‘Não se meta nas eleições do Brasil’, diz Lula após Trump criticar política nacional

‘Não se meta nas eleições do Brasil’, diz Lula após Trump criticar política nacional

Presidente respondeu a Trump durante entrevista ao final do G7. Condenação de Eduardo Bolsonaro também foi notícia na mídia externa

Ao final de sua participação na cúpula de líderes do G7, o presidente Lula afirmou nesta quarta-feira em Genebra (foto Ricardo Stuckert) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem o direito de ter uma preferência eleitoral no Brasil, mas advertiu para que ele “não se meta” nas eleições deste ano.

Lula, que pretende concorrer à reeleição nas eleições de outubro, fez os comentários logo após Trump ter dito a repórteres que o Brasil se tornou um país “um pouco turbulento” e “politicamente perigoso”.

“Eles agem de forma bastante dura, mas ninguém age de forma mais dura do que os Estados Unidos”, disse Trump.

Ao ser questionado sobre as opiniões de Trump em entrevista coletiva, Lula respondeu: “Para mim ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem nenhum problema, é problema dele, afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil porque as eleições do Brasil são problema do Brasil. A única coisa que quero é o respeito que tenho pelos EUA.”

As provocações foram a mais recente troca de farpas na relação cheia de altos e baixos entre os dois líderes, que estavam ambos no último dia da cúpula do G7.

O principal adversário de Lula nas pesquisas é o senador Flávio Bolsonaro, filho do aliado de Trump e ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após ter sido condenado no ano passado a 27 anos por planejar um golpe após as eleições de 2022.

O presidente dos EUA se reuniu com o senador Bolsonaro no mês passado, ao lado de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que mora nos Estados Unidos. Trump havia se encontrado com Lula apenas algumas semanas antes.

Eduardo Bolsonaro, que vem trabalhando para angariar apoio internacional para sua família, foi condenado na terça-feira pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil por ter buscado interferência do governo Trump no julgamento de seu pai no ano passado, o que ele nega.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a condenação de Eduardo Bolsonaro fazia parte de um “padrão de perseguição e uso abusivo do sistema jurídico por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política”.

O porta-voz acrescentou que “os debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por meio de condenações”.

Havia expectativa de que ambos os presidentes se encontrassem no G7, mas eles apenas se cumprimentaram.

 (EFE/ Reuters)

*Na coletiva de imprensa após a cúpula do G7, o presidente Lula ressaltou pontos que o Brasil defendeu no evento, como o investimento de países ricos em nações menos desenvolvidas. Detalhes de suas declarações estão aqui

EDUARDO BOLSONARO CONDENADO

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos de prisão. O terceiro filho do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro foi considerado culpado por pressionar autoridades americanas a impor sanções econômicas ao próprio país. Tratava-se de uma tentativa de influenciar o julgamento de seu pai no Supremo Tribunal Federal — o próprio Bolsonaro cumpre atualmente uma pena de 27 anos por uma tentativa fracassada de golpe de Estado em 2022. (France 24BBC / Mediapart) / Le Monde / Clarín)

CELSO AMORIM: IA EM DISPUTA ENTRE EUA E CHINA

A corrida pela inteligência artificial se transformou em uma disputa entre duas potências — os Estados Unidos e a China —, travada em torno de terras raras, dados e as regras que regem a tecnologia, com a América Latina e a Europa deixadas de lado, afirmou na terça-feira o principal assessor de política externa do Brasil. Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, expôs essa visão na Conferência de Segurança Internacional do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, um fórum anual organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais em parceria com a Fundação Konrad Adenauer e a delegação da União Europeia no Brasil. “Devemos reconhecer que nem a América Latina nem a Europa estão liderando a corrida pela inteligência artificial. O que vemos hoje são dois pólos: os Estados Unidos e a China”, disse Amorim, acrescentando que essa disparidade terá consequências práticas, já que a tecnologia “multiplica o poder, as assimetrias e nunca é neutra”. (South China Morning Post)

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DÍVIDAS RURAL E DE CONSUMO

O governo brasileiro apoia um programa de renegociação da dívida rural, mas quer que ele seja mais direcionado, informou o Ministério da Fazenda nesta quarta-feira. Em depoimento em uma audiência no Congresso, após o Senado ter aprovado um projeto de lei abrangente de ajuda que oferece crédito subsidiado ao setor, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende adotar uma postura “construtiva” para conter o custo fiscal da proposta. O projeto de lei atual prevê cerca de 140 bilhões de reais (US$ 27,68 bilhões) em subsídios do Tesouro ao longo de 13 anos, disse ele, o que o governo considera excessivo, uma vez que abrange uma ampla gama de casos além dos choques climáticos, incluindo dificuldades econômicas gerais. O projeto de lei segue agora para a Câmara dos Deputados.

Durigan acrescentou que 95% do agronegócio na maior economia da América Latina continua saudável, citando uma taxa de inadimplência de 5% a 6% nos empréstimos rurais do Banco do Brasil (BBAS3.SA), abre em uma nova aba, o maior participante do setor. “Não há um cenário de terra arrasada no agronegócio em termos de inadimplência generalizada”, afirmou ele.

Durigan disse que o programa de renegociação de dívidas de consumo “Desenrola”, relançado recentemente pelo presidente Lula, já abrangeu cerca de um terço das dívidas elegíveis. O programa, que oferece garantias federais para ajudar as famílias a refinanciar dívidas a taxas mais baixas, renegociou entre 20 bilhões e 30 bilhões de reais (US$ 4 a US$ 5,9 bilhões) até o momento, de um total estimado de 80 bilhões a 90 bilhões de reais em dívidas elegíveis. (Reuters)

FIM DO SUBSÍDIO AO COMBUSTÍVEL

O Brasil encerrará os subsídios ao diesel e à gasolina caso o preço do petróleo bruto se estabilize em torno de US$ 80 por barril, devido aos avanços em direção a um acordo entre os EUA e o Irã para pôr fim ao conflito entre os dois países, afirmou à Reuters o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.

Ceron afirmou, em entrevista na terça-feira, que a redução das tensões no Oriente Médio provavelmente melhoraria as expectativas de inflação e aliviaria a pressão sobre as taxas de juros de longo prazo, dando ao Banco Central do Brasil mais margem para continuar reduzindo as taxas de juros. (Reuters)

SOLIDARIEDADE A CUBA

O deputado federal brasileiro Glauber Braga (PSOL) manifestou hoje sua solidariedade com Cuba e condenou as ações promovidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a nação caribenha. Durante uma intervenção na Câmara dos Deputados, Braga denunciou as tentativas de desestabilização contra Cuba e um “ataque econômico criminoso” promovido por Washington. Suas declarações ocorreram no primeiro dia de seu retorno ao órgão legislativo, ao retomar oficialmente seu mandato parlamentar após cumprir uma suspensão de seis meses considerada injusta pelo PSOL. “Retomo meu mandato hoje e reafirmo minha solidariedade com o povo cubano contra as tentativas inconcebíveis de desestabilização, um ataque econômico criminoso por parte de Donald Trump e companhia, que não podemos aceitar”, afirmou. O deputado questionou a política externa dos Estados Unidos e comparou as ações militares de Washington com a trajetória internacional de Cuba. (Prensa Latina)

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