Lula autoriza aplicação de reciprocidade nas relações comerciais com os EUA

Lula autoriza aplicação de reciprocidade nas relações comerciais com os EUA

POR TATIANA CARLOTTI

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a abertura do processo para aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos. A decisão, comunicada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin envolveu a notificação formal do governo norte-americano nesta sexta-feira (29/08). A Câmara de Comércio Exterior (Camex) terá até 30 dias para analisar as medidas de Washington e verificar se elas se enquadram nos critérios da lei aprovada em abril.

Caso o parecer seja favorável, um grupo de ministros será designado para elaborar contramedidas, que podem incluir suspensões de concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual. O Itamaraty já iniciou análise preliminar e abrirá oficialmente o canal de diálogo com os EUA.

Se as autoridades norte-americanas quiserem “negociar sério com o Brasil” sobre as questões comerciais, “nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia”, afirmou Lula. Mas, mas deixou claro que o país não ficará de braços cruzados: “não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque eu tenho que andar o processo”, disse em entrevista à Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte.

“Nós já entramos com o processo na Organização Mundial do Comércio. Nós temos que dizer para os Estados Unidos que nós temos coisas para fazer contra os Estados Unidos. Mas eu não tenho pressa, porque eu quero negociar”, frisou o presidente. Ele também mencionou a falta de comunicação com a Casa Branca. “As pessoas falam para ligar para o Trump, mas se o secretário de Tesouro não falou com Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do comércio, porque as pessoas acham que o telefonema meu para o Trump iria resolver?”

A notícia ganhou destaque nos principais jornais internacionais, confira no Clarin, Nodal, La politica Online, Tass.

Crime organizado: ‘te cuida, Bolsonaro’

O presidente Lula sugeriu que Jair Bolsonaro mantém vínculos com o crime organizado e aconselhou o ex-presidente a “ter cuidado”. A declaração ocorreu após a megaoperação desta quinta-feira (28/08) da Polícia Federal contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), na qual também foram apontadas conexões com empresas do setor de fintechs. Lula afirmou que quem estiver envolvido com atividades criminosas “vai sair” e prometeu rigor nas investigações. Ele destacou que extrema direita brasileira utilizou fintechs tanto para lavagem de dinheiro quanto para disseminação de desinformação. O governo prometeu aplicar regras mais rígidas, submetendo essas empresas ao mesmo nível de fiscalização das instituições bancárias tradicionais, informa o uruguaio Ambito.

O angolano O Guardião informa que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) solicitou autorização à Câmara dos Deputados para exercer seu mandato remotamente dos Estados Unidos, onde lidera campanha contra o que chama de “perseguição judicial” a seu pai, Jair Bolsonaro. No ofício ao presidente da Casa, Hugo Motta, o parlamentar citou a pandemia como precedente para o trabalho à distância. Eduardo argumentou que suas ausências não seriam voluntárias, mas resultado de perseguições políticas promovidas pelo Supremo Tribunal Federal. O parlamentar é acusado de obstrução da justiça no processo que apura a tentativa de golpe de 2023, cujo julgamento está prestes a começar.

Veja Também:  Cooperação Brasil–EUA: combate ao crime e disputa por soberania

New York Times traz uma análise crítica ao STF em relação ao julgamento de Jair Bolsonaro na próxima semana, dando o contexto da cobrança tarifaria de Trump contra os produtos brasileiros.

LULA 2026

O presidente Lula deixou aberta a possibilidade de disputar as eleições presidenciais de 2026, informa a cubana Prensa Latina com base na entrevista do líder brasileiro ao jornal O Tempo. Lula disse viver sua melhor fase pessoal e política e declarou que sua prioridade é impedir que a extrema direita retorne ao poder. Ele afirmou que a decisão de concorrer dependerá de manter sua atual disposição física e política. Ao mesmo tempo, acusou a oposição de disseminar “ódio, mentiras e retrocessos”. Ao projetar o futuro, Lula disse que busca devolver esperança aos brasileiros após os anos de crise institucional e destacou que o Brasil não pode correr o risco de voltar ao Mapa da Fome.

BREVES

O chanceler Mauro Vieira publicou um artigo sobre o bicentenário do Tratado do Rio de Janeiro, pelo qual Portugal reconheceu a Independência do Brasil, dando início às relações diplomáticas entre os países. Confira no Público.

Steven Grattan destaca no Independent que a moratória da soja, responsável por conter o desmatamento da Amazônia desde 2006, enfrenta um futuro incerto depois que o regulador de concorrência do país ordenou sua suspensão enquanto investiga possível comportamento de cartel entre comerciantes, alerta o texto.

#sextou

A capa da The Economistnós demos a notícia ontem, mas a capa do The Economist merece fechar o clipping desta sexta-feira, o texto é de Marcos Diniz:

A revista The Economist afirma que o Brasil oferece “lição de maturidade democrática” aos Estados Unidos ao responsabilizar organizadores de atos golpistas, destacando atuação coordenada de STF, Ministério Público, PF e Justiça Eleitoral. O texto compara velocidade e alcance das medidas brasileiras com a resposta norte-americana, sublinhando que investigações robustas e cooperação entre órgãos ajudam a desarticular redes extremistas. A análise aponta que a efetividade depende da observância de garantias legais e calibragem entre punição e direitos civis, premissas que sustentam credibilidade internacional do país. A publicação contrasta o modelo brasileiro com a fragmentação nos EUA, classificando como “exemplar” a velocidade de 18 meses entre 8 de janeiro e primeiras condenações definitivas. (The Economist)


Foto de capa: Ricardo Stuckert/PR