Ministério da Agricultura confirma caso de gripe aviária em granja no Rio Grande do Sul

Ministério da Agricultura confirma caso de gripe aviária em granja no Rio Grande do Sul

POR TATIANA CARLOTTI

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou a detecção do primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no município de Montenegro, no Rio Grande do Sul. O foco foi identificado em um grupo de aves reprodutoras, marcando a primeira ocorrência do vírus em aves comerciais no país.

A constatação provoca impactos imediatos nas exportações, especialmente para a China, que suspendeu as compras, conforme acordos comerciais pré-estabelecidos. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 10 bilhões em carne de frango, respondendo por 35% do comércio global, com grandes processadoras como BRF e JBS liderando os embarques para mais de 150 países. China, Japão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos figuram entre os principais destinos.

Apesar da gravidade do surto, o Mapa tranquilizou a população, afirmando que a doença não é transmitida por meio do consumo de carne de frango ou ovos. Em nota oficial, o ministério ressaltou que os produtos inspecionados continuam seguros para consumo e que o risco de infecção humana é mínimo, concentrando-se principalmente entre profissionais com contato direto com aves infectadas. A pasta assegurou que todas as medidas de contenção e erradicação previstas no plano nacional de contingência já foram colocadas em prática.

O Serviço Veterinário oficial está preparado para atuar em emergências como essa, conforme destacou o ministério. A iniciativa busca garantir não apenas o controle da doença, mas também a continuidade da produção e a manutenção do abastecimento interno de alimentos. O surto foi registrado em uma fazenda que abastece a Vibra Foods, empresa brasileira com apoio da norte-americana Tyson Foods, que ainda não se manifestou. A notícia foi destaque na Reuters, Clarín, SCMP e nos principais jornais dos países afetados.

Conspiração para matar Lula, Moraes e Alckmin

O policial federal Wladimir Soares admitiu, em áudios divulgados pela Polícia Federal, que participou de uma conspiração violenta contra autoridades do país após as eleições de 2022. Preso em novembro de 2023, ele relatou planos que incluíam a prisão e o assassinato do presidente Lula, do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Os áudios indicam que o grupo pretendia agir com violência extrema para executar um golpe de Estado. “Íamos entrar com muita determinação, iríamos pressionar metade das pessoas, cara, matar metade delas. Não nos importaríamos”, disse o policial.

Ele chegou a pedir a decapitação de Alexandre de Moraes, demonstrando a gravidade da ameaça. “Alexandre de Moraes realmente deveria ter tido a cabeça decepada quando impediu o presidente de nomear um diretor da Polícia Federal, Ramagem”, afirmou. As declarações, encontradas em seu celular, fazem parte do material reunido na investigação conduzida pela Operação Contragolpe.

Segundo o relatório da PF, a conspiração envolvia um plano coordenado para atacar autoridades, com militares posicionados nas imediações da residência de Moraes, em Brasília. Ao todo, quatro militares foram presos com Soares. As gravações também indicam que outros integrantes das forças de segurança estavam diretamente envolvidos na articulação do golpe, revelando o nível alarmante da infiltração antidemocrática entre os agentes do Estado brasileiro, informa Prensa Latina e Nodal.

Bolsonaro

Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) pela intentona golpista em 8 de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro afirmou que não pretende deixar o Brasil, mesmo diante da possibilidade de ser condenado. Em entrevista à rádio AuriVerde Brasil, ele declarou: “tem gente que diz que eu deveria sair do Brasil. Eu não vou sair do Brasil, me prende, cara. Vou pegar 40 anos de cadeia, me prende”. Apesar da gravidade das acusações, fortalecida pelas revelações acima, Bolsonaro nega qualquer tentativa de golpe e ironiza os processos: “Que crime? Um crime impossível, da Minnie e do Pato Donald.” Caso condenado, ele poderá pegar até 39 anos de prisão. “Já tenho 70 anos, quase morri na minha última cirurgia. (…) Tenho 40 anos de prisão nas costas, não tenho recurso, vou morrer na prisão”, afirmou. A data do julgamento final ainda não foi definida, informa a cubana Prensa Latina.

