Maioria apoia reação de Lula às tarifas de Trump, confirma pesquisa Ipespe

Maioria apoia reação de Lula às tarifas de Trump, confirma pesquisa Ipespe

Imagem em destaque: Lula anunciou R$ 1,17 bilhão para construção de 249 escolas voltadas a comunidades indígenas e quilombolas durante cerimônia no Vale do Jequitinhonha, em Minas Novas (MG). O presidente defendeu as políticas educacionais para populações tradicionais e destacou o exemplo de uma jovem quilombola presente no evento, estudante de doutorado: “Ela só venceu na vida porque tinha política pública que permitia que uma pessoa pobre possa estudar nesse país, que uma quilombola possa ser doutora, possa fazer mestrado e possa ser o que quiser”. O evento também marcou a assinatura da Política Nacional de Educação Escolar Indígena e o reconhecimento dos Saberes do Rosário como patrimônio cultural brasileiro (Agência Brasil). Foto: Ricardo Stuckert/PR

BRASILEIROS REJEITAM PRESSÃO DE TRUMP

Pesquisa Pulso Brasil/Ipespe divulgada nesta quinta-feira (24) mostra que 50% dos brasileiros aprovam – enquanto 46% desaprovam – a reação de Lula à guerra tarifária de Trump. O levantamento revela que até os eleitores de centro ficaram do lado do presidente no embate contra Bolsonaro e Trump, com 62% apoiando a postura de Lula contra apenas 34% de rejeição. Além disso, 57% dos brasileiros discordam da revogação dos vistos norte-americanos de ministros do STF, medida anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio na última semana.

A pesquisa também expõe o isolamento da direita brasileira no apoio a Trump, já que 61% dos brasileiros desaprovam o presidente americano – número que subiu desde maio, quando estava em 55%. Enquanto isso, Bolsonaro registra 60% de rejeição e seu filho Eduardo chega a 59% de reprovação, índices maiores que os dos presidentes do Senado e da Câmara. Os dados ainda mostram que 53% dos brasileiros acreditam que o apoio de Trump vai prejudicar qualquer candidato nas eleições de 2026, deixando claro que a estratégia bolsonarista de se alinhar com o republicano não convence o eleitorado brasileiro.

A pressão de Washington se intensifica com Trump avaliando sancionar os presidentes do Congresso, Hugo Motta e Davi Alcolumbre, para forçar uma anistia que livre Bolsonaro da prisão (CNN Brasil, The Independent, La Política Online).

VIOLÊNCIA TEM QUEDA HISTÓRICA EM 2024

O Brasil teve 44 mil mortes violentas em 2024, registrando uma queda de 5,2% em relação a 2023, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número representa o menor registro desde 2011 na série histórica do levantamento feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A maioria das vítimas continua sendo homens jovens (91,1%), negros (79%), pessoas até 29 anos (48,5%) mortas por armas de fogo (73,8%) em vias públicas (57,6%).

A queda histórica nos homicídios contrasta com alguns indicadores preocupantes: os feminicídios bateram novo recorde com 1.492 casos (alta de 0,7%), e os estupros chegaram ao maior número da série histórica com 87.545 ocorrências – uma mulher violentada a cada seis minutos no país. São Paulo chamou atenção pelo aumento de 8% nas mortes violentas, puxado pelo crescimento de 61% nas mortes causadas pela polícia, que saltaram de 504 em 2023 para 813 em 2024. Enquanto os roubos caíram para 745.333 casos, as fraudes explodiram 408% nos últimos seis anos, chegando a 2,1 milhões de ocorrências – quatro por minuto (elDiarioAR).

MORAES MANTÉM RESTRIÇÕES

O ministro Alexandre de Moraes decidiu manter todas as medidas cautelares contra Jair Bolsonaro, mesmo reconhecendo que o ex-presidente violou a proibição de usar redes sociais através do filho Eduardo. Moraes classificou o episódio como “irregularidade isolada” e não converteu as restrições em prisão preventiva, mas fez um aviso direto: qualquer nova violação vai resultar em cadeia imediata.

