‘No julgamento de Bolsonaro, Brasil confronta Trump e seu passado autoritário’

‘No julgamento de Bolsonaro, Brasil confronta Trump e seu passado autoritário’

O título desta reunião de textos da mídia estrangeira sobre o Brasil é de reportagem do Washington Post desta segunda-feira (01/09), que vem acompanhando de perto as acusações do STF contra Bolsonaro e seu impacto junto ao governo americano. O New York Times também se interessa pelo tema, assim como o britânico Guardian, que no domingo optou por destacar um trompetista brasileiro que toca a marcha fúnebre em frente ao condomínio em que Bolsonaro reside em Brasília.

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O Washington Post afirma que o julgamento de Jair Bolsonaro será um momento em que o país vai confrontar o presidente dos EUA, Donald Trump, e o passado autoritário do próprio Brasil. Para jornal, o julgamento “marca uma reviravolta significativa” no Brasil, já que o país tradicionalmente escolhe a conciliação em vez da acusação quando se trata de supostos crimes contra o Estado democrático. O julgamento de Bolsonaro também é o ápice de uma saga extraordinária que polarizou ainda mais o Brasil, testou a determinação do seu Judiciário e abriu um abismo cada vez maior com os EUA. Mas em vez de recuar, o Brasil aumentou a pressão sobre o ex-presidente e seus aliados, citando os novos indiciamentos contra Bolsonaro e seu filho Eduardo no mês passado. O Brasil sofreu 14 tentativas de golpe em sua história, metade delas bem-sucedidas. A maioria envolveu militares, começando em 1889, quando oficiais armados depuseram o último monarca brasileiro, um vestígio do domínio colonial português. (BBC)

*A Reuters noticia o início do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil na terça-feira afirmando que o caso ganhou destaque mundial depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, denunciou-o como uma “caça às bruxas” contra seu aliado e retaliou impondo uma tarifa de 50% sobre muitos produtos brasileiros. Ele foi acusado de cinco crimes: participação em uma organização criminosa armada; tentativa de abolir violentamente a democracia; golpe de Estado; danos à propriedade do governo; e danos a bens culturais protegidos. Em suas alegações formais no mês passado, os advogados do ex-presidente afirmaram que ele é inocente em todas as cinco acusações. Menciona ainda que Bolsonaro está sob prisão domiciliar e que ele pode ter uma pena de 40 anos. A Reuters traz ainda um perfil de Alexandre de Moraes, o juiz que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar, prendeu centenas de seus apoiadores por invadirem prédios do governo e intimidou Elon Musk por causa de conteúdo nas redes sociais. Sua perseguição a Bolsonaro levou Trump a impor uma tarifa comercial de 50% sobre o Brasil, restrições de visto e sanções financeiras individuais.

*O New York Times traz o título “Temendo fuga de Bolsonaro, Brasil reforça vigilância antes do julgamento por golpe”. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que será julgado na terça-feira, está sendo monitorado de perto pelas autoridades brasileiras, que temem que ele tente fugir.

*Lula enfrentou Trump. Agora vem seu maior desafio. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, os riscos antes das eleições do próximo ano não poderiam ser maiores, acredita o New York Times em texto opinativo de André Pagliarini, historiador que escreve sobre nacionalismo e relações entre os Estados Unidos e a América Latina.

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*Veredito do julgamento de Bolsonaro por golpe ameaça dividir a direita brasileira. Com uma possível pena de prisão pairando sobre o ex-presidente, uma disputa pelo poder pode surgir entre seus aliados para herdar o controle do movimento. (South China Morning Post com AFP)

*No domingo, o Guardian preferiu uma abordagem diferente com o título “Estou realizando seu velório político”: o trompetista que aguarda o dia do julgamento de Bolsonaro. O ex-presidente do Brasil deve ser condenado por tentativa de golpe – e Fabiano Leitão, que o provocou durante anos, está pronto. Texto do correspondente Tom Phillips. Quando Jair Bolsonaro era o presidente de extrema direita do Brasil, o trompetista guerrilheiro Fabiano Leitão o perseguia pela capital, Brasília, para provocá-lo com interpretações do hino antifascista Bella Ciao. Em março, quando Bolsonaro foi acusado de planejar um golpe, Leitão mudou de tom e começou a provocar o ex-presidente tocando a Marcha Fúnebre de Chopin. “Ela simboliza seu fim político, que é o que queremos ver”, disse o músico de 46 anos. Agora, enquanto o Supremo Tribunal Federal se prepara para decidir se Bolsonaro será preso por suposta tentativa de tomada do poder, Leitão está preparando outra apresentação para comemorar a queda e a desgraça do populista. “Será algo alegre! Tem que ser algo alegre!”, disse o trompetista, entusiasmado, cantarolando um dos clássicos animados do samba que ele estava considerando para marcar a ocasião.

*No Clarín: Brasil: julgamento de Jair Bolsonaro abala a direita a um ano das eleições presidenciais. O campo “bolsonarista” parece dar como certo que o ex-presidente ultradireitista, de 70 anos, será condenado este mês à prisão, acusado de conspirar para se manter no poder após sua derrota eleitoral para o esquerdista Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. Alguns de seus colaboradores confiam na aprovação de uma lei de anistia no Congresso, mas por enquanto isso não parece ter sucesso. E já circulam nomes para possíveis candidaturas presidenciais de seu grupo.

*Nesta terça-feira, os juízes do Supremo Tribunal Federal começam a deliberar seu veredicto. Bolsonaro, o pedido a Milei e o temor de fuga antes do julgamento histórico. O ex-presidente de extrema direita está sob custódia policial reforçada devido ao plano de fuga descoberto há duas semanas, quando documentos foram apreendidos em seu celular. (Página 12 / Guardião)

*O julgamento de Bolsonaro está recebendo atenção internacional depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinculou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados à situação jurídica de seu aliado. Trump chamou o processo de “caça às bruxas”, provocando reações nacionalistas de líderes de todos os poderes no Brasil, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Associated Press)

INVESTIMENTO CHINÊS

O Brasil atrai investimentos milionários de montadoras chinesas: o futuro da indústria argentina está em risco? As marcas asiáticas anunciaram projetos de veículos elétricos e híbridos no país vizinho. O contraste com o nosso território marca um novo desafio regional. (Ámbito)

Na imagem, o trompetista Fabiano Leitão toca a marcha fúnebre em frente ao condomínio onde Bolsonaro mora em Brasília, em 4 de agosto. / Reprodução Ueslei Marcelino/The Guardian

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