Lula diz que se for candidato será para vencer e defende cautela na negociação com Trump

Lula diz que se for candidato será para vencer e defende cautela na negociação com Trump

Os três temas do Brasil que atraíram a mídia internacional nesta segunda-feira (04/08): Lula candidato em 2026, as reações ao tarifaço de Trump e os atos pró-Bolsonaro realizados no domingo. Principalmente na imprensa francesa, o destaque para o apoio dos manifestantes às ameaças dos EUA à soberania brasileira.

O presidente Lula anunciou sua disposição de concorrer à reeleição no ano que vem, desde que sua saúde esteja em boas condições, já que sua popularidade cresce apesar da pressão da grande mídia e do governo dos EUA, que tenta impedir que seu aliado de extrema direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro, seja preso por tentativa de golpe de Estado.

Lula, de 79 anos, afirmou neste domingo, no Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília (na imagem), que concorrerá à reeleição para um novo mandato presidencial se estiver 100% apto. Ele indicou que não precisará se retirar da disputa presidencial, como aconteceu no ano passado com o ex-presidente americano Joe Biden (2021-2025), que, devido a problemas de saúde, desistiu de desafiar o republicano Donald Trump.

“Para ser candidato, tenho que ser muito honesto comigo mesmo. Preciso estar em plena saúde (…) Jamais enganarei o partido nem o povo brasileiro”, disse Lula, que completará 80 anos em outubro do ano que vem, mesmo mês em que serão realizadas as eleições gerais. Ele ressaltou que, aos 79 anos, está com melhor saúde e melhor condição física do que aos 65.  “Se eu for candidato, concorrerei para vencer”, destaca o Nodal. O extenso texto retoma a questão do tarifaço de Trump e as sanções a Moraes. (Centro Latino Americano de Análise Estratégica / Nodal)

O Granma, além de informar a disposição de Lula em se candidatar em 2026, informa que o presidente denunciou em discurso os laços fascistas com os Estados Unidos. Lula criticou diretamente figuras da oposição que defenderam as tarifas do governo Trump sobre as exportações brasileiras.

TARIFAÇO: O POSSÍVEL

Lula pediu cautela e responsabilidade em potenciais negociações tarifárias com os Estados Unidos: ‘O Brasil não negocia sob ameaças’ Na semana passada, o presidente Donald Trump insinuou a possibilidade de conversas entre os dois líderes. O presidente brasileiro disse no domingo que as negociações com os Estados Unidos sobre as novas tarifas de 50% impostas por Donald Trump exigem cautela e responsabilidade diplomática, afirmando que há um “limite para discussão” com o governo americano.  “Não posso dizer tudo o que acho que devo dizer. Tenho que dizer o que é possível”, disse Lula durante reunião do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que ele lidera. (El Tiempo)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que “soberania não é moeda de troca”. (La Diaria)

O governo do Brasil deixou de lado, por enquanto, os planos de retaliação direta contra as altas tarifas dos EUA que entram em vigor esta semana, concentrando-se em vez disso em um pacote de alívio para os setores mais afetados pelas medidas, disseram fontes familiarizadas com a estratégia.

As amplas isenções concedidas na ordem executiva do presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada, pouparam alguns dos setores mais vulneráveis da maior economia da América Latina, para alívio de muitos investidores e líderes empresariais.

Isso levou Brasília a adotar uma postura cautelosa quanto a responder a Trump com tarifas recíprocas ou outras formas de retaliação que poderiam acirrar as tensões, segundo autoridades do governo que pediram anonimato para discutir deliberações confidenciais.

As negociações com Washington provavelmente serão lentas e complexas, disse uma das fontes, por isso o governo brasileiro está priorizando medidas imediatas de alívio para os exportadores, como linhas de crédito públicas e outros apoios ao financiamento de exportações.

Outra fonte do governo Lula afirmou que o governo estuda possíveis respostas às tarifas que afetariam empresas norte-americanas, mas considera essas medidas como último recurso, caso as negociações fracassem. (Reuters)

As tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada a dezenas de países provavelmente permanecerão em vigor, em vez de serem reduzidas como parte das negociações em andamento, disse o Representante Comercial Jamieson Greer em comentários transmitidos no domingo.

Antes do prazo final de sexta-feira, Trump estabeleceu taxas, incluindo uma taxa de 35% sobre muitos produtos do Canadá, 50% para o Brasil, 25% para a Índia, 20% para Taiwan e 39% para a Suíça, de acordo com um decreto presidencial. (Reuters)

O Nodal traz artigo do Nobel de economia Joseph E. Stiglitz publicado há vários dias pela imprensa brasileira: “A valente disputa do Brasil contra Trump”.

BOLSONARO = TRUMP

No Brasil, o campo pró-Bolsonaro está satisfeito com sanções alfandegárias dos EUA, diz o Libération. No domingo, 3 de agosto, apoiadores da extrema direita comemoraram em diversas cidades do país o aumento das tarifas alfandegárias sobre as exportações brasileiras, decretado pela Casa Branca em apoio ao ex-presidente processado por tentativa de golpe.

Bandeiras americanas emergem de uma multidão densa. Cartazes expressam sua “gratidão” a Donald Trump, que interveio diretamente para socorrer seu aliado Jair Bolsonaro, o ex-chefe de Estado brasileiro que seria vítima, segundo ele, de uma “caça às bruxas”. No campo dos “patriotas”, o autoproclamado rótulo da extrema direita brasileira, as máscaras caem. Revigorados pelo apoio americano ao seu líder, os bolsonaristas se entregaram a uma demonstração de força no domingo, invadindo as ruas durante várias capitais regionais para celebrar as medidas punitivas oficializadas pela Casa Branca. 50% sobre as exportações brasileiras (um recorde entre os parceiros comerciais dos EUA), acompanhadas de sanções financeiras. (Libération)

“Fora Moraes!” Agitando bandeiras verde-douradas do Brasil, dezenas de milhares de apoiadores de Jair Bolsonaro foram às ruas no domingo, 3 de agosto, em mais de 18 cidades do país, para expressar sua indignação contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (TSF), a mais alta corte, a quem acusam de conduzir uma “perseguição política” contra o ex-presidente de extrema direita (2019-2022). (Le Monde /Le Parisien /Correio da Manhã)

Tagged: , , ,