A decisão esclarece que Bolsonaro pode dar entrevistas e fazer discursos públicos, respeitando os horários do recolhimento domiciliar, mas está proibido de usar esse material de forma coordenada para alimentar as redes de apoiadores. O ministro comparou a situação com lavagem de dinheiro, explicando que não dá para usar “contas de terceiros” para burlar restrições judiciais. Bolsonaro segue com tornozeleira eletrônica, recolhimento das 19h às 6h em dias úteis, confinamento total nos fins de semana e proibido de ter contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras – medidas impostas após Trump usar o julgamento do ex-presidente como justificativa para ameaçar o Brasil com tarifas de 50% (BBC News Brasil, Prensa Latina, El Tiempo).

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INTERROGATÓRIOS DO GOLPE CONTINUAM

Teve início nesta quinta (24) os interrogatórios dos réus dos núcleos 2 e 4 da tentativa de golpe no STF, ouvindo por videoconferência ex-aliados de Bolsonaro acusados de participar da trama para reverter o resultado das eleições de 2022. Entre os principais depoimentos estão Filipe Martins, ex-assessor internacional acusado de apresentar jurista a Bolsonaro para elaborar a minuta golpista, e Silvinei Vasques, ex-diretor da PRF que teria determinado blitzes no segundo turno para barrar eleitores de Lula no Nordeste.

O Núcleo 2 é acusado de planejar ações para manter Bolsonaro ilegitimamente no poder, enquanto o Núcleo 4 reúne militares responsáveis por espalhar desinformação e fake news sobre o processo eleitoral. Os réus respondem por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. O interrogatório é uma das últimas fases da ação penal, com expectativa de julgamento no segundo semestre, sendo que o Núcleo 3 será interrogado na próxima segunda-feira (28) (Prensa Latina).

SHEINBAUM E LULA FORTALECEM PARCERIA

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum falou por telefone com Lula nesta quarta-feira (23) para discutir o aprofundamento das relações econômicas entre Brasil e México. Os líderes acertaram uma visita oficial ao México nos dias 27 e 28 de agosto, que será liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin acompanhado de uma comitiva de empresários brasileiros de diferentes setores, com o objetivo de expandir a parceria estratégica bilateral.

Lula propôs o início de negociações para ampliar o acordo comercial Brasil-México, focando especialmente nos setores farmacêutico, agropecuário, etanol, biodiesel, aeroespacial, inovação e educação como áreas estratégicas da parceria. A aproximação acontece em meio à pressão tarifária dos Estados Unidos contra os dois países: Trump já aplicou 30% de tarifas sobre produtos mexicanos e anunciou 50% sobre exportações brasileiras a partir de 1º de agosto. Sheinbaum destacou que o México deve se tornar uma potência portuária, anunciando investimentos de 55 bilhões de pesos da Marinha mexicana e 150 bilhões da iniciativa privada em portos estratégicos do país (Sin Embargo, Nodal).

JOHANNA FOODS PROCESSA TRUMP POR TARIFAS

A fabricante americana de suco de laranja Johanna Foods entrou na Justiça contra Trump por causa das tarifas de 50% que ele quer aplicar ao Brasil, de onde a empresa importa o suco. A companhia avisa que a taxa pode dar prejuízo de US$ 70 milhões e fazer o preço subir 25% nos mercados americanos. A empresa fornece três quartos do suco de laranja de marca própria consumido nos EUA, abastecendo redes como Walmart e Aldi, num mercado onde o Brasil é responsável por mais da metade de todo o suco de laranja vendido no país. A empresa argumenta que a ameaça de Trump não tem respaldo legal e é apenas irritação com as investigações de Bolsonaro no STF (The Independent).

OFICIALIZADA ADESÃO CONTRA ISRAEL

O Brasil oficializou nesta quarta-feira (23) sua participação no processo da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, acusando o país de violações de direitos humanos e genocídio em Gaza. O Itamaraty concluiu o procedimento para apresentar a solicitação oficial ao Tribunal de Haia, baseando-se na Convenção de Genocídio, juntando-se a Espanha, Turquia e Colômbia.

O governo brasileiro citou “assassinatos em massa de civis, principalmente mulheres e crianças” e “uso da fome como ferramenta de guerra” na Faixa de Gaza. O processo iniciado pela África do Sul em dezembro de 2023 argumenta que Israel violou a Convenção de 1948 ao atacar civis em escolas, hospitais e abrigos, não apenas militantes do Hamas (The Japan Times, TASS).

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