Lula promete resposta à altura após tarifa de 50% imposta por Trump

Lula promete resposta à altura após tarifa de 50% imposta por Trump

O presidente Lula afirmou, em entrevista nesta quinta-feira (10), que o Brasil apresentará uma reclamação oficial à Organização Mundial do Comércio (OMC) para tentar reverter a tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre todas as exportações brasileiras aos Estados Unidos a partir de 1º de agosto. Caso a negociação fracasse, o país adotará medidas de retaliação. “Se ele vai cobrar 50% de nós, nós vamos cobrar 50% dele”, disse Lula. “Não tenha dúvida que, primeiro, nós vamos tentar negociar. Mas, se não tiver negociação, a Lei da Reciprocidade será colocada em prática.”

Mais cedo, o governo já havia anunciado a criação de um grupo de trabalho com empresários para coordenar a resposta à decisão unilateral de Trump, apresentada como retaliação ao julgamento de Jair Bolsonaro, no Supremo Tribunal Federal, por tentativa de golpe de Estado. Na carta enviada a Lula e divulgada pela Truth Social, Trump chamou o processo de “vergonha internacional” e acusou o Brasil de promover “ataques insidiosos contra eleições livres” e “censura à liberdade de expressão”, em referência às decisões do ministro Alexandre de Moraes, que ordenaram o bloqueio de perfis em plataformas como Rumble, Truth Social e X. Na sequência, Lula reagiu afirmando que “a defesa da democracia brasileira é assunto dos brasileiros” e que o país não aceitará tutelas externas.

O chefe da Casa Civil, Rui Costa, já havia sinalizado que o Brasil usará a Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada por Lula em abril, como base para adotar contramedidas proporcionais. O Itamaraty convocou o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, para apresentar protesto formal e refutou as alegações econômicas de Trump, destacando que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral nos últimos 15 anos.

A ofensiva norte-americana ocorre em meio a tensões geopolíticas crescentes, marcadas pela expansão dos BRICS e pelos esforços de desdolarização do comércio internacional. Na semana anterior, Trump já havia ameaçado aplicar tarifa de 10% a todos os países do bloco — que agora inclui Irã, Egito e Etiópia — acusando-os de adotar uma agenda “antiamericana”.

O episódio provocou forte reação interna. Fernando Haddad culpou o bolsonarismo por articular nos EUA medidas que prejudicam o Brasil e criticou duramente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que atribuiu a tarifa à diplomacia do governo Lula. Segundo o ministro da Fazenda, a postura do governador representa “vassalagem” e afeta diretamente setores estratégicos do próprio estado, como a Embraer e a indústria de sucos. Eduardo Bolsonaro, por outro lado, celebrou a medida de Trump nas redes e incentivou seus seguidores a agradecerem ao presidente norte-americano. No Congresso, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, iniciaram articulações para formular uma resposta institucional à ofensiva de Washington (Prensa Latina, Página/12, El Tiempo, SinEmbargo, Público, Prensa Latina, La Diaria, eldiario.es, Clarín, La Nación, Washington Post, The New York Times, Bloomberg via Japan Times).

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PELA CULATRA?

Segundo o líder comunista queniano Booker Omole, as tarifas impostas por Trump ao BRICS vão reforçar a desdolarização e unir ainda mais o Sul Global. A crítica ecoa falas de Ramaphosa e analistas africanos, que veem no dólar a base do poder dos EUA — e na sua superação, um novo caminho econômico (RT).

+60 DIAS

Alexandre de Moraes prorrogou por mais 60 dias a investigação contra Eduardo Bolsonaro, acusado de coação e tentativa de abolir o Estado de Direito. O inquérito apura sua articulação nos EUA para pressionar o STF, pedir sanções contra Moraes e blindar o pai, cada vez mais próximo de uma condenação (Prensa Latina).

INFLAÇÃO MENSAL CAI, MAS…

A inflação oficial do Brasil desacelerou pelo quarto mês seguido em junho, com alta de 0,24% no IPCA, abaixo do mês anterior (0,26%), mas acima da expectativa do mercado (0,20%). Ainda assim, a taxa acumulada em 12 meses subiu para 5,35%, superando novamente a meta de 3% definida pelo Banco Central — com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — e completando nove meses de descumprimento.O presidente do BC, Gabriel Galípolo, deve divulgar nesta quinta-feira (10) uma carta pública ao Conselho Monetário Nacional explicando o novo estouro da meta, conforme determina a legislação. Na véspera, ele reafirmou o compromisso da autoridade monetária com o controle da inflação, após o Comitê de Política Monetária elevar a taxa básica de juros para 15% em junho, o maior nível desde 2006. Para analistas, o ciclo de alta parece encerrado, mas a tensão com os EUA e os efeitos cambiais decorrentes do conflito tarifário com Trump podem influenciar os próximos passos (Reuters).

*Imagem em destaque: José Cruz/Agência Brasil

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