Lula parabeniza Carney e quer avançar acordo comercial do Canadá com o Mercosul

O presidente Lula disse nesta terça-feira que está interessado em avançar as negociações para um acordo comercial entre o bloco sul-americano do Mercosul e o Canadá, a fim de “diversificar e expandir nosso intercâmbio”. O tema constou de um post no X em que Lula parabenizou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, por sua vitória de virada para os liberais nas eleições de segunda-feira. (Reuters / El Diário AR)
Íntegra da nota de Lula no X:
“Meus parabéns ao primeiro-ministro @MarkJCarney pela vitória do Partido Liberal nas eleições de ontem (28/5). O Brasil deseja um novo ciclo de prosperidade para o povo irmão do Canadá. Vamos trabalhar pelo fortalecimento das relações bilaterais e de nossas democracias. Queremos aprofundar nossa cooperação em áreas de interesse mútuo, como a promoção e a proteção dos direitos humanos e o combate à mudança do clima. Temos interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá para diversificar e expandir nosso intercâmbio.”
LULA SOBE EM PESQUISA
O instituto de pesquisas Atlas Intel confirma uma melhora significativa na imagem de Lula após vários meses de declínio. A Atlas afirma que “a rejeição ao presidente Lula caiu 3,5 pontos percentuais em abril, quebrando uma tendência de aumento observada desde abril de 2024. A aprovação do presidente cresceu 1,2 ponto percentual, ligeiramente fora da margem de erro, resultando em um saldo negativo de -4 pontos entre avaliações negativas e positivas, o melhor resultado para Lula desde dezembro de 2024”. “A avaliação do governo apresentou um comportamento semelhante, com aumento de 2,8 pontos nas avaliações positivas (ótimo e bom) e queda de 1,9 pontos nas avaliações negativas (ruim/péssimo)”, acrescenta. (La Política Online)
BRICS X TARIFAÇO
Os ministros das Relações Exteriores do grupo BRICS de nações em desenvolvimento não conseguiram chegar a um comunicado conjunto na terça-feira, depois de se reunirem no Rio de Janeiro, mas o presidente do grupo, Brasil, emitiu uma declaração se manifestando contra o protecionismo comercial.
Na declaração, o Brasil afirma que os ministros das relações exteriores do grupo expressaram “séria preocupação com a perspectiva de uma economia global fragmentada e o enfraquecimento do multilateralismo”.
Os Estados Unidos implementaram uma nova política comercial focada em tarifas sob o comando do presidente Donald Trump, levantando preocupações sobre uma desaceleração econômica global, embora a declaração não tenha mencionado os EUA.
O grupo expandido do BRICS, que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, bem como os novos membros Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã, enfrenta desafios assustadores com as ações comerciais dos EUA.
“Os ministros expressaram sérias preocupações sobre o aumento de medidas protecionistas unilaterais injustificadas e inconsistentes com as regras da OMC, incluindo o aumento indiscriminado de tarifas recíprocas e medidas não tarifárias”, disse o comunicado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse aos jornalistas que os ministros do BRICS haviam chegado a um consenso sobre a questão das tarifas, afirmando que isso poderia ser visto na declaração emitida pelo Brasil. Acrescentou que as nações estavam trabalhando para ter uma declaração conjunta final em sua cúpula de julho, também no Rio de Janeiro.
*Como parte dos preparativos para a cúpula do BRICS no Brasil, o ministro das Relações Exteriores da Rússia reforçou as alianças estratégicas com a China e o Brasil para promover um novo equilíbrio global em face das tensões com o Ocidente. Os ministros das relações exteriores dos países membros do BRICS se reuniram por dois dias na preparação para a cúpula dos líderes marcada para 6 e 7 de julho.
(Reuters / South China Morning Post / Japan Times / Centro Latino Americano de Análise Estratégica)
COP 30
As negociações cruciais das Nações Unidas sobre o clima este ano serão uma “batalha um pouco difícil” devido à turbulência econômica e à retirada dos EUA do esforço de Donald Trump para combater o aquecimento global, admitiu o presidente da próxima cúpula. Governos de todo o mundo se reunirão em Belém, no Brasil, em novembro, para a reunião Cop30, onde se espera que anunciem novos planos para lidar com a crise climática e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No entanto, pouquíssimos países já fizeram isso, e o mundo continua fora do caminho para permanecer dentro dos limites de temperatura acordados para evitar as piores consequências do colapso climático.
Não está claro qual será a presença, se é que haverá alguma, dos EUA nas negociações depois que Trump, que chama a mudança climática de “uma grande farsa”, retirou a principal potência econômica do mundo do acordo climático de Paris e começou a demolir as regulamentações ambientais em seu país. Uma guerra comercial desencadeada por Trump também causou preocupações sobre uma desaceleração econômica global, distraindo ainda mais os líderes da tarefa de reduzir as emissões. (Guardian)
MILIONÁRIOS SAEM DO BRASIL
O Brasil foi o sexto país que mais enviou milionários em direção a outras partes do mundo em 2024, segundo relatório da Henley Private Wealth Migration, empresa especializada em imigração e investimentos. No total, 800 cidadãos com patrimônio líquido superior a 1 milhão de dólares (R$ 5,7 milhões) deram saída fiscal do Brasil, a maioria tendo como destino Portugal, seguido dos Estados Unidos, afirma a CEO da Portogallo Family Office, Magda Portugal. A liderança do ranking ficou com a China, que perdeu 15,2 mil milionários.
Na avaliação de Magda, que se debruçou sobre os números, vários fatores contribuíram para que os milionários brasileiros decidissem se mudar do Brasil. Entre eles estão a insegurança urbana, o que leva os endinheirados a procurarem lugares mais tranquilos para as famílias, e o temor de aumento de tributos sobre grandes fortunas, medida proposta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para compensar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil (833 euros) por mês. “Nesses casos, muitos preferem antecipar a taxação mudando a residência fiscal”, explica ela.
Outros dois fatores também foram determinantes para a emigração de milionários brasileiros, no entender de Magda: a instabilidade política e econômica, que cria um ambiente de incertezas, e a busca por melhor qualidade de vida, o que envolve serviços de saúde, educação e infraestrutura. Parte desses brasileiros está se estabelecendo em Cascais, conforme o presidente da Câmara Municipal, Carlos Carreiras. (Público)
Na imagem, o presidente Lula recebe líderes sindicais no Planalto nesta terça-feira (29/04) / Valter Campanato/Agência Brasil)

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico. Participei da cobertura de posses presidenciais, votações no Congresso, reuniões ministeriais, além da cobertura de greves de trabalhadores e de pacotes econômicos. A maior parte do trabalho foi no noticiário em tempo real. No Fórum 21, produzo o Focus 21, escrevo e edito os textos dos analistas.
