Mercosul-UE entra em vigor em 1º de maio: “É o maior acordo interblocos do mundo’, diz Alckmin

Apesar de o acordo Mercosul-UE estar sendo contestado no Tribunal de Justiça da União Europeia, Bruxelas anunciou sua entrada em vigor de maneira provisória a partir de 1º de maio, após a ratificação do tratado comercial pelos parlamentos dos países sul-americanos
A União Europeia notificou nesta segunda-feira os países do Mercosul (Argentina, Uruguai, Brasil e Paraguai) sobre a aplicação provisória, a partir de 1º de maio, do acordo comercial que assinaram com a UE. Isso ocorre diante da decisão do Parlamento Europeu de levar o tratado comercial aos tribunais devido às dúvidas sobre sua compatibilidade com os tratados da União. A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou no final de fevereiro que, apesar do obstáculo judicial, o acordo comercial começaria a ser aplicado a partir da aprovação pelos parlamentos dos países latino-americanos. (El Diario Es)
O governo brasileiro e a oposição receberam com satisfação o sinal verde para a entrada em vigor provisória do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, a partir de 1º de maio, conforme anunciado por Bruxelas nesta segunda-feira (23).
O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou o acordo como “uma oportunidade histórica” e destacou a urgência de transformá-lo em resultados concretos. “É o maior acordo interblocos do mundo: devemos agir rapidamente para transformá-lo em investimentos, empregos e crescimento”, afirmou.
Para o governo, o avanço representa um movimento estratégico para ampliar a inserção do Brasil nos mercados globais, mas sua eficácia dependerá da capacidade de transformar oportunidades em resultados efetivos.
A oposição também manifestou apoio. A senadora Tereza Cristina classificou o acordo como um “marco importante”, mas fez um alerta sobre os desafios à frente. “Não basta comemorar: precisamos defendê-lo, implementá-lo e explorar plenamente seus benefícios”, declarou. (Ansa)
RELATÓRIO SOBRE VIOILÊNCA
A persistência de elevados índices de violência no Brasil tem alimentado, ao longo das últimas décadas, um intenso debate sobre os rumos das políticas de segurança pública e do sistema de justiça criminal. Em meio a respostas estatais frequentemente marcadas pelo aumento da militarização do sistema prisional e pelo consequente uso intensivo da força, o sistema prisional tem sido apresentado, muitas vezes, como instrumento central de enfrentamento da criminalidade. No entanto, evidências empíricas e análises institucionais apontam para os limites e contradições dessa abordagem.
O 36° Relatório Mundial da Human Rights Watch (HRW), publicado em janeiro de 2026, ao analisar a situação dos direitos humanos no Brasil ao longo de 2025, oferece elementos relevantes para essa discussão. Ao tratar de temas como violência policial, encarceramento em massa e condições de privação de liberdade, o relatório insere o sistema prisional no centro de um diagnóstico mais amplo sobre as fragilidades das políticas de segurança pública no país. (Le Monde Diplomatique)
O PODER DO COMANDO VERMELHO
Em outubro de 2025, uma operação policial deixou 122 mortos nas favelas da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. O objetivo era enfraquecer o Comando Vermelho, uma das organizações criminosas mais antigas e poderosas do Brasil. A gangue está crescendo rapidamente; em 16 anos, aumentou sua área de controle em 90% e está estendendo sua influência muito além do Brasil. No Rio de Janeiro, operações policiais letais estão aumentando na tentativa de conter essa rede em expansão, mas continuam ineficazes. (France24)
O pré-candidato Flavio Bolsonaro defendeu a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital como grupos terroristas, em consonância com a proposta formulada pelo governo dos Estados Unidos, país que ele deve visitar esta semana. Durante eventos realizados neste fim de semana nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, na região Nordeste, ele afirmou que, caso vença as eleições de outubro, seu governo irá “classificar como terroristas o Comando Vermelho e o PCC, porque temos que libertar as pessoas que vivem submetidas a esses grupos nas favelas do Rio de Janeiro e de São Paulo”. (Ansa) (O governo brasileiro é radicalmente contra, pela ingerência dos EUA no Brasil)
PETROBRAS NÃO AUMENTARÁ DIESEL
A Petrobras adiará o aumento dos preços do diesel no curto prazo, segundo informaram três fontes à Reuters, já que a petrolífera estatal mantém sua estratégia de não repassar as oscilações dos preços no exterior aos consumidores locais. A Petrobras aumentou os preços para os distribuidores em 14 de março, mas esperava que o impacto sobre os consumidores fosse pequeno, uma vez que o governo havia anunciado a suspensão dos impostos federais sobre o combustível. “Não há nada previsto para os próximos dias”, disse uma das fontes, que falou sob condição de anonimato. Os altos preços do diesel se tornaram uma grande preocupação para o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição este ano. Além de eliminar impostos federais, Lula também impôs um imposto de 12% sobre as exportações de petróleo.
Desde que Lula voltou ao poder em 2023, a Petrobras mudou sua abordagem em relação à precificação de combustíveis, optando por absorver os choques no exterior a fim de manter preços estáveis para os consumidores brasileiros. (Reuters)
TURISTAS PORTUGUESAS EM ALTA
Brasil registra 48 turistas portugueses por hora em 2026, recorde histórico
O número de turistas brasileiros bateu recorde histórico no Brasil nos dois primeiros meses de 2026, devido, sobretudo, ao carnaval. No total 67.819 viajantes oriundos de Portugal pisaram em solo brasileiro nesse período — mais 29,7% que no mesmo período de 2025 —, uma média de 48 por hora ou 1.150 por dia. (Público)
BOLSONARO EM CASA?
O Ministério Público Federal se pronunciou nesta segunda-feira, pela primeira vez, a favor da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023), que cumpre pena de 27 anos de prisão por incitação à subversão e atualmente está internado devido a uma pneumonia grave. A posição do procurador-geral do Brasil, Paulo Gonet, responde a um pedido do juiz Alexandre de Moraes, que terá de decidir nos próximos dias se concede o regime de prisão domiciliar ao líder de extrema direita. “Está comprovado que o estado de saúde do requerente da prisão domiciliar requer cuidados constantes e atenciosos que o ambiente familiar, mas não o sistema penitenciário vigente, está em condições de proporcionar”, declarou o chefe do Ministério Público em seu parecer. (EFE / Correio da Manhã)
Na imagem, o vice-presidente Geraldo Alckmin / Bruno Peres/Agência Brasil

Jornalista, ex-Folha, Reuters e Valor Econômico.
