Mercosul + UE: Itália e França querem adiar votação do acordo

Mercosul + UE: Itália e França querem adiar votação do acordo

A Itália e a França querem que a votação final da União Europeia sobre o acordo comercial com o Mercosul seja adiada, disseram duas fontes familiarizadas com as discussões, uma medida que corre o risco de inviabilizar um acordo que levou 25 anos para ser negociado.

O acordo com o grupo de nações latino-americanas do Mercosul é o maior negociado pela UE em termos de redução tarifária, e seus defensores afirmam que ele oferece uma saída para a dependência da China e um alívio do impacto das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conclusão de um acordo este mês é vista por alguns como um teste da capacidade da Europa de agir como um bloco unificado, dias depois de Trump ter criticado os líderes da UE por serem “fracos” num momento em que procuram um acordo sobre como reforçar o financiamento para a Ucrânia.

A Alemanha, a Espanha e os países nórdicos são fortes apoiantes do acordo.

Mas os críticos do acordo receiam que este ceda demasiado aos membros do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e que resulte numa inundação do mercado europeu com produtos agrícolas sul-americanos baratos, em detrimento dos agricultores europeus.

A França tem tentado mobilizar outros países da UE para formar uma minoria de bloqueio contra o acordo negociado pela Comissão Europeia. O país quer que sejam adicionadas ao acordo salvaguardas mais robustas para proteger os agricultores. (Reuters / Bloomberg)

A Comissão Europeia fez tudo o que estava ao seu alcance para atender às preocupações dos países membros sobre o acordo comercial da UE com o bloco latino-americano Mercosul e levá-lo adiante, disse o comissário de Comércio, Maroš Šefčovič, ao POLITICO. “Espero que passemos no teste esta semana, porque realmente nos esforçamos ao máximo para resolver as preocupações que nos foram apresentadas”, disse Šefčovič em entrevista na segunda-feira. “Agora é uma questão de credibilidade e de ser estratégico”, enfatizou, explicando que o enorme acordo comercial é vital para a União Europeia em um momento de comportamento cada vez mais assertivo da China e dos Estados Unidos. (Politico)

A UE perderá prestígio se rejeitar o acordo com o Mercosul, alerta o comissário do Comércio (FT)

*Em linha contrária a esses países europeus, no sábado, dia 20/12, reunião de cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu prevê assinar o acordo com a União Europeia. Esta é a previsão do presidente Lula.

MANIFESTAÇÕES CONTRA REDUÇÃO DE PENAS DEGOLPISTAS

Milhares de brasileiros protestaram no domingo nas principais cidades contra uma iniciativa legislativa para reduzir a pena de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores por conspiração para derrubar a democracia após ele perder a reeleição em 2022.

As manifestações, organizadas por grupos sociais, artistas e partidos políticos, denunciaram os legisladores por tentarem amenizar a punição do ex-presidente, condenado em setembro a 27 anos de prisão, e de seus apoiadores, que invadiram prédios do governo após sua derrota. 

Foi a primeira grande manifestação desde que Bolsonaro, cujo movimento de extrema direita remodelou a política brasileira, começou a cumprir sua pena de prisão no mês passado em uma cela que foi feita para ele em um prédio da polícia federal em Brasília, a capital. De acordo com pesquisadores da Universidade de São Paulo, cerca de 15.000 pessoas se reuniram em São Paulo, a maior cidade do Brasil – um número menor do que o de um protesto semelhante em setembro. (Reuters / Cubadebate /UFE)

VENEZUELA NO FOCO

O Brasil voltou a insistir na necessidade de evitar uma escalada do conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela. Os presidentes do Brasil, Lula da Silva, e da Venezuela, Nicolás Maduro, mantiveram uma conversa telefônica na semana passada, confirmou a Presidência do Brasil à rede CNN. A ligação foi breve e cordial, segundo informaram sobre a conversa entre os dois mandatários. “Eles conversaram sobre a paz na América do Sul e no Caribe e não ficaram assuntos pendentes”.  A Presidência do Brasil destacou que, nessa ligação, “foi resolvido” o que estava previsto para ser discutido, sem dar mais detalhes, e disse que, por enquanto, não há outro contato previsto entre Lula e Maduro. Lula afirmou em sua conversa que a crise deve ser resolvida por meio do diálogo e reiterou seu apelo para preservar a América Latina e o Caribe como uma região livre de conflitos armados. (Página 12)

Na imagem, o presidente Lula e Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia / Ricardo Stuckert / PR

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