Lula e Sheinbaum estreitam laços em meio a avanço da direita na América Latina

Lula e Sheinbaum estreitam laços em meio a avanço da direita na América Latina

Os dois líderes buscam ampliar parcerias no setor de energia e aumentar o comércio entre Brasil e México enquanto conservadores ganham terreno na região. “Ele é um homem extraordinário, um símbolo. É sempre um prazer conversar com ele”, disse Claudia Sheinbaum sobre Lula em uma entrevista. Os dois cultivam uma relação calorosa por meio de encontros em eventos internacionais como o G20 e ligações telefônicas. É parte de um realinhamento político mais amplo entre duas das maiores economias da América Latina em meio à onda de presidentes de direita que inclui mais recentemente Peru e Colômbia. (Bloomberg)

A Petrobras e a estatal mexicana Pemex assinaram na terça-feira (23) um memorando de entendimento para cooperação em projetos de exploração, produção e processamento de petróleo e gás. Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a iniciativa tem “potencial relevante” para a companhia em um cenário de fortalecimento da exploração e produção de petróleo no México. De acordo com o documento, as empresas vão avaliar oportunidades para ampliar a produção de campos já existentes e desenvolver projetos em águas profundas e ultraprofundas no Golfo do México. A cooperação também inclui a troca de tecnologias e conhecimento técnico.

ANÁLISES DA ONDA DA DIREITA

La Nación traz o artigo” “Uma região do mundo que está cada vez mais à direita. Com a vitória de Abelardo de la Espriella na Colômbia, este país passa a se juntar à Argentina, ao Chile, ao Peru, ao Equador, ao Paraguai e à Bolívia, com governos dessa orientação política na América do Sul”.

O Diário AR vai na mesma direção com o artigo “Uma onda reacionária e trumpista governa a América Latina: vassalos disfarçados de extremistas. Após a vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella na Colômbia, praticamente todo o continente está governado por forças de direita e de extrema direita que bajulam Donald Trump e imitam as políticas de segurança de Nayib Bukele.”

LULA: VULNERÁVEIS

O presidente Lula defendeu na terça-feira o papel do Estado na proteção dos setores mais vulneráveis e afirmou que a prioridade de seu governo são os trabalhadores, a classe média e as pessoas de menor renda, em um discurso com tom marcadamente eleitoral proferido no Rio de Janeiro, um dos principais redutos eleitorais do país. “Eu sei o que o povo deste país sofre, e foi exatamente por isso que me candidatei à Presidência da República. Não me candidatei para fazer coisas para os ricos; os ricos não precisam do governo”, declarou Lula durante a inauguração de um trecho rodoviário no estado do Rio de Janeiro. “Quem precisa do governo são as pessoas humildes, a classe média, os trabalhadores e os profissionais”, acrescentou o presidente, que concorre à reeleição pelo PT. (Ansa)

LULA E JOVENS

Lula contava com o voto dos jovens, com idades entre 16 e 34 anos, para vencer a eleição de 2022 contra o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro. Mas, desta vez, as pesquisas mostram que o ex-líder sindical está enfrentando dificuldades. De modo geral, Lula continua popular e está ampliando sua vantagem sobre os rivais. No entanto, uma pesquisa realizada em junho pela Quaest, mostrou que os jovens adultos foram a única faixa etária em que a desaprovação do governo de Lula superou a aprovação. Os jovens brasileiros estão entre os mais de direita de sua faixa etária na América Latina, com 38% se identificando como tal em uma pesquisa de 2024 realizada por uma fundação ligada ao Partido Social-Democrata da Alemanha. E uma pesquisa de dezembro realizada pela AtlasIntel mostrou que as gerações mais velhas tendem a se identificar mais com a esquerda ou o centro-esquerda. No Brasil, onde Lula e Dilma venceram cinco das últimas seis disputas presidenciais, a mudança também reflete uma geração que atingiu a maioridade associando a esquerda a uma série de decepções econômicas ao longo dos últimos doze anos. (Reuters)

