 50% e condicionou a suspensão das medidas ao desfecho do julgamento de Jair Bolsonaro, chamando o processo de “caça às bruxas” contra a liberdade de expressão. Em 18 de julho, Moraes impôs tornozeleira eletrônica e restrição de redes sociais a Bolsonaro por contatos com investigados. Após o ex-presidente aparecer em live com o senador Flávio Bolsonaro, a cautelar foi convertida em prisão domiciliar em 4 de agosto. Na madrugada de 7 de agosto, a tarifa estadunidense entrou em vigor; no mesmo dia, a defesa recorreu ao STF, e Moraes permitiu visitas de parentes diretos e parlamentares mediante agendamento prévio (Reuters1, Reuters2, Reuters3, Reuters4, Prensa Latina, The Washington Post, NODAL).

CONTRA O TARIFAÇO, BRICS

“Não vou me rebaixar para pedir favor a quem decidiu taxar o Brasil por interesse político”, declarou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (7), em Brasília, ao comentar as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. A fala ecoa a entrevista concedida na véspera à Reuters, na qual Lula disse que não se “humilharia” ligando para o presidente Donald Trump depois de o estadunidense sugerir um telefonema para tratar do tema.

Lula informou ter alinhado com Índia e Rússia uma estratégia conjunta do BRICS: ampliar compras internas entre os membros do bloco, adotar contramedidas comerciais coordenadas e avançar na contestação protocolada na Organização Mundial do Comércio (OMC). Trump, que chamou de “caça às bruxas” o processo contra Jair Bolsonaro, também aplicou sanções pessoais a ministros do Supremo Tribunal Federal. O Planalto condiciona qualquer diálogo a gestos concretos da Casa Branca rumo à revogação integral das tarifas (Reuters1, Reuters2, Granma, Pátria Latina).

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