Lula critica anúncio de tarifas e diz que EUA estão assustados com Pix

Lula critica anúncio de tarifas e diz que EUA estão assustados com Pix

Cobrança de taxas de 25% sobre importações brasileiras foi anunciada por Washington na segunda-feira (01) após investigação comercial; processo passará por audiências e tem como prazo dia 15 de julho. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

POR TATIANA CARLOTTI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao anúncio dos Estados Unidos de que pretende cobrar uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros após a conclusão das investigações comerciais sobre o país. Em Catalão (GO), Lula disse que o alvo das críticas norte-americanas é o Pix que oferece vantagens em relação aos sistemas privados de pagamento utilizados por empresas norte-americanas, como Mastercard, Visa e WhatsApp Pay.

Segundo a Agência Brasil, o presidente brasileiro reiterou que o país não aceitará ser tratado como uma “republiqueta de banana”. Segundo Lula, “o Pix assusta eles [EUA]”. “A preocupação dos americanos é que o Pix pode abalar muito as empresas do cartão de crédito deles que estão aqui no Brasil. Acham que o Pix vai acabar com isso; e o Pix vai acabar mesmo, porque o Pix é de graça e é público e ninguém paga nada. É só clicar o Pix e tá resolvido o nosso problema”, afirmou o presidente.

Ele também criticou a condução das negociações comerciais e cobrou explicações de Trump. Segundo ele, havia um compromisso de 30 dias para que ministros dos dois países buscassem um entendimento. “Você me deve uma reunião e eu devo uma para você (…) eu estou esperando um telefonema seu para me explicar o que aconteceu”, disse Lula.

A cobrança de tarifas foi anunciada nesta segunda-feira (01/06) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Ele afirmou que as investigações concluíram que políticas e práticas brasileiras são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio norte-americano. A investigação analisou temas como comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O governo dos EUA abriu consulta pública e realizará audiências para ouvir empresas e interessados. Comentários poderão ser enviados até julho, enquanto as negociações bilaterais continuam. O prazo final de tratativas foi estabelecido até o dia 15 de julho, após uma audiência pública marcada para 6 de julho. Produtos estratégicos ficaram de fora da proposta, entre eles carne bovina, café, terras raras, determinados metais e peças aeronáuticas. Os principais jornais internacionais, como AP, Guardian, Bloomberg, cobriram o tema.

O governo brasileiro, em nota oficial, demonstrou sua insatisfação com a proposta dos Estados Unidos, lembrando que “essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como ocorreu na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington”.

Marco Rubio

Em mais uma provocação de Washington ao Brasil, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou durante uma sessão parlamentar no Congresso dos Estados Unidos nesta terça (02), que o Brasil é um país “não amigável”, informa o site Spectrum News. Ele mencionou que a Casa Branca conta com “coalizão de países amigos” na América Latina, e que o Brasil não faz parte dela. “É fantástico que, com exceções como Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, o Brasil, embora seja um país em meio a um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos”, declarou.

Veja Também:  BBC: Como Trump tenta influenciar eleições em outros países

Cooperação Brasil-China

Durante o quinto Diálogo Estratégico Abrangente China-Brasil, realizado em Pequim, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que Pequim pretende aprofundar sua cooperação com os países latino-americanos, especialmente com o Brasil, informa People´s Daily Online. Segundo Wang, a China sempre foi uma parceira confiável da região e deseja ampliar as relações econômicas, políticas e culturais com os países latino-americanos. Em relação ao Brasil, o ministro chinês declarou que “a cooperação prática em todos os campos tem sido constantemente aprimorada, e os dois povos nunca estiveram tão próximos”.

O chanceler Mauro Vieira, por sua vez, afirmou que o Brasil continuará respeitando o princípio de Uma Só China e buscará aprofundar a cooperação bilateral. Segundo ele, Brasil e China compartilham o compromisso com o multilateralismo, o livre comércio e a reforma da governança global.

A China também anunciou o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre da febre aftosa, medida considerada estratégica para ampliar o comércio agropecuário entre os dois países, informa a TeleSur. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, “o reconhecimento amplia as oportunidades de exportação de carne bovina e suína de origem brasileira para o mercado chinês”.

A China é o principal comprador da carne bovina brasileira. Em 2025, adquiriu 1,68 milhão de toneladas, equivalente a quase metade de todas as exportações do setor realizadas pelo Brasil, informa o veículo. O reconhecimento encerra um processo de cerca de duas décadas de negociações.

Brasil livre de ebola

Autoridades brasileiras descartaram dois casos suspeitos de ebola após exames laboratoriais confirmarem resultado negativo para o vírus. Os pacientes haviam retornado recentemente de países africanos afetados pelo atual surto da doença. Segundo a BBC e a Reuters, um dos pacientes havia viajado para a República Democrática do Congo. Ele apresentava febre, mas acabou diagnosticado com meningite. O segundo caso ocorreu no Rio de Janeiro e envolvia um viajante procedente de Uganda. Após exames, verificou-se que o paciente estava com malária, e não com Ebola.

O surto atual concentra-se principalmente na República Democrática do Congo, onde já foram registrados mais de mil casos suspeitos e ao menos 246 mortes. Uganda também confirmou casos da doença.

Comunismo, NASA e um lugar para Pelé

The Guardian traz resenha sobre livro ainda inédito das Copas do Mundo na América do Sul, escrito pelos jornalistas Mark Biram e Tim Vickery. Eles reconstituem os bastidores da preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1970 e destacam a surpreendente escolha de João Saldanha para comandar a seleção em janeiro de 1969. Embora tivesse tido apenas uma breve experiência como treinador do Botafogo, Saldanha era um dos jornalistas esportivos mais populares do país.

A matéria relata que a nomeação foi uma decisão calculada de João Havelange, então presidente da Confederação Brasileira de Esportes. Uma das primeiras medidas do novo treinador foi anunciar imediatamente os titulares e os reservas, encerrando debates públicos sobre a formação da equipe. O texto resume a estratégia afirmando: “Sem discussões, sem debates, sem disputas entre regiões. Apenas um homem escolhendo o time.”

Segundo os autores, a fórmula funcionou. A seleção brasileira conquistou a classificação para a Copa do Mundo com ampla tranquilidade e iniciou o caminho que culminaria na histórica campanha do México em 1970, considerada por muitos analistas como a maior equipe da história do futebol.