MAURO VIEIRA CONTRA CLASSIFICAÇÃO DE TERRORISMO

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou na terça-feira perante a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) que o combate ao crime exige a cooperação de todos os países da região, mas que não pode ser usado como pretexto para violar soberanias. Em seu discurso na reunião da OEA no Panamá, alertou que atribuir ao crime organizado uma classificação diferente daquela de um grupo criminoso que busca lucros pode servir de pretexto para medidas unilaterais que violam a soberania. Sua declaração ocorre duas semanas depois de os Estados Unidos, sem o aval do governo brasileiro, terem classificado como grupos terroristas o Comando Vermelho e o Terceiro Comando da Capital, as duas maiores organizações criminosas do Brasil. “Não podemos deixar de levar em conta que estamos diante de organizações criminosas movidas pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos”, afirmou ele. Segundo Vieira, os países da OEA precisam «resistir à tentação de reclassificar (o crime organizado) com rótulos que confundem fundamentos de natureza distinta, importados de outros contextos, que não contribuem para desmantelar as redes criminosas». Pelo contrário, acrescentou ele, esse tipo de classificação limita o intercâmbio de inteligência entre os países das Américas no combate ao crime organizado. Segundo Vieira, essa rotulagem “pode se tornar um pretexto para respostas que ignoram fronteiras, jurisdições e a igualdade soberana das nações”. “Devemos resistir à tentação de classificá-las sob rótulos que confundem fenômenos de natureza distinta. Categorias importadas de outros contextos não contribuem para desmantelar as redes criminosas”, afirmou o ministro Vieira. “É importante não perder de vista a natureza do que enfrentamos: trata-se de estruturas criminosas movidas pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos”, ressaltou. (EFE / Ansa)

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FLÁVIO NOS EUA DE NOVO

O candidato à presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro, anunciou nesta terça-feira que participará, no dia 6 de julho, de uma audiência pública no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), onde se manifestará a respeito da suba de laranjas sobre as exportações brasileiras proposta por Washington. O anúncio foi feito pelas redes sociais do líder do Partido Liberal (PL), de centro-direita, que confirmou sua presença para defender os interesses do Brasil diante da pressão comercial impulsionada pelo governo europeu. A audiência, marcada para Washington, faz parte do processo de consulta pública do USTR antes da adoção de uma decisão definitiva sobre o aumento das tarifas. (Ansa)

EL NIÑO + INFLAÇÃO

Economistas no Brasil preveem que o fenômeno climático El Niño tenha um impacto significativo sobre a inflação neste ano e no próximo, o que ainda não foi totalmente incorporado às suas previsões, segundo uma pesquisa do Banco Central divulgada nesta quarta-feira. A estimativa mediana de quase 100 economistas consultados em um questionário antes da decisão sobre a taxa de juros da semana passada apontou para um impacto de 0,30% na inflação geral em 2026 e de 0,40% em 2027.

BRASIL X ARGENTINA

Um documento acadêmico do deputado federal Luis Picat (LLA) apresenta dados concretos para uma discussão que vem marcando a política agropecuária argentina há décadas: qual foi o efeito das intervenções estatais sobre a produção, as exportações e a produtividade do setor. Em seu trabalho de conclusão de mestrado, intitulado “Análise comparativa das políticas tributárias e regulatórias do setor agropecuário na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos (2005-2022)”, Picat comparou a evolução dos três países com base em informações de organismos como a OCDE e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O trabalho foi realizado na Universidade Nacional de Córdoba e orientado pelo economista Ernesto Rezk. Os resultados mostram diferenças acentuadas. Entre 2005 e 2022, a produção agropecuária cresceu 136% no Brasil, 72% nos Estados Unidos e 43% na Argentina. Nas exportações, a diferença foi ainda maior: o Brasil registrou um aumento de 190%, enquanto os Estados Unidos e a Argentina registraram aumentos de 72% e 44%, respectivamente. (La Nación)

ESPANHOL DETIDO POR RACISMO

A Polícia Federal do Brasil deteve um cidadão espanhol no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, por racismo na quarta-feira, o mais recente de uma série de prisões de grande repercussão envolvendo turistas estrangeiros por motivos semelhantes. O Brasil, que vem lidando com seu legado da escravidão, possui algumas das leis antirracismo mais rigorosas da América Latina, com proteções consagradas na Constituição de 1988. Insultar uma pessoa com base na raça acarreta pena de prisão de 2 a 5 anos e multa. A tripulação de um voo da companhia aérea Latam, proveniente da cidade de São Luís, no Nordeste, chamou a polícia, que prendeu a cidadã espanhola assim que ela desembarcou, após ela supostamente ter feito comentários racistas dirigidos aos funcionários que descarregavam a bagagem da aeronave, informou a polícia em comunicado. (Independent)

Na imagem, encontro de Lula com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, em abril de 2025 / Ricardo Stuckert / PR

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