Lula confirma reunião Brasil-EUA para negociar tarifaço na 5a. feira

As negociações entre o Brasil e os EUA sobre tarifas estão marcadas para quinta-feira. A informação foi dada pelo presidente Lula nesta quarta-feira durante evento para professores realizado no Rio de Janeiro.
As conversas virão após telefonema entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada, na qual Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para continuar as negociações tarifárias com autoridades brasileiras. Do lado brasileiro, caberá ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Viera, negociar. Vieira e técnicos brasileiros estão em Washington se preparando para a reunião de quinta-feira, disse uma fonte familiarizada com o assunto à Reuters.
“Trump me ligou e eu pedi para termos uma conversa sem formalidades”, disse Lula. “Amanhã teremos a conversa sobre a negociação.”
Lula e Trump estão em desacordo há meses sobre o julgamento e a condenação do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Trump aumentou a tarifa sobre muitos produtos brasileiros de 10% para 50% por causa do caso Bolsonaro, que ele chamou de “caça às bruxas”. Mas o governo brasileiro espera levar as negociações apenas na questão comercial, deixando a política de lado.
BRASIL + INDIA
Dois dos gigantes dos mercados emergentes mais afetados pelas guerras comerciais do presidente dos EUA, Donald Trump, estão aprofundando seus laços em resposta, apostando que uma frente unida os ajudará a suportar os ataques dos EUA e encontrar novos mercados para contornar as tarifas. Autoridades governamentais e executivos de empresas do Brasil e da Índia estão se reunindo esta semana em Nova Délhi, buscando estabelecer novas relações e triplicar a parceria comercial de US$ 12 bilhões entre os países, enquanto economistas alertam que as políticas de Trump podem reduzir em cerca de um ponto percentual o crescimento econômico dos países. A delegação brasileira provavelmente discutirá possíveis parcerias com líderes empresariais indianos em áreas como agronegócio, biocombustíveis e defesa.
A parceria crescente entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi está entre os exemplos mais claros dos realinhamentos globais que estão ocorrendo à medida que a Casa Branca rompe parcerias e práticas comerciais de décadas. Essa reinicialização da diplomacia americana também levou Nova Délhi a descongelar as relações com a China e deu impulso ao bloco sul-americano Mercosul e à União Europeia para assinar um acordo comercial há muito almejado. (Japan Times)
NYT: BRASIL-CHINA
A disputa tarifária de Trump com a China significa problemas para uma vasta área selvagem no Brasil. Os agricultores brasileiros estão fazendo lobby para reverter as restrições ao desmatamento, a fim de vender mais soja ao enorme mercado chinês, diz o New York Times. A demanda da China por soja, milhões de toneladas por ano, principalmente para óleo de cozinha e ração animal, tem cobrado um preço alto das florestas e pastagens do Brasil, diz reportagem publicada pelo jornal The New York Times nesta 4ª feira (15.out.2025). De acordo com o jornal, a situação deve piorar nos próximos meses, já que a China praticamente parou de comprar soja dos Estados Unidos, incentivando os agricultores brasileiros a expandirem para novas áreas de cultivo de soja. (Poder 360 – tradução)
INFLAÇÃO ALTA
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira que a inflação básica permaneceu alta devido a pressões subjacentes persistentes e observou que o banco central está agindo de acordo com sua postura restritiva. As declarações foram feitas em um comunicado escrito marcando a participação do Brasil nas reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Washington. (Reuters)
Na imagem, o presidente Lula durante cerimônia em comemoração pelo Dia dos Professores no Rio / Ricardo Stuckert / PR

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