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Data center no Brasil

A gestora brasileira Pátria Investimentos anunciou o lançamento da Omnia, uma nova plataforma de data centers em hiperescala voltada para inteligência artificial e computação em nuvem no Brasil. O primeiro projeto da Omnia receberá um aporte inicial de aproximadamente US$ 1 bilhão nos próximos 18 a 24 meses. A iniciativa surge em meio à crescente demanda por infraestrutura digital na América Latina, com destaque para o país, um destino estratégico por oferecer energia renovável em abundância e um ambiente de crescimento menos restritivo que os mercados norte-americanos e europeus, segundo a Reuters.

Felipe Pinto, sócio do Pátria, afirma à agência de notícias que a demanda global por data centers deve mais do que dobrar até 2030, e a América Latina pode ver sua capacidade triplicar nesse período. O primeiro campus será construído no Brasil ainda neste ano, com previsão de início das obras (o local não foi revelado) no segundo semestre. A Omnia havia fundado anteriormente a Odata, vendida em 2023 para a norte-americana Aligned Data Centers. A nova plataforma terá foco inicial no Brasil, México e Chile, operando exclusivamente com fontes de energia renováveis.

Vacinas brasileiras recusadas na Argentina

O governo argentino, liderado por Javier Milei, excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar vacinas contra a febre aftosa, medida que beneficia diretamente a Biogénesis Bagó, empresa ligada ao empresário Hugo Sigman. Apesar de recomendação contrária da Comissão Nacional de Defesa da Concorrência (CNDC), o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (SENASA) argentino não incluiu o Brasil — principal produtor da vacina na América Latina — entre os países com certificação sanitária válida.

O anúncio da desregulamentação do mercado de vacinas foi feito por Federico Sturzenegger, ministro da Desregulamentação, que prometeu autorizar importações por “equivalência sanitária”. No entanto, especialistas do setor suspeitam que a medida favorece Sigman, cuja influência no governo é reforçada por laços políticos e doações eleitorais. Segundo fontes ouvidas pela imprensa argentina, a exclusão do Brasil levanta suspeitas de lobby empresarial.

A CNDC havia acolhido pedidos de empresas como a Tecnovax, que tentava importar vacinas brasileiras, e de entidades como a Sociedade Rural de Salta. Ambas defenderam que as barreiras regulatórias poderiam ser removidas, usando o Brasil como exemplo de qualidade e confiabilidade. Mesmo com esse respaldo, a decisão final ignorou essas recomendações, reforçando os indícios de favorecimento à Biogénesis, informa La Politica Online.

Maior diversidade genética do mundo

Pesquisa publicada na revista Science revela que o Brasil possui a maior diversidade genética do planeta. O estudo, conduzido por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), analisou o genoma completo de 2.723 brasileiros de diferentes regiões e identificou 8,7 milhões de variações genéticas inéditas, evidenciando a complexidade e a singularidade do patrimônio genético brasileiro. Os resultados apontam que a ancestralidade da população brasileira é composta, em média, por 60% de origem europeia, 27% africana e 13% indígena.

Essa composição varia conforme a região e reflete os efeitos da colonização, da migração forçada de africanos escravizados e do genocídio indígena. Além de confirmar o Brasil como o país mais miscigenado do mundo, o estudo revela traços de etnias indígenas exterminadas e combinações únicas de genomas africanos que não existem mais nem mesmo na África. A análise também mostra sinais da violência da colonização, com o cromossomo Y (herdado dos pais) sendo majoritariamente europeu (71%), enquanto as linhagens mitocondriais (transmitidas pelas mães) são, em grande parte, africanas (42%) ou indígenas (35%), informa a DW.


Foto de capa: Arquivo/Agência Brasil

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