Lula defende Pequim no G7: ‘chineses são os que mais investem na América Latina’
Brasil encerra participação na cúpula aprovando apenas três dos nove documentos do encontro e defendendo a China perante as potências mundias (Foto: Ricardo Stuckert/PR).
POR TATIANA CARLOTTI
A cúpula do G7 terminou nesta quarta-feira (17/06) com o Brasil assinando apenas três dos nove documentos aprovados pelas sete potências mundiais. Foram aprovadas as matérias relacionadas ao combate ao câncer, à proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais e ao enfrentamento do narcotráfico.
As demais decisões foram recusadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao considerá-las restritas aos interesses dos países desenvolvidos, informou a Agência Brasil nesta quinta-feira (18/06). Ao lado do presidente do Quênia, William Ruto, o líder brasileiro defendeu a importância das parcerias econômicas com a China ante as contundentes críticas das potências ocidentais contra Pequim.
“Quem mais faz investimentos na África e na América Latina são os chineses, enquanto os europeus e os norte-americanos não têm aparecido tanto para competir com Pequim”, disse. E acrescentou: “Aquilo que vocês veem como uma ameaça, que é a economia chinesa, os países não desenvolvidos veem como uma oportunidade”, destacando que a China ampliou seus investimentos na África e na América Latina.
Ruto também ressaltou que Pequim se tornou um parceiro indispensável para os países africanos, sobretudo em projetos de infraestrutura e desenvolvimento econômico. Já o porta-voz da diplomacia chinesa, Lin Jian, afirmou que as políticas chinesas seguem as regras do comércio internacional e acusou os países do G7 de tentar impor suas próprias normas ao mercado global.
‘Fala muito e escuta pouco’, diz Lula sobre Trump‘
Lula também fez declarações sobre a Ucrânia. Como destaca a russa RT, o presidente brasileiro disse que os países que apoiam financeiramente a Ucrânia demonstram sinais de desgaste diante do prolongamento da guerra. Ele relatou ter conversado com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e afirmou ter percebido, pela primeira vez, uma disposição maior de Kiev para buscar uma saída diplomática.
O veículo também destaca, em outra reportagem, a declaração do presidente brasileiro sobre o mandatário norte-americano, Donald Trump. “Entreguei por escrito, porque não quero apenas falar; porque o presidente Trump fala muito e escuta pouco.”
“Assim, fiz questão de entregar, por escrito, o que queremos para combater o crime organizado, o que queremos em relação às terras raras e aos minerais e o que queremos em relação ao comércio”, acrescentou. O presidente brasileiro também cutucou Washington ao mencionar o contrabando de armas provenientes dos Estados Unidos para o Brasil.
Jacques Wagner será investigado pela PF
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema de irregularidades do Banco Master. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
Entre os alvos da operação estão o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, e Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master. Eles são investigados por supostos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, informa a cubana Prensa Latina.
Em nota, o presidente do PT declarou apoiar as investigações e defendeu o esclarecimento integral dos fatos e a eventual punição dos responsáveis.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança de que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, diz o texto.
Golaço do Brasil contra as big techs
Enquanto isso, no Brasil, o Supremo Tribunal Federal definiu as regras para responsabilizar as plataformas digitais por conteúdos ilegais publicados por terceiros no país. As empresas que operam no Brasil deverão manter representante legal e sede no país para responder às autoridades administrativas e judiciais.
As plataformas terão prazo de 60 dias para adaptar seus sistemas e adotar medidas preventivas contra a circulação massiva de conteúdos ilícitos. A responsabilização dependerá da existência de falhas sistêmicas nos mecanismos de prevenção e remoção de conteúdos. A decisão agora é definitiva e também obriga as empresas a criar mecanismos de autorregulação e relatórios periódicos de transparência, informa a agência EFE.
Mercosul pode alcançar toda a Europa
A agência francesa também reporta a aprovação, pelo Senado brasileiro, do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio, formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.
O tratado cria um mercado potencial de cerca de 300 milhões de consumidores e envolve economias com PIB combinado de aproximadamente US$ 4,3 trilhões. Vai além da redução de tarifas, abordando barreiras regulatórias, serviços, investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais.
A decisão ainda depende da ratificação pelos parlamentos de todos os países integrantes dos dois blocos e, caso seja plenamente implementada, o Mercosul passará a ter acordos comerciais com praticamente toda a Europa, destaca a EFE.
Coalizão sul-americana contra o crime organizado
A cubana Prensa Latina informa que o governo brasileiro e a Interpol avançaram na criação de uma coalizão regional para enfrentar o crime organizado transnacional na América do Sul. A iniciativa foi discutida na França durante uma reunião entre Lula, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.
O projeto prevê a integração dos 12 países sul-americanos em ações coordenadas contra o tráfico de drogas, de armas e de crimes ambientais. Também foram discutidas medidas de recuperação de ativos do crime organizado, segurança digital, combate a fraudes eletrônicas e proteção de crianças e adolescentes contra crimes cibernéticos.
Setores produtivos criticam baixa queda da Selic,
improdutivos acusam ‘ansiedade do mercado’
O Banco Central reduziu a taxa Selic de 14,50% para 14,25% ao ano, mas a medida foi considerada insuficiente por representantes da indústria e do movimento sindical. A Confederação Nacional da Indústria afirmou que a redução de apenas 0,25 ponto percentual não será capaz de reativar investimentos; já a CUT classificou a decisão como tímida e acusou a política monetária de favorecer o sistema financeiro em detrimento da atividade produtiva.
Enquanto isso, a Bloomberg, porta-voz do mercado financeiro, traz a seguinte manchete: “ativos brasileiros caem após corte de juros do Banco Central gerar ansiedade no mercado”. Nenhuma linha sobre a bruta ansiedade dos 82 milhões de brasileiros endividados.
Lula quer contratar Messi
Lula está pensando em “contratar” o argentino Lionel Messi para a seleção brasileira, após o 3 a 0 da Argentina sobre a grande Argélia na Copa do Mundo. “Eu estava pensando em contratar o Messi para jogar pelo Brasil”, disse o presidente, aos risos, destaca o norte-americano Daily Star.
Já sobre o empate do Brasil com o Marrocos, o presidente afirmou: “sempre que o Brasil é muito subestimado, ele ganha a Copa do Mundo”. A seleção volta ao campo nesta sexta-feira (19/06) contra o Haiti. Neymar não participará do jogo devido à lesão na panturrilha. A informação foi confirmada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), informa The Independent.

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Cobre política e cultura, confira aqui.
