Lula sobre Trump: ‘O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém’

Declaração foi dada em entrevista ao Washington Post publicada no domingo.
O presidente Lula afirmou que sua relação pessoal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ajudar a atrair investimentos americanos para o Brasil, evitar mais tarifas e sanções e garantir o respeito à democracia brasileira. “Trump sabe que me oponho à guerra com o Irã, discordo de sua intervenção na Venezuela e condeno o genocídio que está ocorrendo na Palestina”, disse Lula em entrevista ao Washington Post publicada no domingo. “Mas minhas divergências políticas com Trump não interferem na minha relação com ele como chefe de Estado. O que eu quero é que ele trate o Brasil com respeito, entendendo que sou o presidente democraticamente eleito deste país.”
Lula reafirmou a defesa da soberania em suas tratativas com Washington. “Aqueles que inclinam a cabeça podem não conseguir levantá-los novamente”, declarou. “O Brasil tem muito orgulho do que é. Não precisamos nos curvar a ninguém”, acrescentou. Questionado sobre a relação entre Trump e o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que “nunca pediria para Trump não gostar de Bolsonaro. É problema dele”. E acrescentou: “Não preciso fazer nenhum esforço para ele saber que sou melhor que Bolsonaro. Ele já sabe disso.”
Grande parcela da mídia nacional também reportou a entrevista ao jornal americano. (Reuters / g1 / Brasil de Fato)
FLÁVIO BOLSONARO RESISTE À RELAÇÃO COM VORCARO?
A agência France24 traz extensa reportagem com o título “O escândalo em torno do filme sobre Jair Bolsonaro: um golpe para a candidatura presidencial de seu filho?” Reproduz as conversas entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, explica quem é o empresário fraudador, cita o filme “Dark Horse” e finaliza: “Agora, a grande questão é se Flávio Bolsonaro conseguirá ‘manter-se firme e forte’, como pede seu pai, ou se o partido e seus aliados exigirão sua cabeça, dando início a uma guerra de sucessão para capitalizar a herança do bolsonarismo.”
* A France 24 é uma rede internacional de canais de notícias com sede em Paris, financiada pelo governo francês. Ela transmite informações 24 horas por dia, 7 dias por semana, com foco em atualidades mundiais sob a perspectiva europeia.
INVESTIMENTO EM TERRAS RARAS
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na França, onde participa esta semana da cúpula do G7, que buscará atrair investimentos de países europeus e dos Estados Unidos para a exploração e o processamento de terras raras no Brasil. Durigan disse que chegou à reunião dos ministros do G7 com a “orientação” de atrair “capital francês, capital alemão, capital norte-americano, de quem quiser investir” em minerais críticos, desde que o refino industrial ocorra em território brasileiro. Destacou que deve ser assim para que se “gerem empregos e se compartilhe tecnologia com as universidades brasileiras”, a fim de romper com a lógica “histórica” de ser exportador de matérias-primas. O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais estimadas desses minerais. Durigan chegou neste domingo à França, onde, além de participar como convidado da reunião das principais economias ocidentais, manterá encontros bilaterais com ministros e empresários.
Lula foi convidado pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para participar da cúpula de chefes de Estado do G7 em junho. (Ansa)
PIB EM 1,3% NO TRIMESTRE
A atividade econômica do Brasil cresceu 1,3% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira, apesar de uma contração mais acentuada do que o esperado em março. O índice IBC-Br, um indicador do produto interno bruto, caiu 0,7% em março em relação a fevereiro, em dados ajustados sazonalmente, contra uma queda de 0,2% prevista em uma pesquisa da Reuters.
INDÍGENAS E AS ELEIÇÕES
O Le Monde Diplomatique traz extensa análise sob o tema “O direito eleitoral e os povos indígenas no Brasil”. O autor Flávio de Leão Bastos Pereira, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirma que os povos indígenas constituem, certamente, uma das parcelas mais (ainda) perseguidas e violentadas em seus direitos fundamentais desde o início da história do Brasil”. Diz ainda que “o ano de 2026 marca avanços na legislação eleitoral quanto ao reconhecimento da importância dos povos indígenas, para a sociedade brasileira, mas os desafios persistem”.
ACORDO MERCOSUL-UE
O embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza, declarou nesta segunda-feira (18) que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul apresenta desafios para empresas, mas também representa um cenário de oportunidades relevantes. Segundo o diplomata, o entendimento entre os blocos é “extremamente complexo e amplo, e existem muitos setores com oportunidades de acesso no Brasil, mas obviamente é preciso esforço”. (Ansa)
CINEMA NEGRO
“Sala 54: Brasil lança em Cannes plataforma global para o cinema negro nacional
Foi lançada oficialmente nesta segunda-feira, 18 de maio, no Marché du Film do Festival de Cannes, a Sala 54, plataforma voltada à difusão internacional de filmes assinados por diretores negros brasileiros, com foco em festivais, distribuidores e agentes de vendas. A iniciativa integra a programação oficial do Brasil em Cannes, articulada pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Secretaria do Audiovisual (SAv). (Público)
CUBA E BRASIL
A Associação Nacional de Cubanos Residentes no Brasil José Martí (Ancreb-JM) solicitou ao Congresso que se pronunciasse publicamente contra qualquer ameaça militar ou ação desestabilizadora dirigida atualmente à ilha. Em uma carta enviada aos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, à qual a Prensa Latina teve acesso, a organização manifestou preocupação com os discursos hostis do governo dos Estados Unidos. Para a Ancreb-JM, é necessário que as instituições democráticas brasileiras defendam o direito internacional, a autodeterminação dos povos e a solução pacífica de controvérsias, diante de um cenário marcado por tensões geopolíticas e medidas coercitivas unilaterais. Além disso, alertou que qualquer possibilidade de intervenção militar contra Cuba representaria uma grave violação da Carta das Nações Unidas e dos princípios históricos que, afirmou, orientam a diplomacia brasileira.
Na imagem, encontro entre Lula e Trump na Casa Branca em 7 de maio / Reprodução

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
