Lula promulga acordo Mercosul-UE no Brasil; tratado entra em vigor nesta sexta (1º)

Lula promulga acordo Mercosul-UE no Brasil; tratado entra em vigor nesta sexta (1º)

“Não foi nem um, nem dois, nem três, nem quatro presidentes da República que pretenderam fazer esse acordo”, lembrou Lula, o único capaz de aprová-lo: ‘vem para fortelecer integração econômica e ideia consagrada do multilateralismo” (Foto: Valter Campanato/ABr)

POR TATIANA CARLOTTI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva promunlgou na terça-feira (28/04) o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, oficializando a adesão brasileira ao tratado. O acordo passa a valer a partir da próxima sexta, 1º de maio, e cria um mercado de 718 milhões de consumidores e países com um PIB combinado de US$ 22,4 trilhões.

Na cerimônia, Lula destacou a longa tramitação do acordo, por mais de duas décadas, e os esforços que ele e seus antecessores fizeram pela aprovação do tratado. “Não foi nem um, nem dois, nem três, nem quatro presidentes da República (…) que pretenderam fazer esse acordo”, declarou. “Vem para fortelecer a integração econômica e a ideia consagrada do multilateralismo”, disse o presidente, ao criticar medidas protecionistas, sem mencionar o tarifaço e as demais ações de Washington.

Pelo acordo, os países do Mercosul zeram as tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos; em contrapartida, a União Europeia retirar suas taxas sobre 95% dos produtos dos países do bloco, em até 12 anos. Países do tratado estão promulgando a medida, o Congresso Nacional a aprovou em março e, agora, ela passa a valer com o decreto de Lula. A implementação será gradual e aexpectativa de que impulsione exportações industriais, agropecuárias e atraia investimentos europeus.

O chanceler Mauro Vieira destacou que “em um mundo conturbado, com forte instabilidade geopolítica e proliferação de medidas unilaterais, inclusive na área comercial, o acordo emite claro sinal de que os dois blocos acreditam na integração econômica, no comércio como promotor do desenvolvimento e na plena compatibilidade da integração comercial com regimes multilaterais nas áreas ambiental, trabalhista e social”. As informações são da Agência Brasil.

Itamaraty se pronuncia sobre ataque israelense
que matou mãe e filho brasileiros

Um bombardeio israelense no sul do Líbano no último sábado (25/04) matou a brasileira Manal Jaafar, seu filho Ali Ghassan Nader, de 11 anos, e seu marido libanês, Ghassan Nader. Seu filho mais velho ficou ferido. As informações foram publicadas por ANSA e Agência Brasil.

Quando começaram os ataques ao Líbano, em 2 de março, a família se refugirou em Beirute. No sábado, eles voltaram para a cidade de Bint Jbel, onde viviam antes das agressões, para pegar pertences e roupas. O bombardeio destruiu o sobrado de três andares da família que estava em casa e prestes a voltar para a capital libanesa. As crianças brincavam do lado de fora. “Ele falou que ia só juntar as coisas e voltar para pegar mais roupa. Estava com o carro ligado, sabe, com o porta-malas já carregado”, contou o irmão de Nader.

O Itamaraty condenou o episódio, criticou os ataques de Israel no sul do Líbano e também os do Hezbollah, que entrou no enclave em 2 de março ao retaliar as agressões de Israel contra o Irã, a partir de 28 de fevereiro. O Brasil disse que “o ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo, anunciado em 16 de abril”. O governo brasileiro citou dezenas de civis mortos nas últimas semanas apesar da trégua. A reportagem da Agência Brasil traz o caso.

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Empate técnico nas pesquisas eleitorais

Nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial. Reuters deu os dados da pesquisa: Flávio aparece com 47,8% contra 47,5% de Lula. No levantamento anterior, realizado em março, filho de Bolsonaro tinha 47,6% e Lula 46,6%.

Outra sondagem divulgada pela Nexus também registrou empate técnico entre os dois favoritos, em simulações de primeiro turno, Lula lidera com índices entre 44,2% e 46,6%, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 39,3% e 39,7%, dependendo dos nomes incluídos na disputa. Reportagem do La Política Online destaca que mais da metade dos entrevistados declarou que não votaria em Lula “de nenhuma maneira”, enquanto Flávio aparece com índice semelhante, levemente inferior.

Inflação desacelera e reforça expectativa de corte de juros

A inflação brasileira desacelerou no início de abril e veio abaixo do esperado pelo mercado, reforçando a perspectiva de novo corte da taxa básica de juros nesta semana, informa a Reuters. O IPCA-15 acumulado em 12 meses ficou em 4,37%, acima dos 3,90% anteriores, porém abaixo da projeção de 4,49%. No resultado mensal, os preços subiram 0,89% até meados de abril, mas apesar de ser a maior alta para o índice desde fevereiro de 2025, o número também ficou inferior à estimativa de 1,0% feita por economistas consultados pela agência.

Congresso decide veto à Lei de Dosimetria

O Congresso Nacional votará em 30 de abril o veto integral do presidente Lula à chamada Lei de Dosimetria. Prensa Latina informa sobre a proposta que altera critérios de definição de penas e pode beneficiar condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O texto estabelece que, em crimes múltiplos contra o Estado Democrático de Direito, prevaleça apenas a pena mais grave, sem soma automática das condenações. Também prevê redução de até dois terços para envolvidos sem liderança direta em ações coletivas. Lula vetou integralmente a medida. Na Câmara, a oposição afirma ter mais de 300 votos para derrubar o veto presidencial, superando o mínimo de 257 deputados necessários. No Senado, o cenário está mais indefinido.

A deputada Maria do Rosário alertou que a medida poderia beneficiar não apenas envolvidos na trama golpista, mas também condenados por feminicídio e crimes violentos. Já Lindbergh Farias classificou a semana como “decisiva para la democracia”.