Marina Silva prega ‘coragem’ para eliminação gradual dos combustíveis fósseis

Marina Silva prega ‘coragem’ para eliminação gradual dos combustíveis fósseis

O noticiário estrangeiro sobre o Brasil se concentra em sua maioria em torno da COP30 realizada em Belém e que termina nesta semana. A ministra defendeu que todos os países criem um roteiro de redução do uso dos combustíveis fósseis.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, incentivou todos os países a terem a coragem de abordar a necessidade de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, chamando a elaboração de um roteiro para isso de uma resposta “ética” à crise climática. Marina concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal britânico Guardian em que enfatizou, no entanto, que o processo seria voluntário para os governos que desejassem participar e “autodeterminado”.

A questão é uma das mais controversas da cúpula COP30 no Brasil, com países discutindo se e como tal roteiro pode ser discutido. Como anfitrião, o Brasil mantém uma postura cuidadosamente neutra sobre o que pode constar na agenda formal. Silva falou favoravelmente sobre o potencial de um roteiro, sem comprometer explicitamente o Brasil com ele. Ela disse: “Quando temos um terreno ou ambiente bastante sombrio, é bom termos um mapa. Mas o mapa não nos obriga a viajar ou a escalar”.

Ela acrescentou: “O mapa é uma resposta ao nosso conhecimento científico [sobre a crise climática]. É uma resposta ética”. Dezenas de países reunidos em Belém para a cúpula climática da ONU, que está entrando em sua segunda semana, querem estabelecer como uma eliminação global dos combustíveis fósseis poderia funcionar. Querem dar continuidade a uma resolução histórica tomada há dois anos na COP28, em Dubai, para “fazer a transição dos combustíveis fósseis”.

“Ser justo é ser justo com todos, mas a justiça essencial e primordial é não ser injusto com o planeta, porque ele é o nosso lar”, disse Marina ao jornal.

SÓ PROMESSAS

O site Politico, em longo texto, é mais cético: “Promessas adicionais não significam nada: a falha embaraçosa nas negociações climáticas mundiais”  Os líderes mundiais prometem combater o aumento das temperaturas durante anos. Muitas dessas promessas desaparecem quando as cúpulas terminam.

SOCIEDADE CIVIL ATIVA

“Protejam a Amazônia, tributem os poluidores: ativistas climáticos exigem ação na COP30 em Belém, Brasil”, é o título do site Democracy Now, programa de TV dos EUA. A COP30 é a primeira desde 2021 com uma presença significativa da sociedade civil, após três cúpulas consecutivas da ONU realizadas em países repressivos que proibiram protestos públicos. “A beleza da COP da floresta, a beleza da COP do povo no Brasil, é que a sociedade civil é muito ativa, tanto dentro quanto fora”, diz Leila Salazar-López, diretora executiva da Amazon Watch. Também conversamos com Viviana Santiago, diretora executiva da Oxfam Brasil, que assessora o governo brasileiro em questões de desenvolvimento sustentável. Ela enfatiza a importância de colocar os povos indígenas e a saúde da Amazônia no centro dessas negociações. “As pessoas mais afetadas pela crise climática são aquelas que não fizeram nada para [causar] essa crise”, diz Santiago.

Em outro texto, Democracy Now diz “Milhares marcham em protesto liderado por indígenas nas negociações climáticas do Brasil “em defesa da vida”

A floresta amazônica pode enfrentar um novo surto de desmatamento, à medida que crescem os esforços para revogar uma proibição de longa data que a protegia. A proibição — que proíbe a venda de soja cultivada em terras desmatadas após 2008 — é amplamente reconhecida por conter o desmatamento e tem sido considerada um caso de sucesso ambiental global. Mas poderosos interesses agrícolas no Brasil, apoiados por um grupo de políticos brasileiros, estão pressionando para suspender as restrições, enquanto a conferência climática COP30 da ONU entra em sua segunda semana. Os críticos da proibição dizem que ela é um “cartel” injusto, que permite que um pequeno grupo de empresas poderosas domine o comércio de soja da Amazônia. (BBC)

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TARIFAÇO: CAFÉ AINDA COM 40%

A mudança na tarifa do café imposta por Trump ajuda os torrefadores dos EUA, mas prejudica o Brasil. A decisão do governo Trump de eliminar as tarifas sobre a maioria das importações de grãos de café será uma bênção para os torrefadores e importadores de café nos EUA, mas o maior produtor global, o Brasil, será prejudicado, pois seu café continua sujeito a uma tarifa elevada. Embora as medidas anunciadas na sexta-feira eliminem as tarifas de importação sobre grãos de café de quase todos os países produtores, apenas a tarifa recíproca de 10% sobre as importações de café do Brasil foi eliminada, permanecendo uma tarifa de 40%. Analistas e representantes da indústria cafeeira afirmaram na segunda-feira que as mudanças levarão os Estados Unidos, o maior mercado mundial de café, a buscar grãos da Ásia e da América Latina, deixando de lado os grãos brasileiros.

“É apenas uma questão de ajuste de preços nos fluxos comerciais”, afirmou Judith Ganes, presidente da J. Ganes Consulting e analista sênior de commodities agrícolas.  (Reuters)

BOLSONARO QUASE LÁ

O Supremo Tribunal Federal publicou a ata da decisão da primeira turma, na qual os ministros rejeitaram os recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros seis condenados por tentativa de golpe. O documento registra oficialmente o resultado da votação dos ministros sobre o caso do chamado núcleo principal da conspiração golpista. Bolsonaro e seus aliados são acusados de liderar uma organização criminosa para perpetrar um golpe de Estado, com o objetivo de manter o político de extrema direita no poder mesmo após sua derrota nas eleições de 2022.  A audiência sobre os pedidos de esclarecimento (primeiros recursos) foi concluída na sexta-feira em sessão plenária virtual e os ministros rejeitaram por unanimidade os pedidos da defesa.  Essa ata apenas formaliza o resultado do julgamento. A sentença, por outro lado, reúne de forma mais completa as conclusões dos ministros. Portanto, somente após sua publicação os advogados dos condenados poderão interpor um novo recurso. Uma vez concluído o julgamento de apelação de Bolsonaro e outros seis réus no litígio, os representantes dos acusados poderão apresentar novas contestações à condenação nos próximos dias. (Granma)

LÍDER DO PCC PRESO

A detenção, em Cascais, de Ygor Daniel Zago, o “mega traficante” conhecido como ‘Hulk’ pela Justiça brasileira, comprova que os cabeças da Primeiro Comando da Capital (PCC) conseguem controlar toda a operação de tráfico de drogas e demais atividades ilícitas à distância, longe das favelas de São Paulo. Aliás, a diversificação dos negócios – tal como qualquer máfia – está a alimentar este grupo, no caso através dos combustíveis. (Correio da Manhã)

Na imagem, a ministra Marina Silva discursa durante encerramento da cúpula dos povos no domingo (16/11) / Tânia Rêgo/Agência Brasil

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