Lula e Xi Jinping somam forças em defesa da ONU e da paz global

A conversa entre Lula e Xi Jinping, a negativa de Amorim ao Conselho de Trump, a debandada de Tarcísio nas eleições e os 42 anos de MST são algumas das notícias internacionais sobre o Brasil nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. (Foto: Ricardo Stuckert/ PR)
POR TATIANA CARLOTTI
O presidente da China, Xi Jinping, conversou com o presidente Lula nesta manhã e afirmou que a China e o Brasil devem atuar de forma conjunta para proteger os interesses do Sul Global, preservar o papel central da ONU e defender a justiça e a equidade internacionais, informa o chinês Global Times. Xi destacou que os dois países são “forças construtivas” para a paz global e a estabilidade internacional. “Devemos nos manter firmes no lado correto da história”, disse o líder chinês.
Lula respondeu destacando que Brasil e China “desempenham um papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio”, reiterando o compromisso com o fortalecimento da ONU como eixo da paz e da estabilidade globais. Após a conversa, o presidente brasileiro anunciou isenções para determinadas categorias de vistos de curta duração para cidadãos chineses, informa Prensa Latina, em uma medida de reciprocidade à política adotada pela China desde 2025.
El Mercúrio destaca que a conversa ocorre um dia após Donald Trump anunciar, em Davos, a criação de um controverso “Conselho de Paz”, visto por analistas como potencial rival do sistema das Nações Unidas. O próprio Trump afirmou que seu Conselho poderá agir de forma autônoma após concluído, mesmo alegando que atuaria em “colaboração” com a ONU.
Embora convidados para integrar o novo órgão, nenhum dos dois países confirmou sua participação. O assessor especial de Lula, Celso Amorim, declarou ao jornal O Globo que a proposta pode representar uma “revogação” da ONU. “Não se pode considerar uma reforma da ONU feita por um só país”, afirmou, dizendo que o Brasil não concorda com a proposta e que o desenho do órgão é confuso, unilateral e incompatível com o sistema multilateral, destaca a RT.
“A própria carta [de assinatura do acordo] é confusa” e, na prática, “representa uma revogação da ONU sobretudo na área de paz e segurança (…) essa parte, claramente, não vejo como aceitá-la”, afirmou. “A palavra ‘Gaza” não aparece no estatuto” salientou, afirmando que os termos do acordo pode se referir “a qualquer conflito”. Ele também relatou que a carta é um “contrato de adesão” sem a possibilidade de emendas, defendendo que qualquer discussão deve ocorrer sob um marco multilateral, levando em conta palestinos e países árabes.
ELEIÇÕES 2026
Redes sociais – o presidente Lula reiterou o alerta contra as mentiras nas redes sociais neste ano eleitoral, destaca a cubana Prensa Latina. Durante ato em Maceió, onde entregou mais de 1.300 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida, o presidente afirmou que “não podemos permitir que a mentira volte a governar” e advertiu aos que têm celular que é “ter cuidado com a quantidade de mentiras” recebidas diariamente. “Aprendam a distinguir o que é mentira (…) elas se espalham rapidamente, enquanto a verdade tem pernas curtas”, disse.
Ingerência externa – O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, também defendeu uma postura de vigilância diante do risco de ingerência externa nas eleições presidenciais de outubro, informa a Telesur. Embora não espere uma intervenção direta do presidente Donald Trump, ele salientou que setores da extrema direita dos EUA e o ecossistema político radical no país podem tentar influenciar o processo, “como tentaram outras vezes e, possivelmente, tentarão agora”. Amorim também destacou que as agressões na América do Sul afetam diretamente a segurança brasileira e classificou incursões militares recentes na Venezuela como um “mau precedente” afirmando que o Brasil não pode validar esse tipo de ação.
Tarcísio nega candidatura presidencial – O governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, afirmou que não será candidato à Presidência nas eleições de outubro e declarou que disputará a reeleição no estado, em meio a tensões internas no campo bolsonarista, informa La Política Online. Ele escreveu no X: “sou candidato à reeleição como governador do estado de São Paulo e sempre trabalharei por uma direita unida e forte para derrubar a esquerda do poder”. E reiterou: “qualquer informação em contrário é pura especulação”.
ACORDO MERCOSUL – UNIÃO EUROPEIA
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul tornou-se mais “equilibrado”, sobretudo na proteção ao setor agrícola europeu, informa a agência ANSA. Segundo Meloni, o trabalho conjunto com a Comissão Europeia garantiu salvaguardas importantes para a agricultura, embora a decisão sobre uma eventual aplicação provisória do tratado caiba exclusivamente à Comissão. Já o chanceler alemão Friedrich Merz classificou o tratado como um “ponto de virada” da política comercial europeia, defendendo novos acordos estratégicos para impulsionar o crescimento econômico do bloco.
GOVERNO LULA
Huawei – A agência EFE destaca que o governo brasileiro convidou a multinacional chinesa de telecomunicações Huawei a participar do leilão de baterias previsto para abril. O movimento ocorre em meio ao esforço de ampliar a infraestrutura de armazenamento de energia no país, com foco em sistemas de baterias (BESS). De visita oficial à China, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reuniu-se com representantes da empresa em Xangai para discutir soluções de armazenamento e integração ao sistema elétrico. A licitação pretende viabilizar a entrada em operação dos projetos a partir de agosto de 2028. A estratégia do governo é atrair atores com escala e tecnologia para aumentar a competitividade, acelerar a curva de aprendizagem e reduzir custos no setor.
PARABÉNS, MST!
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) completou 42 anos de trajetória nesta quinta-feira (22/01), consolidando-se como uma das principais organizações populares do Brasil. Reportagem da Telesur destaca que o MST impulsiona uma alternativa econômica baseada na soberania alimentar e na produção de alimentos saudáveis sem agrotóxicos, sendo o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. O movimento conta com duas mil escolas públicas em assentamentos, cerca de 200 mil pessoas atendidas e mais de 100 mil alfabetizadas, além de um plano de plantio de 100 milhões de árvores (com 25 milhões já contabilizadas).

Foto: @MST_Oficial

Tatiana Carlotti é repórter do Fórum 21 desde 2022. Também trabalha em Ópera Mundi e atuou por oito anos nos veículos progressistas Carta Maior (2014-2021) e Blog Zé Dirceu (2006-2013). Tem doutorado em Semiótica (USP) e mestrado em Crítica Literária (PUC-SP).
